Festival de Curitiba leva 180 mil ao teatro

População lotou os teatros de Curitiba nos 13 dias de festival - Foto: Daniel Sorrentino/Clix

CURITIBA (PR) – Quem disse que brasileiro não gosta de teatro? Essa máxima não parece não valer para o Festival de Curitiba, cuja 21ª edição chega o fim neste domingo (8). Cerca de 180 mil pessoas assistiram aos quase 400 espetáculos espalhados em 75 espaços da cidade.

Orçado em R$ 6 milhões, dos quais R$ 4,5 milhões foram captados por meio da Lei Rouanet, o evento levou 2.000 artistas de todo país à capital paranaense, o que faz dele o maior festival de teatro do Brasil e um dos maiores do mundo.

Diretor do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz, revelou que gerou 1.200 postos de trabalho durante seus 13 dias de teatro, sendo 400 diretos e 800 indiretos. Além disso, durante todo ano, cerca de dez pessoas trabalham de forma fixa no festival. Equipe esta que já acorda nesta segunda (9) com a cabeça em 2013.

– O evento traz renda e grife a Curitiba. Durante o festival, é quase impossível achar vaga em hotel da cidade. E os voos para cá também ficam lotados.

Sobre a coincidência de sete espetáculos ganhadores do Prêmio Shell integrarem a Mostra Principal, o diretor e criador do evento afirmou que isso demonstra “que o Festival de Curitiba está em sintonia com o que acontece no teatro brasileiro” e ainda brincou, para os maldosos, que “não houve nenhum conluio”.

Leia a cobertura completa do R7 do Festival de Curitiba

Diretor do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz já está com a cabeça em 2013 - Foto: Ana Cris Willerding/Clix

O barulho da taxa

Sobre a polêmica da cobrança da taxa de serviço de R$ 3 acrescidos à meia-entrada nesta edição, Knopfholz afirmou que não entendeu por que “houve tanto barulho” e que esta “é uma prática comum no mercado de ingressos”.

– Este é o terceiro ano que mantivemos o valor do ingresso da Mostra Principal em R$ 50. Mas tudo aumentou. Esta taxa foi para cobrir os custos não-artísticos do processo. É bom lembrar que, como damos meia-entrada a diversas categorias, apenas 10% do público do festival paga a inteira.

O diretor enfatizou que “o Festival de Curitiba deu espaço no Fringe, a mostra paralela, a 240 apresentações de 65 peças sem cobrança de entrada, porque custo teve, só que o público não pagou essa conta”.

Para diretores e companhias que reclamam por aí de terem ficado de fora da Mostra Principal – e todas as benesses que isso significa, como passagem, alimentação e hospedagem, coisa que a turma que se apresenta no Fringe não tem –, Knopfholz manda um recado.

– Fala para eles que sempre tem o ano que vem.

A polêmica dos “sem ingresso”

A grande polêmica da 21ª edição do Festival de Curitiba aconteceu em um impasse ocorrido em uma das apresentações da peça Luis Antonio – Gabriela, frenesi do teatro alternativo paulistano que participou da Mostra Principal. A direção do evento não permitiu a entrada gratuita de representantes do Movimento dos Sem Ingresso, que ficaram na porta do teatro na tentativa de assistir sem pagar.

Tal atitude gerou um manifesto apoiado pela Cia. Mugunzá, responsável por Luis Antonio – Gabriela. Débora Santos, integrante do barulhento Movimento dos Sem Ingresso, disse ao blog que os estudantes de teatro “ficaram indignados” por terem sido barrados.

– O pessoal da peça iria deixar a gente entrar e o povo do Sesc da Esquina também. Mas a ordem foi do Leandro [diretor do festival] não deixar a gente entrar.

Procurado pelo blog, Leandro Knopfholz confirma a proibição e diz que tomou tal atitude por “princípio ideológico”.

– Preciso respeitar quem deu valor à obra e comprou o ingresso. Sou contra fazer pressão na porta par entrar. Não é assim que funciona. Ninguém vai ao supermercado ou ao restaurante exigir comida de graça. Por que poderia fazer isso em um teatro? É falta de respeito com quem pagou.

Knopfholz afirma que jamais fechou o canal de diálogo com a turma do Movimento dos Sem Ingressos e que está aberto a recebê-los e até a trabalhar com os estudantes no futuro.

– Podem me procurar, porque trabalho não falta no festival. Ainda mais para gente que diz gostar de teatro.

Polêmicas à parte, quando questionado qual será a novidade para o próximo ano, Knopfholz mostra preferir o trabalho de formiga ao de cigarra.

– A novidade é fazer de novo. Atingimos uma maturidade de estrutura e de organização que nos coloca entre os cinco eventos culturais mais longevos e importantes do Brasil. E isso é fruto de muito trabalho constante e ininterrupto.

Que venha, então, o 22º Festival de Curitiba.

O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Curitiba

Público invade o Largo da Ordem para ver peça grátis do Festival de Curitiba - Foto: Emi Hoshi/Clix

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8 Resultados

  1. jefferson Araujo Moraes disse:

    O Sr Leandro esquece que o supermercado e a lanchonete não recebe subsídios públicos por mecanismos de renúncia fiscal como: Rouanet, Mecenato, etc.
    A cidade merece sim o Festival, mas merece respeito todos os participantes, pagantes direitos, que adquiriram ingresso na bilheteria e pagantes indiretos, nós, os contribuintes e classe artística curitibana que é deixada a mercê pelo festival, além das companhias que vem ao Fringe, totalmente desamparadas pelo pomposo e desrespeitoso festival.

  2. Silvana disse:

    o festival é a cara da nossa curitiba. eu gosto muito do festival e sempre vou a muitas peças. acho que o evento está de parabéns e ele só leva o nome de curitiba a todo brasil!

  3. Tibério disse:

    Achoque o festival de curitiba é um evento lindo. eu apoio total!

  4. Euclênio disse:

    eu sou fa de teatro e moro no piauí, onde nao tenho muito acesso a teatro infelizmente. meu sonho é ir no festival de curitiba e sempre acompanho o evento por meio da internet e gostei muito da cobertura que o r7 fez. parabéns!!!!

  5. Isac disse:

    acho que esse povo do movimento sem ingresso gosta mesmo é de aparecer. o leandro está certo em nao dar espaco pra essa gente!

  6. isac schmidt disse:

    o leandro está certo. esse povo do movimento sem ingresso só quer aparecer. por que nao vao assistir às pecas grátis???

  7. observador disse:

    Parabéns, Miguel.
    Conheci o seu trabalho, através da Fabíola Reipert.
    Agora, vou vir aqui, de vez em quando.
    Suas notícias são relevantes, no meio de tanta
    inutilidade.
    Abs,
    O.

  1. abril 10, 2012

    […] 21 edições realizadas, a última delas encerrada no último domingo (8), fazem do Festival de Curitiba um dos mais longevos e bem sucedidos eventos […]

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