Com Romeu e Julieta, Galpão representa Brasil em maratona de Shakespeare nos Jogos de Londres

À esq., a primeira montagem de Romeu e Julieta pelo Galpão; à dir.: acima, Gabriel Villela conversa com elenco, abaixo, grupo ensaia em BH pensando em Londres - Fotos: Gustavo Campos, Guto Muniz e João Santos/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O teatro também terá lugar nos Jogos Olímpicos de Londres – que terão transmissão exclusiva pela Record. E o Brasil é um dos protagonistas.

O Grupo Galpão, de Belo Horizonte, foi convidado a apresentar sua montagem de Romeu e Julieta na maratona teatral pré-olímpica que tomará o Shakespeare’s Globe Theatre, às margens do rio Tâmisa, em Londres.

Serão encenados os 37 textos do  maior dramaturgo inglês, William Shakespeare, cada um representado em um idioma diferente. O sotaque mineiro estará presente no texto mais popular, apresentado nos dias 19 e 20 de maio deste ano.

Gabriel Villela é o diretor responsável pela remontagem do espetáculo, apresentado pela primeira vez há exatos 20 anos. Ele, que agora mora em São Paulo, esteve em Belo Horizonte entre 27 de fevereiro e 6 de março, quando se reuniu com o elenco original da peça para a remontagem.

O blog conversou com a turma do Galpão sobre este momento tão importante para o grupo e o teatro brasileiro. Arildo de Barros, que faz assistência de direção de Villela, contou que o objetivo é fazer a obra tal qual foi feita em 1992 e apresentada em 2000 no mesmo Globe Theatre.

– É exatamente o mesmo espetáculo. As marcações e as intenções são as mesmas.

Inês Peixoto, que entrou no Galpão justamente para fazer a Senhora Capuleto, mãe de Julieta, afirmou que refazer algo pensado 20 anos atrás foi um verdadeiro desafio.

Ela se uniu aos colegas para “abrir os velhos baús”, onde encontraram até “flores e cruzinhas usadas em 1992”.

– Abrir os baús foi bonito, mexeu com a gente.

A atriz Teuda Bara, a ama de Julieta, também “tinha um medo danado deste reencontro”. Mas, no encontro com Villela e os colegas do elenco, reencontrou “a alegria e o frescor” deste espetáculo.

– É uma peça que a gente não para um minuto. Uma hora você está cantando, na outra está dançando.

Inês conta que o diretor quis “reavivar as relações entre os personagens, buscar o impulso da precipitação, tão presente na trágica história de amor.

– Ele montou uma trave de madeira a um metro e meio do chão e fez com que andássemos sobre ela, igual fizemos em 1992. Esse perigo da queda iminente nos exercícios trouxe ao texto uma qualidade diferente.

Para a atriz, o reencontro com Villela é algo que também mexe com todos, pois “ele foi um diretor muito marcante na história do Galpão”.

– Romeu & Julieta foi um grande divisor de águas na trajetória do grupo. Visitamos 17 países com esta obra.

Tanta lembrança trouxe à tona uma ausência sentida nesta remontagem, a de Wanda Fernandes, que fez Julieta na primeira versão ao lado do Romeu Eduardo Moreira. Ela morreu dois anos depois da estreia. Desde 1996, Fernanda Vianna faz a personagem.

A volta de Gabriel Villela à trupe não foi por acaso. Ele já vinha sendo sondado pelos conterrâneos para dirigir a próxima montagem do Galpão, Os Gigantes da Montanha, texto do italiano Luigi Pirandello. Tudo “coisa do destino”, como acredita Inês.

– Romeu e Julieta vai aquecer de novo nossa relação com Gabriel, que está em uma fase esplendorosa da carreira.

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2 Resultados

  1. Soraya disse:

    Com o Galpao o Brasi está muito bem representado! Viva o teatro nacional!

  1. março 21, 2012

    […] Com Romeu e Julieta, Galpão representa Brasil em maratona de Shakespeare nos Jogos de Londres […]

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