Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Paulinho Faria vive um homem que tenta se matar em espetáculo da Cia. Contraponto – Foto: Mateus Lima

Por Miguel Arcanjo Prado

Bala de revólver 1
Um homem à beira de se matar. O público que entrar no Espaço Contraponto, na Vila Madalena, a partir desta sexta (3), vai se deparar com tal cena tensa na peça O Homem com a Bala na Mão, escrita por Paulinho Faria, que também interpreta o monólogo. “Estava sentado um dia, pensando que reclamava muito da vida. Então, comecei a pensar no que se passava na cabeça de uma pessoa que decide acabar com a própria vida. Acho que essa peça fala da apatia do ser humano”, diz o ator à coluna.

Bala de revólver 2
Paulinho conta que seu personagem está permeando vários sentimentos. “No começo, é estranho e misterioso. Ao passar da peça, o silêncio começa a tomar conta do lugar”. Este é seu terceiro espetáculo como dramaturgo. Aos 35 anos, o paulista de Limeira mora em São Paulo há 13. Faz teatro desde os seis anos.

Bala de revólver 3
Paulinho Faria já passou pelas mãos de nomes importantes do teatro contemporânio, como Antunes Filho e Mário Bortolotto. Desta vez, é dirigido por Elisa Fingermann, diretora que volta ao País após estudar teatro em Buenos Aires e Londres. “Trabalhamos com a pesquisa do ator sugestivo, na qual usamos como base as artes marciais junto ao teatro físico, o que dá um resultado minimalista”.

Bala de revólver 4
O Homem com a Bala na Mão é apresentada sempre às sextas, às 21h30; e aos sábados, às 21h, até o fim de maio. O ingresso é R$ 20. Mas quem for de bicicleta paga R$ 15. O endereço é rua Medeiros de Albuquerque, 55, na Vila Madalena, em São Paulo. Serviço dado.

Gutto Thomaz tem 19 anos e largou a escola para se dedicar ao ilusionismo – Divulgação

Jovem mágico 1
Gutto Thomaz tem apenas 19 anos, mas já é um dos mais destacados ilusionistas do Brasil. Ele é uma das atrações do Circos, o Festival Internacional Sesc de Circos. Vai se apresentar neste domingo (5), no ginásio do Sesc Santana. E na quarta (8) e quinta (9), na praça do Sesc Itaquera. Sempre às 14h.

Jovem mágico 2
O adolescente paulistano se interessou por mágica há apenas quatro anos. O interesse foi tanto que largou a escola só para se dedicar a preparar seus truques. “Logo, comecei a fazer shows infantis e participar de congressos de ilusionismo em vários países”, conta à coluna.

Jovem mágico 3
Gutto Thomaz já esteve na Inglaterra, Argentina, Chile, México e Guatemala. Ele diz que não gosta de ser chamado de mágico. Acha muito reducionista. Diz que sua arte é bem mais que isso, é uma mistura “de mágica, clown, teatro e outras artes”.

Inspiração
O livro Rútilo Nada, que deu o Prêmio Jabuti de literatura a Hilda Hilst há 20 anos, é a inspiração do espetáculo de dança homônimo que estreia dia 8 na Sala Paschoal Carlos Magno no Teatro Sérgio Cardoso. A direção é de Daniel Fagundes. A obra conta o amor entre dois homens, interpretados pelos bailarinos Wellington Duarte e Donizeti Mazonas. Tema atualíssimo.

Exemplo
A atriz Camila Pintanga foi flagrada andando de metrô em Sampa nesta semana. Como qualquer mortal. A foto é do atento jornalista Matheus Tolotti, que compartilhou o transporte público com a musa e mandou o registro para o blog em primeiríssima mão. Camila fará um espetáculo na cidade em breve ao lado de Aury Porto, da mundana companhia. Os paulistanos, sempre apressados, foram educadíssimos com a atriz.

Com projetos teatrais na cidade, Camila Pitanga anda no metrô paulistano – Foto: Matheus Tolotti

Exemplo 2
Débora Falabella também anda livre pela cidade. No feriado do Dia do Trabalhador, levou sua filha para brincar no Sesc Pompeia, na zona oeste paulistana. Educadíssimos, os frequentadores do local agiram como se Débora fosse apenas mais uma por lá. Exemplo de civilidade.

Milhas satyrianas
O grupo paulistano Os Satyros estão com prestígio em alta lá fora. Segundo contou o diretor Rodolfo García Vázquez, em junho, a trupe leva A Filosofia da Alcova para Los Angeles, com co-produção do Theater Asylum. Já no ano que vem, voltam a Estocolmo, onde estiveram neste ano com Cabaret Stravaganza. Esses meninos da Roosevelt são fogo!

Desejo de Ivam
Falando neles, Ivam Cabral revelou nesta semana que tem um novo sonho: construir um hospital na praça Roosevelt.

Tá podendo
Lee Taylor já recebeu mais de 250 inscrições para a oficina de teatro que vai dar no NAC, o Centro da Cultura Judaica. Ao fim, a turma fará um espetáculo dirigido por Eric Lenate, como Lee contou ao blog.

