Entrevista de Quinta: André Torquato, o ator de 19 anos que chegou ao topo do teatro musical

Apesar da pouca idade, André Torquato já é estrela das superproduções – Foto: Amauri Nehn/AgNews

Por Miguel Arcanjo Prado

Parece inacreditável que alguém nascido em 17 de junho de 1993 já seja uma das grandes estrelas do teatro musical brasileiro. Mas é verdade. O nome em questão é o do brasiliense André Torquato, atualmente em cartaz como o Espantalho no musical O Mágico de Oz, no Teatro Alfa, em São Paulo.

Apesar de ter chegado tão cedo ao topo, o rapaz de 19 anos demonstra humildade e tem fala tranquila e centrada. Mora em São Paulo desde 2009, no bairro Vila Mariana, onde divide apartamento com o primo Rafael Villar, que é seu professor de canto.

No palco, costuma surpreender o público não só com a voz, mas também com uma postura corporal impecável.

André deixou a família em Brasília, há quatro anos, quando foi aprovado para viver uma das crianças do musical A Noviça Rebelde, dirigido pela tarimbada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, a mesma que agora o convidou para ser um dos protagonistas de O Mágico de Oz.

O convite veio após ele ganhar o respeito da crítica como a espevitada drag queen Felícia, do musical Priscilla, Rainha do Deserto, que encerrou temporada no fim de 2012 com casa lotada.

Ouvinte de jazz e fã do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, André Torquato conversou com o Atores & Bastidores do R7 com exclusividade. Falou sobre sucesso, juventude e futuro.

Leia com toda a calma do mundo:

André Torquato nasceu em Brasília (DF) – Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – André, você se destacou em Priscilla, e agora nem fez teste para O Mágico de Oz, foi convidado. Você chegou muito cedo aonde muito ator quer chegar. Como você se segura para não ficar se achando demais?
André Torquato – Em toda profissão, não só a de ator, você nunca chega ao topo. Tem sempre de estudar, buscar novas técnicas e ter pé no chão para sempre ter em mente que precisa aprender. Ninguém é melhor do que ninguém. Cada um tem seu próprio mérito por suas conquistas. Eu cheguei a um lugar legal, mas sempre tem onde chegar mais e aprender mais.

Miguel Arcanjo Prado – O que vc vai fazer depois deste espetáculo?
André Torquato – Vou para Nova York passar seis meses estudando. Como comecei muito cedo, ainda não tive tempo de parar para estudar. Vou para lá estudar teatro.

Miguel Arcanjo Prado – Isso mesmo, porque você está em uma idade na qual todo mundo está começando a faculdade…
André Torquato – É isso mesmo. Por isso, quero estudar para crescer como pessoa também.

O começo nos musicais: André Torquato (acima, à esq.) em A Noviça Rebelde – Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Eu me lembro de você começando, em A Noviça Rebelde. O fato de ter iniciado muito jovem lhe ajudou a perder o medo e também não se deslumbrar com a profissão?
André Torquato – Eu me lembro que eu era muito deslumbrado no começo. Porque era muito novo mesmo, como você falou.  Tinha 14, 15 anos. Depois que comecei a trabalhar mais, o deslumbre caiu, porque comecei a fazer parte daquilo. Foi bom eu ter começado com personagem menor em Noviça, depois fiz Gipsy e As Bruxas de Eastwick… Aí veio Priscilla e esse boom. E, agora, o Espantalho. Mas você nunca está acomodado, porque o teatro musical é uma arte que se renova muito. Sempre aparecem pessoas novas e muito boas.

Grande momento em 2012: André Torquato canta sobre o ônibus de Priscilla, Rainha do Deserto – Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Priscilla foi um grande momento. Como segurou a peteca de ver todo mundo aos seus pés? Deu vontade de que aquilo durasse para sempre?
André Torquato – Tem de ter um trabalho psicológico para desapegar do personagem. No final é difícil, principalmente Priscilla, que foi especial em todos os aspectos. Mudou a vida de todo mundo que fez. Espero que de quem assistiu também. Priscilla mudou a forma que eu encarava o papel de artista. Depois de Bruxas, eu me senti um pouco de funcionário público. O Priscilla me resgatou essa coisa de ser um artista. De contar uma história que transforme as pessoas. Meu papel é esse! Plantar uma semente por meio da arte, sem levantar bandeira ou fazer protesto. Foi muito difícil dizer adeus [para a personagem Felícia]. Porque estávamos com a expectativa de ir para o Rio e estava lotando até o final. Mas, por questões de patrocínio e produção, acabou. Mas o desapego faz parte da nossa função como ator.

Miguel Arcanjo Prado – Mas você deu sorte de terminar um e receber convite para outro, o que é coisa rara…
André Torquato – Fui convidado, graças a Deus. Porque teste é um horror. Eu detesto teste. É terrível. Sempre fico muito nervoso.

Miguel Arcanjo Prado – Como é fazer o Espantalho?
André Torquato – É diferente de tudo que eu já fiz. É desafiador. A Felícia [personagem em Priscilla] era mais fácil, porque tinha essa coisa explosiva. E eu tenho muito isso, essa coisa à flor da pele, tenho 19 anos, não tem como, né? [risos] Já o espantalho tem essa coisa de articulação frouxa… Então, tenho de me preparar mais antes do Espantalho do que para a Felícia.

Miguel Arcanjo Prado – O teatro musical valoriza muito o corpo. E você tem 19 anos. O que vai fazer quando não for tão novinho e bonitinho? Você tem medo de envelhecer?
André Torquato – Acho que não. Quando o ator envelhece, ganha mais vivência. A idade vai me dar sentimentos que eu ainda nunca vivi, porque tenho 19 anos. Então, o tempo vai me dar mais recursos para criar bons personagens. Por isso não tenho medo de envelhecer. Sei que é fato que o teatro musical exige muito fisicamente do ator. Eu quero curtir essa fase agora, enquanto posso. Mais para frente, penso fazer teatro convencional, TV e cinema. Enquanto isso não chega, quero sugar tudo que puder do teatro musical.

André Torquato (à dir.) posa com o elenco do musical O Mágico de Oz, em cartaz em São Paulo – Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – Você pensa em fazer alguma faculdade?
André Torquato – Sim. Eu tenho um pouco a veia de produção no meu sangue. Meu pai é muito empreendedor, minha irmã também, minha mãe adora produção… Estava na dúvida se fazia faculdade ou não. Acho que, quando voltar de Nova York, vou entrar numa faculdade de produção cultural.

Miguel Arcanjo Prado – Você vai virar um Claudio Botelho do futuro?
André Torquato – [risos] Olha, o Claudio é muito talentoso, é compositor, produtor, diretor… Aí eu já não sei. Depende de onde o curso vai me levar… Eu não achava nunca que seria o Espantalho e cá estou eu [risos].

Miguel Arcanjo Prado – Você quer chegar aonde?
André Torquato – Quero poder continuar transformando as pessoas, no palco, na minha função de artista. É isso que mais amo fazer. Quero fazer isso para o resto da minha vida, não importa que seja no musical, no teatro convencional, no cinema ou na produção.

Papel sem fazer teste: André Torquato foi convidado para viver Espantalho de O Mágico de Oz – Divulgação

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1 Resultado

  1. Felipe disse:

    Novíssimo, mas talento é talento e independe de idade!

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