Os Monólogos da Vagina fazem rir e refletir

O novo trio dos Monólogos da Vagina: risadas e pensamento - Foto: Marco Máximo


O mundo feminino é uma gruta praticamente inexpugnável. Pois a autora Eve Ensler resolveu assumir a missão de adentrar este mundo da melhor forma: entrevistando 200 mulheres de diferentes cultura. O tema? A relação delas com sua sexualidade.

O resultado é a popular tragicomédia Os Monólogos da Vagina, de volta a São Paulo no tradicional Teatro Brigadeiro.

Miguel Falabella é responsável pela versão original em português, que diverte e faz refletir a plateia há 12 anos, desde que o incansável produtor Cássio Reis resolveu trazê-la a Brasil.

Reis é o responsável pela nova montagem, sob direção de Imara Reis, na qual o trio da obra é assumido pelas atrizes Adriana Lessa, Chris Couto e Fafy Siqueira. Elas desfilam à plateia depoimentos que vão desde temas mais leves, como a primeira menstruação, a assuntos espinhosos, como a mutilação genital praticada na África.

A direção imprime tempo cômico à encenação. A plateia ri boa parte da obra. Contudo, a inserção abrupta das cenas de carga dramática mais densa, propostas pelo texto, demonstram dificuldade em integrar tais momentos ao geral da proposta cênica, deixando-a em evidência.

Fafy Siqueira se aproveita da farta experiência de humorista para conquistar a plateia, com quem se comunica de forma direta e cúmplice muitas vezes, fazendo a alegria do espectador, sem deixar de ser mais um componente do trio.

Chris Couto é quem mais se destaca, demonstrando um trabalho de atriz intenso, segurando com tanto as cenas solares quanto as mais escuras. É impressionante ver a mesma atriz que há pouco tempo fez uma inglesa em conflito em Casa Cabul arrancar gargalhadas verdadeiras da plateia.

Já Adriana Lessa aparece em desvantagem diante das colegas. O longo tempo fora dos palcos (ela estava havia seis anos sem atuar) é perceptível. Fica distante das parceiras de cena, sobretudo quando interpreta uma idosa que não consegue atingir verdade cênica.

Trabalhando com o simples, o comedido cenário de Anderson Bueno poderia explorar melhor o recurso do telão ao fundo para ambientar as cenas – isso ocorre poucas vezes. Os figurinos de Olintho Malaquias acertam ao situar para o público a faixa etária e cultural das personagens que vão surgindo.

Impressiona perceber que 63 anos após o lançamento do livro O Segundo Sexo por Simone de Beauvoir, marco do pensamento feminista, ainda seja necessária uma obra teatral que discuta a relação da mulher com seu corpo. Tal temática poderia soar ultrapassada em 2012, mas, pelo retorno da plateia, percebe-se que o assunto ainda dá o que falar, rir e refletir.

Os Monólogos da Vagina
Avaliação:
bom
Quando: sexta e sábado, às 21h; domingo, às 19h. Até 1º/7/2012
Onde: Teatro Brigadeiro (av. Brigadeiro Luís Antônio, 884, Bela Vista, São Paulo, tel. 0/xx/11 3107-5774)
Quanto: R$ 50 (sexta e domingo) e R$ 60 (sábado)
Classificação: 12 anos

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2 Resultados

  1. Edneia disse:

    O diego disse que shayene era leve e tras e ele fez o mesmo ,só falava pelas costaas oque ele acha sobre isso ?

  1. Maio 18, 2012

    […] em São Paulo, que o produtor Cássio Reis não teve alternativa senão prorrogar a comédia Os Monólogos da Vagina até 26 de agosto. Coisa […]

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