Muso no palco
Joaquim Lino, belo ator que causou congestionamento no blog por conta de seu perfil, assinado por este colunista, e ensaio fotográfico clicado por Eduardo Enomoto, volta aos palcos dia 8, em  ¡Salta!, no Tusp. Ficam por lá até o dia 30, quarta e quinta, às 21h. A direção é de Verônica Veloso, com o Coletivo de Teatro Dodecafônico.

Prorrogou
A peça Divórcio prorrogou temporada no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, até 30 de junho.

 

Renata Calmon: cabelo novo

Look novo
A atriz Renata Calmon cortou e tirou o ruivo do cabelo que usava na a peça Universos. Ela deixou a montagem do Núcleo Experimental para integrar novo projeto do diretor Eric Lenate. Foi substituída por Bruna Thedy, que agora fará par com Thiago Ledier. Leia a crítica da peça.

Tilelê
É hoje a volta do espetáculo Barafonda, da Cia. São Jorge de Variedades. Às 15h, na praça Marechal Deodoro, em São Paulo. A atriz Bárbara Bonnie estará, linda, à frente do cortejo.

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10 Resultados

  1. Natália Zapff disse:

    Super recomendo a peça ” O homem com a bala na mão”. Direção e interpretação muito boas! Não deixem de assistir.

  2. Felipe disse:

    Ilusionismo é muito interessante. Parabéns a Gutto Thomaz!

  3. Paula da Selva disse:

    O Homem com uma bala na mão é o tipo de peça que nos inspira a pensar um bocado, não somente sobre a própria vida mas também na qualidade nas nossas relações. Relações essas que muitas vezes estão exaustivamente “conectadas” numa camada pouco profunda , sem muitos sentimentos e ou grandes demonstrações de sofrimento diante da própria existência.
    A indignação e insatisfação que tanto inspirou manifestações artísticas dentre outras mudanças, hoje é rapidamente resolvida com uma medicação mágica e em capsulas. Encapsulamos nossos sentimentos e não suportamos a própria tristeza muito menos a alheia.
    Essa sensação pra mim ficou nítida na cumplicidade pacífica com que assistimos o desenrolar das cenas a nossa frente, paralisados, como o fazemos “naturalmente” no desenrolar do cotidiano nos grandes centros urbanos. Seguimos com a desculpa que não temos tempo para nós, que dirá para os outros, seguimos calados, robóticos e apáticos.
    Bom , pra mim, vale muito a pena conferir a peça , e quem sabe se permitir uma certa catarse , uma revisão na maneira em que estamos sendo condicionados a administrar nossas relações com as pessoas. O tema da peça , no meu ver, foi mais um pano de fundo para discutir outros tipos de mortes que assombram a vida social , coletiva, principalmente nos grandes centros.
    O texto é brilhante, e o personagem nos encaminha quase que ingenuamente a dignas reflexões. Eu, mais do que recomendo, insisto, vale a pena conferir!
    Paula da Selva

  4. João Larangeira disse:

    Incrível, ontem assisti O homem com a Bala na Mão e fiquei impressionado com a profundidade da peça. Adorei fazer parte deste monólogo!

  5. Fabiano Lopes disse:

    Assisti e gostei muito da peça O homem com a Bala na Mão. Vale muito a pena. A dica foi boa! Abs

  6. Elizabete disse:

    Peça maravilhosa,inteligênte e muito especial!!!Ator perfeito!!!ótimo programa e mais que recomendado!!!Amei e não percam!!!

  7. Natália Pena disse:

    Assisti e recomendo ” O homem com a bala na mão”!!! Não deixem de prestigiar!!!

  8. Marcos Amaral disse:

    Muito Legal esse site parabens!!Vi a peça O Homem Com a Bala Na Mão espetacular!!Simples e ao mesmo tempo Incrivel!!abraçosss

  9. Olivia disse:

    “O homem com a bala na mão” é uma peça que, a meu ver, questiona e põe em xeque a posição convencional do espectador à vários níveis. Primeiramente, é a sua posição física, numa platéia que é negada ao detrimento de uma integração e incorporação do espectador. Se este normalmente se encontra em um espaço neutro claramente delimitado e separado do palco onde a intriga traditionalmente se desenrola, na peça em questão ele é parte integrante da cena. Não é o ator que “entra em cena” mas o público que chega progressivamente na casa do personagem, que o acolhe com café e bolo no início da peça, dissolvendo ainda mais a separação estabelecida entre palco e platéia. A permeabilidade dessa fronteira também é sustentada pelo texto que, apesar de ser um monólogo, dirige-se de forma muito clara e direta a um público, com perguntas que o aproximam quase de um diálogo. Mas esse diálogo muitas vezes fica sem resposta. Será que o personagem, perturbado e com vários saltos de humor durante a peça, realmente está em presença de um público? Ou será que nós, o publico, somos o fruto da sua imaginação schizofrenica? Várias interpretações são possíveis. Mas o que se pode affirmar é que, enquanto espectador, saímos incomodados de não encontrar a nossa posição voyeurista habitual, mas ao contrário, presenciando de forma passiva um suicídio.

    Por levantar muitas questões e por ser um exemplo emblemático da pesquisa sobre o ator sugestivo da Cia Contraponto, recomendo a peça que vale muito a pena! Não percam!

  1. maio 24, 2013

    […] debaixo do Minhocão Como a coluna já informou, Camila Pitanga agora é figurinha fácil na linha vermelha do Metrô de SP. A linda atriz sempre […]

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