Com o pai à espreita, Bruno Fagundes quer construir sua própria história no teatro

O jovem ator Bruno Fagundes (de branco), em uma de suas primeiras atuações no teatro, em 2007, no Centro Cultural São Paulo, ao lado do colega Rodrigo Pasquali - Foto: Silvana Garzaro

Por Miguel Arcanjo Prado

A primeira vez que vi Bruno Fagundes foi no teatro, em 2007, quando ainda era um mineiro recém chegado a São Paulo.

Ele estava em cartaz com a peça A Lua sobre o Tapete, no porão do Centro Cultural São Paulo, sob direção de Olayr Coan.

No dia em que vi a obra, estava acompanhado da amiga e grande fotógrafa Silvana Garzaro, que cedeu o delicado registro que ilustra esta reportagem. Foi ela quem me contou que o garoto, batalhando ali no teatro, era gente boa e filho de Antonio Fagundes e Mara Carvalho.

Na encenação, Bruno morria no fim, nos braços do ator Rodrigo Pascoali, em uma cena carregada de poesia.

Depois desse encontro, cada um seguiu seu rumo. Eu no jornalismo, Bruno no teatro. Até que nos reencontramos outra vez dias atrás, em um café em frente ao Teatro GEO, onde está em cartaz ao lado do pai com o espetáculo Vermelho.

Bruno me conta que, neste meio tempo, estudou e se formou em relações públicas na Faap, foi produtor executivo do pai e cursou, no ano passado, a Oficina de Atores da Globo, época em que morou pela primeira vez com Antonio, no Rio. Mas já está de volta à casa da mãe, na capital paulista.

A proximidade paterna rendeu fruto artístico. O espetáculo é resultado da coincidência de uma busca em comum de pai e filho por um encontro no palco. Sem saber, os dois foram apresentados, por pessoas diferentes, ao mesmo texto de John Logan sobre o artista plástico Mark Rothko.

Bruno sempre gostou de arte. Estudou piano na infância e, na adolescência, viu que o teatro seria mesmo seu rumo. A faculdade foi uma espécie de “plano B”, mas que deu a ele “uma visão mais global de produção teatral, de como funcionam realmente as coisas, de marketing mesmo”.

Quando produziu a peça anterior do pai, aprendeu a lidar com o público na bilheteria, já que Antonio Fagundes não deixa quem chega atrasado entrar. E nem devolve o dinheiro. Bruno ouviu poucas e boas de quem nem imaginava estar falando com o filho do ator.

Bruno sabe que a comparação é mesmo inevitável. Mas conta que fez o dever de casa e que o pai não é condescendente com ele. Define Antonio Fagundes como “um ator muito dedicado” e curte a troca no palco, onde “um depende do outro na mesma medida”.

– A relação é intensa. Meu pai é um parceiro generoso. É sempre muito emocionante atuar com ele. Sempre que termina a peça, a gente se abraça e se beija.

Para quem pensa que ele está chegando agora ao mercado, por conta da repercussão por estar ao lado do pai, ele diz que “tudo bem, ninguém tem a obrigação de me acompanhar, mas quem tiver interessado vai pesquisar e ver que eu já fiz algumas coisas por aí”.

– Tenho me preparado para este momento a vida inteira. Meus pais sempre foram expostos e sei como é isso. No Rio, tem aquela coisa louca do paparazzo. Em São Paulo, é mais tranquilo. Os fotógrafos me conhecem desde pequeno, sei os nomes de todos. Não estou fazendo teatro com meu pai para ser famoso, para aparecer. É um trabalho artístico, fruto do que acreditamos.

Antonio Fagundes elogia o filho e diz que é prazeroso o encontro de gerações.

– É muito fácil trabalhar com o Bruno, pelo excelente profissional que ele é. Mas não tem essa história de passar o bastão, porque ainda tenho força para segurar o bastão por muito tempo [risos]. Prefiro dizer, agora, que estamos dividindo o bastão.

Mesmo sob companhia do pai na corrida artística, Bruno sabe que cada um precisa trilhar seu próprio caminho e ter ciência de que as coisas “acontecem no seu tempo certo”.

– Estou construindo a minha história. Não sei ainda o que me aguarda.

Leia a crítica da peça Vermelho

Antonio Fagundes contracena com o filho Bruno Fagundes em Vermelho - Foto: João Caldas

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3 Resultados

  1. maria de lourdes disse:

    Ok

  1. Abril 12, 2012

    […] Com o pai à espreita, Bruno Fagundes quer construir sua própria história no teatro […]

  2. Abril 24, 2012

    […] 59 anos, ganhou homenagem no espetáculo Vermelho, protagonizado por Antonio Fagundes e seu filho, Bruno, em São […]

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