A Morte de Um Ator, do boliviano Antonio Peredo, arrebata público paulistano com angústia e verdade

Antonio Peredo Gonzales em seu espetáculo solo A Morte de Um Ator - Foto: Natalia Peña

Por Miguel Arcanjo Prado

Assim que entra no espaço, o público já se depara com Antonio Peredo Gonzales no centro do palco. Logo, ele coloca o nariz vermelho de palhaço e gira o relógio para que marque a exata uma hora que dura o espetáculo. Hora que vai condensar toda a vida de um ator.

Assim começa A Morte de Um Ator, monólogo intimista que o artista boliviano de La Paz apresentou no último dia 11, em São Paulo, na SP Escola de Teatro, onde faz intercâmbio até o próximo dia 1º (leia a entrevista que o R7 fez com o artista).

Com um tempo preciso, o palhaço de Peredo não precisa de tradutor. Mesmo falando castelhano, é compreendido por todos, porque é universal em sua construção — ele também assina dramaturgia e direção.

O personagem faz bromas com assunto sério e, muitas vezes, angustiante: o tortuoso caminho por onde anda a vida de um ator. Estão lá a incerteza da profissão, a dificuldade de subir ao palco e encarar o público, a convivência com o mundo das celebridades hoje tão em voga e que se confunde, muitas vezes, com o ofício real do artista.

Se poderia parecer um tema mais próximo aos artistas do que ao público comum, como tem sido constante em muitos espetáculos apresentados em São Paulo com tal temática, a obra de Peredo comunica com qualquer pessoa – os que costumam estar sobre o palco ou sentados em frente a ele. E isso acontece, sobretudo, por ele falar de sentimentos caros ao homem, sejam da Bolívia ou do Brasil. E mais, o faz com entrega visceral.

Ao destrinchar a história única de seu caminho como ator, sempre detrás do nariz de palhaço, Peredo vai fundo em suas emoções. Tem presença cênica vibrante. Carismático, faz o público comprar sua história. Ele se amiga com cada espectador.

Com recursos cenográficos e de iluminação diminutos, o artista segura com o olhar sua plateia. Chama para si a atenção, deixando nula a possibilidade de distração, coisa comum a monólogos. A história que conta é boa, tem alma. É viva.

Tal vivacidade é percebida com a capacidade de improviso do ator. Sem medo, se aproxima de seu público e reage aos estímulos recebidos. Bons ou não. Tem um tempo próprio que impressiona. Isso faz de cada sessão única, como se fosse uma metáfora do próprio teatro.

Ao fim, quando o palhaço se vai de forma abrupta e vemos, outra vez, Peredo de cara lavada, é que percebemos, assombrados, o tamanho do talento deste ator boliviano.

A Morte de Um Ator, com Antonio Peredo Gonzales
Avaliação: Muito bom

Antonio Peredo interage com a plateia paulistana - Foto: Helio Dusk/SP Escola de Teatro

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2 Resultados

  1. ivanna disse:

    Bom quero te parabenizar Miguel pelo artigo do meu patricio, e tb parabenizar a Ele pelo trabalho dele, eu sempre leio e te acompanho mas nunca comentei, eu acompanho vc sempre um abraço e SUCESSO para ti e SUCESSO para o boliviano.

  2. gabrieljh disse:

    a morte chega para todo mundo

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