Crítica: Anã voadora brilha em Corteo, espetáculo humano e menos pirotécnico do Cirque du Soleil

Público se enternece com artista anã içada por balões – Foto: Sean Gallup/Getty Images

Miguel Arcanjo Prado, do R7

Uma anã que voa içada por balões é responsável pela cena de maior impacto do espetáculo Corteo, do Cirque du Soleil, em cartaz no parque Villa-Lobos, em São Paulo. Sob direção de Daniele Finzi Pasca, esta é a quinta visita da trupe ao País.

Em um circo repleto de artistas que fazem proezas de cair o queixo de qualquer um utilizando o próprio corpo, é tocante que a cena mais forte venha de uma simples e enternecedora imagem.

Mas isso condiz com a proposta deste espetáculo, que tem roteiro baseado em um funeral de um palhaço.

Apesar do risco que é ter um tema tão down para um espetáculo circense, o Soleil mostra por que é o mais importante e aclamado circo do mundo: consegue envolver a plateia na atmosfera densa, sem contudo deixar de entreter cada espectador.

E o faz com toda simplicidade possível – mesmo que fruto do alto nível de profissionalismo já conhecido da trupe, com uso de tecnologia de ponta.  Mesmo assim, isso tudo não tira o foco do mais importante: o artista que está no palco, seu sorriso, seu olhar.

O intervalo de 30 minutos é longo demais, mas serve para os artistas descansarem um pouco e para que o público consuma os produtos da lojinha do Cirque du Soleil, estrategicamente a postos no saguão.

Número de saltos mortais nas gigantes camas elásticas agradam a plateia – Foto: Sean Gallup/Getty Images

Além da anã voadora, outro charme do espetáculo é a tentativa de alguns artistas falarem português, que se mescla ao italiano e ao inglês em grande parte do espetáculo. A plateia adora o sotaque gringo.

O palco de 360 graus faz com que todos tenham excelente visão de tudo que acontece nos 19 números exibidos. O cenário enche os olhos, como os lustres que servem de apoio para as quatro contorcionistas aéreas.

Mesmo com os efeitos, o Cirque du Soleil deixa claro que, nesta obra, preferiu investir no carisma de seus artistas.

Em muitos momentos, o espectador tem a impressão de estar naqueles circos mambembes do passado. E, conseguir tal ar é uma verdadeira proeza em se tratando do circo que possui os mais caros ingressos. E é também o grande acerto, já que nossos olhos estão fartos de tanta pirotecnia e necessitados de uma maior dose de humanidade.


Corteo – Cirque du Soleil
Avaliação: Muito Bom
Quando: Terça a quinta, 21h; sexta e sábado, 17h; domingo, 16h e 20h. 150 min. Até 21/7/2013
Onde: Parque Villa-Lobos (av. Professor Fonseca Rodrigues, 2001, Alto de Pinheiros, São Paulo, tel. 0/xx/11 3023-0316 e 4004-5588)
Quanto: R$ 190 a R$ 440 (quem paga mais R$ 190 pode ir ao Tapis Rouge, tenda com bufê de comida e bebidas e banheiros exclusivos)
Classificação etária: 12 anos (menores que esta idade devem estar acompanhados pelos pais ou responsáveis)

Leia a coluna Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

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2 Resultados

  1. Felipe disse:

    Aplausos ao Cirque du Soleil por ter conseguido dar oportunidade à anã. Já que se trata do “Circo do Sol” pela tradução, nada melhor do que mostrar que “o sol nasce para todos”, como já cantou Renato Russo.

  1. agosto 24, 2013

    […] o diretor ítalo-suíço Daniele Finzi Pasca conduz a montagem. No Brasil, ele também assinou Corteo, do Cirque du […]

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