Henrique Mello, o ator com identidade consciente

Aos 30 anos, o ator Henrique Mello faz teatro há mais de uma década – Foto: Eduardo Enomoto

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Eduardo Enomoto

Quando está livre, o ator Henrique Mello procura, incansavelmente, músicas novas. Gosta de estar à frente. Geralmente, escuta aquilo que todo mundo vai ouvir bem depois. Não curte o que todos ouvem. “É o tipo de música que só serve para trepar”.

O segundo dos três filhos de Ivaldo e Aparecida nasceu em Sorocaba, no interior de São Paulo. Durante a infância e a adolescência, tinha sonho de ser músico. Mas não foi assim.

Aos 17 anos, o teatro surgiu de forma inesperada. A caminho do trabalho, em uma copiadora, encontrou jogado na calçada um texto teatral. Levou para a casa e começou a brincar de decorá-lo. O prazer era tanto que descobriu uma possibilidade: atuar.

Correu para as aulas do Instituto Cultural Vila Leão, onde estudou teatro por quatro anos. Até que veio a grande mudança. Um amigo lhe falou da oficina de teatro do grupo Os Satyros, na praça Roosevelt, em São Paulo.

Entrou num ônibus rumo à metrópole. Um mês depois, recebeu convite para a reconhecida trupe de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

Sem lugar para ficar na cidade, terminou no porão da casa do amigo Heitor Saraiva. Depois, se virou, como todo mundo que chega a São Paulo com um sonho de vida.

Na época, namorava com a atriz Samira Lochter, também integrante da companhia, com quem foi dividir apartamento. O amor durou cinco anos. Mas, se a relação acabou, ficou a amizade. Diz que se cuidam.

No teatro frenético e urbano dos Satyros, fez de tudo. Uma montagem atrás da outra. 120 Dias de Sodoma, Justine, Filosofia da Alcova, Vestido de Noiva, Cabaret Stravaganza, Inferno na Paisagem Belga, peça que acaba de deixar. Teve contato com um mundo repleto de diversidade. Diz que isso foi essencial na construção de sua carreira.

Nascido em 11 de julho de 1982, é do signo de câncer com ascendente em touro. Fez 30 anos. Idade fatídica. Se deu conta disso no último Réveillon. Não se arrepende das “porralouquices” dos 20 e poucos e tantos anos, mas afirma: “Meus ídolos não morreram de overdose”.

Sabe que a época é de tomada de consciência. Chega à conclusão de que o corpo pede outras coisas. Envelhecer, não parece ser um problema. “Gosto de ficar mais responsável. Hoje, não me importo tanto com o que os outros pensam”.

No começo do ano, foi para Estocolmo, com a peça Cabaret Stravaganza. Ficou impressionado em como os suecos valorizam o teatro. Sonha com que um dia seja assim também no Brasil.

Apesar de ser um dos musos automáticos da praça Roosevelt, onde faz sucesso nas mesas e bares, diz que não se acha bonito. “Sou muito inseguro com minha aparência”. Conta que seus personagens nunca foram galãs, que já fez “até um libertino que matava a mãe e transava com homens”.

Revela que está solteiro, mas que “até o fim da vida” encontra “a pessoa ideal”. “Gostaria muito de amar”, conclui, com ar melancólico.

Espera, no futuro, fazer muito teatro. E quer trabalhar com cinema, e, se pintar, faz TV também. “Quero tocar meus projetos de forma digna, seguir os passos de um artista independente que consegue sobreviver de sua arte”.

Quando vê o que já fez na última década, diz, certeiro: “Não tenho nada para me arrepender”. E aponta para o futuro: “Já tenho uma identidade; agora, só preciso focar”.

O ator Henrique Mello: ““Já tenho uma identidade; agora, só preciso focar” – Foto: Eduardo Enomoto

Agradecimento: Centro da Cultura Judaica de São Paulo

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1 Resultado

  1. Felipe disse:

    Canceriano com Ascendente em Touro, com certeza Henrique Mello deve ser uma pessoa que valoriza bastante o relacionamento amoroso. E se ele disse que está solteiro, é para a mulherada acordar para a vida, que ele tem uma combinação astrológica capaz de produzir alguém com grande capacidade afetiva. No mais, muita boa sorte ao ator!

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