Pernambucanos misturam tudo no liquidificador e jogam na cara do público do Festival de Curitiba

Jogo de luzes coloridas se destaca na peça pernambucana em Curitiba - Foto: Divulgação

CURITIBA (PR) – Uma mistura de tudo sem muita definição. Isso caracteriza o espetáculo que o Grupo Magiluth, de Recife (PE), apresentou na Mostra Oficial da 21ª edição do Festival de Curitiba, Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você.

No que nomeiam “teatro contemporâneo”, a companhia que existe desde 2004 com atores saídos do curso de Artes Cênicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) leva cinco atores ao palco sob direção do grupo em parceria com Luiz Fernando Marques.

Em cena, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Pedro Wagner e Pedro Vilela ora mergulham em si mesmos durante o que parece ser uma festa, ora interagem com o público, fazendo o espectador comer amendoim japonês e até beber cerveja da marca patrocinadora do festival.

Na noite desta quinta (5), parte dos espectadores do Teatro Paiol aceitou o convite de sair de seu assento e participar da festa no palco. Houve até quem compartilhou informações íntimas com todo mundo. Mas também teve quem preferiu ficar quietinho no seu canto, recusando-se a sair do papel de público.

Contudo, a dramaturgia, feita pelo grupo recifense a partir de imagens de Curitiba, é construída em uma miscelânea onde tudo cabe.

Nordestina, a trupe tentou proximidade com o público sulista, inserindo no texto locais queridos dos curitibanos, como praças, bairros e até uma maternidade da cidade, mas também problemas, como o consumo do crack e a violência na periferia.

Com a deixa e sob um ar aparentemente despudorado, os atores jogam na cara da plateia seus problemas familiares, amorosos e existenciais. Um deles até tira a roupa para mostra “algo enorme” que guarda em si.

A iluminação de Pedro Vilela ganha força na cena em que um jogo de lâmpadas coloridas cria uma espécie de constelação multicor que surge aos poucos, ou quando, no escuro, os atores fazem surgir pequeninas estrelas com isqueiros gastos.

Contudo, tais momentos poéticos não conseguem de todo sustentar a peça. A montagem tenta abarcar tanta coisa que acaba se perdendo no meio do caos que instalou.

O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você
Avaliação: regular
Quando: sexta (6), às 21h (última apresentação)
Onde: Teatro Paiol (praça Guido Viaro, s/nº, Prado Velho, Curitiba)
Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Classificação: 18 anos

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  2. maio 18, 2012

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