Vaias e gritos marcam abertura do FIT Rio Preto 2013

Vaias, gritos, apitos e sirenes na porta do teatro: protesto contra abertura do FIT 2013 em sessão fechada marcou começo do evento em São José do Rio Preto (SP) – Foto: Larissa Macena/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado
Enviado especial do R7 a São José do Rio Preto*

Um clima de tensão, com direito a bate-boca, pairou sobre a abertura da 13a edição do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, nesta quinta-feira (4). Um grupo de cerca de 100 artistas fez protesto em frente ao Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto. Todos usavam uma camisa preta, simbolizando o luto, onde se lia: “FIT 2013 – Eu não fui”.

Do lado de dentro, o público também protestou e vaiou quando os nomes de políticos da cidade foram citados, incluindo o do secretário municipal de Cultura de São José do Rio Preto, Alexandre Costa. As autoridades municipais ficaram nitidamente constrangidas. Apesar do grande número de gente do lado de fora, o R7 contou mais de 20 poltronas vazias.

Munidos de cartazes, apitos, megafones e muitos gritos de palavras de ordem, os artistas manifestantes atormentaram a vida dos convidados que foram ver a peça Discurso de un Hombre Decente, da Colômbia. A peça tem como ponto de partida discursos do narcotraficante colombiano Pablo Escobar, assassinado em 1993, para discutir a descriminalização das drogas. De dentro do teatro, se escutava o barulho do protesto. Quem enfrentava a fila para retirar o ingresso ou entrar no teatro, recebia barulho de apitos e sirenes no ouvido.

Um colunista social da cidade chegou a discutir com os manifestantes, dizendo que tal ato não estava respeitando seu direito de ir ver o espetáculo em paz. A situação ficou muito tensa.

“Faltou boa vontade”

Drica Santi, atriz e diretora executiva da Associart e atriz da Cia Fábrica de Sonhos, que apresenta o espetáculo Caipiras no FIT 2013, disse ao R7 que a ação foi um “repúdio à abertura do evento em um teatro fechado”.

– Antes, a abertura sempre ocorreu no Teatro da Represa, que tem capacidade para 6.000 pessoas. Era algo que envolvia toda a cidade. Agora, está num espaço com 424 lugares, dando possibilidade a poucos de participarem da abertura. Eu sei que o Teatro da Represa estava interditado, mas acredito que faltou boa vontade da Prefeitura de São José do Rio Preto e do FIT para encontrar um novo local ao ar livre. Porque espaço não falta na cidade.

Diretor reginal do Sesc SP, Danilo Santos de Miranda diz que o protesto fortalece a democracia – Foto: Divulgação

O diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, afirmou à reportagem que não se incomodava com o protesto. Muito pelo contrário.

– Acho normal e não vejo problema nenhum neste tipo de manifestação. Acho importante para a democracia que coisas deste tipo aconteçam. Sou absolutamente a favor.

Jorge Vermelho, que foi coordenador do FIT por muitos anos, atualmente fora da organização, afirmou ao R7 que os manifestantes “não tinham foco”. Questionado pela reportagem que o foco dos protestantes parecia claro – a exigência da abertura do festival ao ar livre –, ele declarou:

– De toda maneira, é legítimo reivindicar que a abertura possa abarcar o maior número possível de pessoas.

Apoio internacional

Atriz colombiana Agnes Brekke: “Estamos de acordo com que todos tenham acesso ao teatro” – Foto: Divulgação

A atriz colombiana Agnes Brekke, que apresentou a peça do lado de dentro com seu grupo, o Mapa Teatro, disse que os que estavam do lado de fora tinham seu apoio.

– Isso que aconteceu foi muito interessante, do meu ponto de vista. É muito importante que haja este tipo de posicionamento.

A atriz revelou que os artistas colombianos escutaram a manifestação do camarim, antes de entrar no palco. Mas falou que não sentiram incomodados.

– Estamos de acordo com que todos tenham acesso ao festival. Acho bonito isso de os brasileiros se manifestarem com suas exigências.

O tema deste ano é os limites entre realidade e ficção.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT Rio Preto 2013.

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3 Resultados

  1. Felipe disse:

    Eu sou totalmente contrário à descriminalização das drogas. Aqui não é Holanda e, mesmo se fosse, as drogas têm consequências várias quando de seu uso.

  1. julho 10, 2013

    […] abertura do FIT Rio Preto deste ano ficou marcada por um barulhento protesto de artistas locais. As autoridades da cidade foram […]

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