Crítica: Forte e seco como soco, espetáculo Cru sufoca espectador com violência e tormento

Chico Sant’Anna, Sérgio Sartório e Vinícius Ferreira atuam em Cru, da Cia Plágio de Teatro, em cartaz no Teatro Ivo 60, em SP – Foto: Michele Saraiva/Sesc Rondônia

Por Miguel Arcanjo Prado

A diminuta sala do teatro Ivo 60, no centro paulistano, reforça a proposta do espetáculo Cru, da Cia. Plágio de Teatro, de Brasília.

O ambiente deixa o público em uma proximidade absurda e desconcertante com o intrigante trio de personagens da peça escrita por Alexandre Ribondi: Zé, Cunha e Frutinha.

Zé é um forasteiro que vai até um açougue de beira de estrada para contratar os serviços de Cunha, um matador de aluguel sem escrúpulos que vive com o travesti Frutinha, espécie de mãe postiça do bandido.

A direção, assinada por Ribondi e Sérgio Sartório (que também interpreta Cunha) faz sua grande aposta na força do trabalho do elenco e, sobretudo, na química que os três têm em cena.

Leia a entrevista com a Cia. Plágio de Teatro sobre a peça Cru

O texto coeso e perspicaz de Ribondi surge natural na boca dos atores. Em poucos instantes, o espectador é envolvido por aquele encontro cheio de mistério e medo e, logo, percebe estar no lugar de um voyeur, que vê tudo sem ser percebido pelos protagonistas da história.

Os figurinos de Cyntia Carla, bem como o cenário simples e a luz dura e imóvel assinados por Sartório, interferem o mínimo possível, deixando o espectador vidrado no desenrolar daquele encontro.

 O trio de atores mostra uma cumplicidade rara. Cada um respeita o tempo do outro e, mesmo quando se atropelam com falas truncadas, o fazem para reforçar o clima tenso que a obra pede. Afinal, a violência, sempre, começa na fala.

Chico Sant’Anna, como o forasteiro misterioso Zé, demonstra maturidade em sua atuação, começando com o mínimo e deixando que o tempo faça seu personagem crescer. O mesmo caminho é trilhado por Vinícius Ferreira, que faz da travesti Frutinha um homem cheio de testosterona e sede de sangue, com suas facas e giletes, fazendo dessa dicotomia entre imagem feminina e ação masculina o seu grande trunfo.

O vértice do enredo mora no personagem de Sartório, o matador de aluguel Cunha. Com evidente trabalho de pesquisa de corpo e de voz, o ator consegue representar com toda força a bestialidade, que convive, a duras penas, com certa dose de humanidade. E é por isso que seu personagem é tão interessante.

Em conjunto, o trio se enfrenta e se encoraja, se analisa e se afasta, levando a tensão provocada pela violência ao seu ápice.

Diante de tamanha força, o espetador, assim como qualquer vítima de qualquer tipo de violência, só torce para que tudo acabe logo, não importa se para o bem ou para o mal. O desejo é apenas que termine, porque a vioência, nua e crua, é algo insuportável. E criar esta sensação é o grande mérito de Cru, um espetáculo tão necessário.

Cru
Avaliação: Ótimo
Quando: Terça a sábado, às 21h; e domingo, às 19h. 55 min. Até 14/3/2013
Onde: Teatro Ivo 60 (r. Teodoro Baima, 78, Metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 9642-8350)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 16 anos

Leia a entrevista com a Cia. Plágio de Teatro sobre a peça Cru

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1 Resultado

  1. Hadassa disse:

    Eu gosto muito de peça assim mais simplista e que o texto da obra seja bom que leve ao público a reflexão. Outra coisa também eu prefiro vê peças de atores desconhecidos por dois motivos:

    1) Pra mim os melhores atores a maioria estão fazendo sempre “TEATRO” eles podem até fazer participação na tv(novelas, séries, seriados) mais no meu vê o ator e atriz vocacionado ele AMA A SUA CASA QUE É O TEATRO ELE NÃO VIVE SEM O PALCO DE MADEIRA rsrsrsrs.

    2)Pra mim é mais interessante prestigiar quem tá começando que ainda desconhecido pelo público da tv ainda não virou celebridade e famoso não me pergunte porque? kkkkkkkkkkk

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