Polícia desiste de proibir atores de fazer peça e eles não tiram a roupa no Festival de Curitiba

 

Nesta quarta (3) os policiais foram embora, mas na terça (2) eles interromperam a sessão da peça Hasard no Festival de Curitiba (foto) – Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado*
Enviado especial do R7 ao Festival de Curitiba

Após interromper a sessão da peça de rua Hasard, do Erro Grupo, de Florianópolis (SC), no Festival de Curitiba, nesta terça-feira (2), a Polícia Militar do Paraná desistiu da repressão aos atores nesta quarta-feira (3).

O grupo realizou a última apresentação do espetáculo na rua XV de Novembro, no centro curitibano, mesmo local onde havia acontecido o enfrentamento desta terça.

Apesar de permanecer de plantão no começo da peça com duas viaturas, os policiais resolveram deixar os atores seguirem a apresentação. Sem nenhuma explicação, momentos antes da polêmica cena final, onde os atores podem ficar ou não nus, os policiais resolveram ir embora.

A reportagem exclusiva do R7 sobre a ação desta terça repercutiu e a apresentação desta quarta teve ampla cobertura da imprensa.

Justo no dia em que os policiais foram embora, os atores não ficaram nus. É que a peça obedece a um jogo de cartas, onde há quatro finais possíveis. A chance de o fim com a nudez acontecer é uma entre quatro. E as cartas desta quarta determinaram um final no qual os atores apenas correm pelas ruas.

O diretor do grupo, Pedro Bennaton, falou que o grupo jamais manipularia o final só porque a mídia se interessou pelo trabalho deles, a partir da repercussão da matéria exclusiva do R7.

– Seria manipular o nosso próprio jogo, como o “sistema” faz. O espetáculo questiona justamente isso. Queremos ser peças de um jogo ou jogadores? Aqui em Curitiba, conseguimos de uma certa forma mudar as regras com nosso trabalho artístico.

Sobre o fato de a polícia ter ido embora, o diretor foi enfático.

– Talvez a polícia tenha algum departamento de inteligência e tenha visto que há problemas maiores na cidade. A atuação deles ontem foi patética. Tomara que a decisão tenha sido a de um ator que sabe que atua mal e resolve sair de cena.

Bennaton ainda falou que o apoio do público foi fundamental para que o grupo realizasse seu trabalho. Nesta terça, quando a polícia parou a peça, o público protestou com veemência. E o protesto seguiu durante todo o dia de hoje na internet.

O grupo apresenta outro espetáculo às 11h desta quinta (4) no largo da Ordem, centro curitibano.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

Veja a cobertura completa do R7 do Festival de Curitiba

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3 Resultados

  1. Felipe disse:

    Sou ABSOLUTAMENTE a favor da liberdade de expressão, entretanto creio que há limites para tudo na vida. A rua é espaço público, no qual transitam pessoas, de diversos credos e idades, inclusive crianças. É desrespeitoso, agressivo e deselegante querer forçar as pessoas a ver a nudez dos atores, pois as pessoas são LIVRES para irem e virem sem serem incomodadas. Vivemos numa sociedade e toda sociedade tem regras. Se o grupo se apresentasse num teatro, com cartaz indicando a faixa etária do público, não haveria qualquer problema: estaria vendo nudez quem quisesse. Mas a partir do momento em que o grupo pratica nudez em rua, isso é atentatório à liberdade e ao decoro das demais pessoas. Mesmo a liberdade de expressão tem limite, pois ela NÃO PODE afrontar o direito alheio. E é direito alheio o trafegar livremente sem ser importunado com a nudez alheia. Então, sou absolutamente contra a peça em locais PÚBLICOS (em caixa alta, pois nada contra ser em locais privados, já que, quem quiser ver, que veja; isso é opção de quem assim o desejar). E digo mais: se eu estivesse passando com um filho meu e desse de cara com pessoas sem roupas iria imediatamente à delegacia registrar boletim de ocorrência. Entendo a liberdade artística do grupo, pois há peças e filmes com nudez, ENTRETANTO, quando se vai ver um filme ou peça com cena de nudez, há o aviso de faixa etária e são exibidos em locais fechados. Exibição de nudez em público não, definitivamente NÃO. Se fosse em local fechado, daria total razão ao grupo e diria que, quem foi, aceitou ver o final qualquer que fosse, mas, para mim, é agressivo expor de forma pública nudez sendo que pessoas podem passar desavisadas e serem surpresadas com isso. Não tenho nada contra a nudez e nem contra o grupo (que por sinal não conheço), entendo o trabalho deles, mas concordo com o uso de força policial: nudez em locais públicos, NÃO!

  2. Arthur Virmond de Lacerda Neto disse:

    No Brasil, a nudez em público não é proibida. O crime de atentado ao pudor varia com os tempoos, na sua interpretação e no seu alcance. Não vejo nenhum inconveniente em representações deste tipo e fez muito mal a polícia em interferir. Os costumes são, cada vez mais, de liberdade e de menos caretice. Ainda bem! Vide arthurlacerda.wordpress.com .

  3. Arthur Virmond de Lacerda Neto disse:

    Demais, a nudez é inocente. Em si, nenhum mal intrínseco ela traz; ninguém é obrigado a reparar quer em nus, quer em vestidos. Quem não gosta, não olhe ou desvie. Assim como alguns repugnam-se da nudez, outros são-lhe indiferentes e outros apreciariam assistir à peça, com os nus na rua. Por que a nudez incomoda tanto certas pessoas? Que valores elas introjetaram? Valores de repressão, de vergonha, de que no corpo há partes indecentes – isto faz sentido? Não, a nudez não é problemática para quem não a encara como tal; ela o é para quem adota valores cuja legitimidade importa examinar. Examinar, aqui, é averigüar, sem preconceitos, sem emoções, sem inculcamentos religiosos, qual é o mal na nudez, em que ela ameaça ou traz perigo para alguém, se o corpo é parcialmente indecente, ou se tudo isto é uma mentalidade artificial e absolutamente preconceituosa. Viva e deixe viver. Repugna-se da nudez, vista-se.

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