Ficção ou realidade? Roger Gobeth apresenta ciranda “meta-teatral” em Répétition

Roger Gobeth, Tatianna Trinxet e Alexandre Varella no palco. Foto: Antonio Garcia

Por Nina Ramos, do R7, no Rio

Répétition é o tipo de texto no qual a margem entre ficção e vida real é mínima. A montagem que entrou em cartaz no último dia 18, no Rio de Janeiro, traz Roger Gobeth na pele de um diretor teatral que tem a missão de ensaiar a própria mulher, o melhor amigo e viver com eles, em cena, um triângulo amoroso.

Salada mista? Seria se não fosse os questionamentos e dúvidas que surgem na mente dos três durante o processo do ensaio para o tal espetáculo que irão apresentar. O Atores & Bastidores conversou com Roger, e ele detalhou um pouco mais a ciranda apresentada no palco.

— A peça é um ensaio de uma peça. Os três atores, Dinho, Laura e Luis, dão vida a três personagens, Fernando, Silvia e Marcelo, que vivem um triângulo amoroso na ficção. Algumas questões vão se refletindo na vida real e a história se desenvolve e acaba com um final surpreendente.

Dinho/Fernando é o papel de Roger. Com ele, estão Alexandre Varella e Tatianna Trinxet. O responsável por orquestrar o trio e dar vida ao texto de Flávio de Souza foi ninguém menos que Walter Lima Jr.

— A generosidade e a delicadeza com que o Walter Lima Jr conduziu nossa investigação do texto demonstram a grandeza e a experiência de um cara que, mesmo ocupando a cadeira do diretor, se preocupa em estabelecer uma parceria com todo o grupo envolvido a fim de enobrecer o processo criativo, tornando o produto final naquilo que ele acredita ser o porquê de estarmos ali e que de fato é: um teatro vivo.

A brincadeira meta-teatral encaminha o público para a dúvida: o que é ficção e o que é realidade? Flavio de Souza conduz muito bem a questão, com comicidade, e faz o espetador sair do lugar comum.

— Flavio de Souza não foge da confusão que a metalinguagem traz. Ele vai a encontro a ela e toma partido disso na estrutura de seu texto. Com isso, ele tira do público o olhar passivo sobre o espetáculo e o insere como elemento da obra quando exige dele o raciocínio constante para diferenciar aquilo que é real da montagem que está sendo feita dentro da peça.

Além de Répétition, Roger está diariamente gravando cenas de Danilo para a novela Balacobaco (Record). A agenda apertada exige força de vontade (e muita paixão pela profissão) para dar conta de tudo.

— O processo é exaustivo. Durante dois meses ensaiei no Cosme Velho diariamente das 9h às 15h quando não gravava, e quando gravava ensaiava até 11h. Saia correndo de lá e uma hora e meia depois estava chegando no Recnov para gravar. Agora com a peça em cartaz é a hora da correria inversa pra se chegar ao teatro pra apresentação da peça… Mas tudo vale a pena se a alma não é pequena, não é mesmo?

Roger finalizou o bate-papo com um desabafo digno de um ator apaixonado. Para ele, não interessa a correria, os aborrecimentos do dia a dia e as complicações da vida. Estar no palco “zera” Roger. Para ele, “estar no palco é estar a beira de um abismo. É estar vivo”.

Répétition
Temporada: de 18 de janeiro até 17 de fevereiro
Onde: Espaço Sesc / Sala Multiuso – Copacabana
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160
Horário: Sextas e sábados às 20h, e domingos às 18h
Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia), R$ 5 para associados
Classificação: 14 anos

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