José Dias faz de Teatros do Rio um livro definitivo

O autor de Teatros do Rio, José Dias (à esq.), e o presidente da Funarte, Antonio Grassi: obra de 744 páginas faz levantamento de 300 teatros do Estado do Rio do século 18 ao fim do século 20 – Foto: Celmi Yassuda/Funarte

Por Miguel Arcanjo Prado

A memória do teatro brasileiro, arte tão efêmera, é sempre maltratada e quase nunca se sabe, quase nada se tem. Pois é um alento ver iniciativas como a do recente livro A Crítica de João Apolinário, com um registro importante de um período de efervescência do teatro paulistano, e, agora, o livro de José Dias, carioca doutor em artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Ele acaba de lançar Teatros do Rio, com apoio da Funarte e do Ministério da Cultura.

A obra é uma investigação profunda de três centenas de salas de espetáculos do Rio de Janeiro, desde o século 18 até o fim do século 20. É claro que, diante de tal trabalho árduo, o prefácio tinha de ser assinado por ninguém menos do que Bárbara Heliodora, um dos maiores nomes da crítica teatral brasileira e principal crítica do Rio. “Em um País com pouca memória, e de menos memória ainda a respeito das artes, este levantamento e comentário a respeito dos teatros do Rio é uma contribuição preciosa não só para o teatro como também para todos os interessados em nossa vida cultural”, diz dona Bárbara. Falou tudo.

No livro, é possível descobrir qual teatro carioca era muito frequentado pela corte – e ele existe até hoje. Ou ainda saber que em 1826 foi criado um teatrinho na rua dos Arcos, na Lapa. Ficava nos fundos de uma casa e foi inaugurado com o drama O Desertor Francês. Só durou oito anos a diminuta sala. Outras salas que entraram para a história do teatro nacional são abordadas em minúcias pelo autor.

Diante de sua experiência renomada como cenógrafo, José Dias apresenta plantas e projetos estruturais das salas cuja história ele conta. E, é claro, cita aqueles espetáculos que marcaram época nos palcos do Rio.

Plural, o livro não fica restrito apenas à capital; faz também referências a teatros de outras cidades do Rio e também aos mais importantes e antigos teatros brasileiros, como o Teatro Ouro Preto, em Minas, o primeiro do Brasil, e o Santa Isabel, no Recife, entre outros.

Ainda há farto registro fotográfico das salas apresentadas, fazendo sua consulta algo didático e leve. Não é um livro pesado, sisudo. Muito pelo contrário, é atrativo e absolutamente necessário. José Dias fez de seu Teatros do Rio um livro definitivo. Mais uma obra obrigatória na estante de quem ama o teatro e a cultura do Brasil.

Teatros do Rio
Avaliação: Ótimo
Autor: José Dias
Editora: Edição Funarte
Páginas: 744
Quanto: R$ 70

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1 Resultado

  1. Felipe disse:

    Não sabia que o Antônio Grassi era diretor da Funarte. Além de abordar a parte cultural, o blog também é informativo. Isso, sim, é trabalho de um bom jornalista.
    Quanto ao livro, que bom que estão documentando a história do teatro. Ao contrário dos filmes, que têm registro por natureza, teatro é obra viva. Em geral, não se filma uma encenação teatral e, com o tempo, a informação se perde. Daí porque é interessante catalogar o material produzido. Isso é gerar uma fonte de pesquisa sobre a história do teatro no Brasil. Louvável!

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