Justiça cancela peça Edifício London, inspirada no Caso Isabella Nardoni; Satyros prometem recorrer

 

Cena do espetáculo Edifício London, fotografado com exclusividade por Bob Sousa

Por Miguel Arcanjo Prado

A Justiça proibiu, por meio de uma liminar, a estreia do espetáculo Edifício London em São Paulo, que ocorreria neste sábado (2), à meia-noite, no Espaço dos Satyros 1, na praça Roosevelt. A informação foi divulgada pelo próprio grupo teatral, na noite desta sexta (1°), em seu site oficial e nas redes sociais.

A peça, escrita pelo dramaturgo Lucas Arantes, de Ribeirão Preto (SP), e dirigida por Fabrício Castro, foi inspirada no Caso Isabella Nardoni, como antecipou o R7 em dezembro de 2012 com exclusividade. Tanto que seu nome é uma clara referência ao prédio onde o crime ocorreu.

A ação foi movida pelos advogados da mãe da menina Isabella, Ana Carolina Oliveira, que acusou a obra de promover “uma verdadeira aberração”. Segundo Ana, ela seria retratada na obra como “uma mulher despreocupada com a prole e envolvida com a vulgaridade”. Procurados pela reportagem, integrantes do grupo disseram que Ana Carolina Oliveira não chegou a assistir a peça para fazer tais considerações.

A Cia de Teatro Os Satyros soltou comunicado oficial em seu site, na noite desta sexta-feira (1°), para informar que “em respeito a decisão proferida pelo Excelentíssimo Senhor Desembargador Dr. Fortes Barbosa, da 6a. Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, a estreia da peça teatral Edifício London, escrita pelo talentoso dramaturgo Lucas Arantes e que teve como ponto de partida e inspiração as peças teatrais Macbeth, de William Shakespeare, Medeia, de Eurípedes, e o caso policial brasileiro que abalou o país e ficou conhecido como Caso Isabella, foi cancelada”.

No comunicado, o grupo liderado pelos artistas Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez ainda diz que “serão adotadas todas as medidas necessárias fazer valer o que prescreve o inciso IX, do artigo 5o. da Constituição Federal brasileira, que diz, de forma clara e precisa, que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Caso o grupo descumpra a ordem judicial e o espetáculo seja apresentado, a multa estipulada é de R$ 10 mil. Após a notícia, vários artistas ligados ao teatro se manifestaram na internet e acusaram a decisão de “volta da censura”.

Em fevereiro, o Atores & Bastidores do R7 entreveisou os protagonistas da obra, os atores Davi Tostes e Samira Lochter. Na época, eles faziam os últimos ensaios e revelaram que tratariam o tema com respeito. A reportagem ainda trouxe imagens inéditas da obra, feitas pelo fotógrafo Bob Sousa. Durante a entrevista, tanto Samira quanto Davi disseram que estavam “apreensivos” com a estreia.

Também em entrevista ao R7, em dezembro de 2012, o dramaturgo Lucas Arantes afirmou que fez o espetáculo para “discutir o papel da arte como crônica de seu tempo”. O texto da peça Edifício London virou livro pela Editora Coruja.

Toda esta polêmica acontece no mês em que a morte da menina completará cinco anos. Na noite do dia 28 de março de 2008, Isabella Nardoni, de cinco anos, morreu após ser atirada pela janela do sexto andar do Edifício London, na zona norte paulistana. O pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, foram condenados por homicídio doloso triplamente qualificado e estão presos (veja cobertura completa do R7 sobre o caso).

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8 Resultados

  1. Felipe disse:

    Entendo como legítima a ação da mãe da menor. Concordo com o direito de expressão; entretanto, o “marketing” da peça começou fortemente agressivo com aquele cartaz de extremo mau gosto. Particularmente, achei até desrespeitoso e ofensivo à memória daquela criança aquele cartaz (minha opinião). Totalmente desnecessário. Poderiam ter feito um ótimo cartaz, porém de outra maneira.

  2. Maria disse:

    Tantas coisas acontecendo no mundo e fazer uma peça de teatro abordando um assunto ainda tão recente e que trouxe tanto sofrimento é de extremo mal gosto. Ana carolina ainda chora pela filha. Falta de Respeito!!!!!!!!

  3. gladis disse:

    Infelizmente a justiça tem interferir num caso destes. O certo seria autores nem pensar nisto, atores e funcionários negarem o serviço, teatro, recusar alugar e principalmente o POVO NÃO ASSISTIR, é uma vergonha querer ganhar com a desgraça de um povo. FIQUEM ATENTOS JUSTIÇA DE SANTA MARIA, quem sabe não teremos aí também gente sem capacidade intelectual de fazer algo, se achando no direito de abusar do sofrimento alheio.

  4. Carla disse:

    Como mãe, mulher e cidadã acho de PÉSSIMO tom fazer uma peça com esse assunto. Acredito que o autor deva ter capacidade de refletir e criar uma estória que realmente faria a população sair de suas casas para assistir, algo que causa bem estar á todos.

  5. Felipe disse:

    Sou um ferrenho defensor da liberdade de expressão, porém tenho de concordar com boa parte do que disseram Carla, Gladis e Maria. Por uma questão de humanidade, tento-me colocar no lugar da mãe da criança falecida e sei que seria uma dor lancinante. Essa mulher já sofreu demais! Sem falar que repito que achei o cartaz pavoroso, considerando o fato atrelado a ele.

  6. Zette disse:

    Sempre quando ocorre alguma proibição na classe teatral, artística e jornalística a velha e mofada bandeira da censura é retirada da gaveta para ser usada de maneira equivocada, nem sempre não permitir que algo seja divulgado indica uma questão política ou de uso do poder arbitrariamente em detrimento da democracia, neste caso o veto da apresentação desta peça defende inclusive o direito da família vitimada. Infelizmente ainda não vivemos em uma sociedade anarquista, nota-se por qual motivo. Anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceita, anarquia significa ausência de coerção e não a ausência de ordem. A maioria das pessoas tem a noção equivocada de que anarquia é sinônimo de caos. Imaginar que todos entendem o motivo pelos quais se deve ou não fazer algo sem a necessidade de controle externo se torna a cada dia uma utopia mais distante e o uso desta história em uma peça teatral sem a aprovação de parentes vivos é uma prova cabal disto.

  1. junho 10, 2013

    […] começo do ano, a peça Edifício London, do grupo teatral Os Satyros, foi proibida de estrear em São Paulo por conta de uma decisão […]

  2. junho 11, 2013

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