Classe teatral se reúne para debater e tentar se inserir na onda de mobilização popular brasileira

José Celso Martinez Corrêa (de vermelho) comandou encontro de artistas no Oficina – Foto: Jennifer Glass

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Jennifer Glass

Antes tarde do que nunca: artistas se unem no Oficina para entrar na onda de reivindicações – Foto: Jennifer Glass

Cerca de 500 artistas responderam à convocatória do diretor José Celso Martinez Corrêa e compareceram à sede do Teatro Oficina na noite desta segunda (8), na Bela Vista, em São Paulo, para a reunião chamada Cultura Atravessa.

O objetivo foi discutir o papel da classe teatral na atual conjuntura política do País, com autoridades em todas as esferas tendo de responder às pressas às reinvindicações da população nas ruas.

O encontro paulistano, com objetivo de representação nacional, surge em tempo defasado em relação ao começo das manifestações. Mas, como diz o ditado: antes tarde do que nunca.

Em outras capitais, como Belo Horizonte e Salvador, artistas tomaram a dianteira dos protestos desde o começo.

Em São Paulo, artistas participaram isoladamente das manifestações, como noticiou o R7, mas não havia, até então, uma tentativa de reunião da classe diante do tema.

Além do debate de questões políticas, houve manifestações artísticas e visuais no Oficina.

Cartaz: Zé Celso pede fim da PM – Foto: Jennifer Glass

“Fim da PM”

A atriz Yara Jamra levou cartolinas e canetinhas, para que todos escrevessem palavras de ordem.

Zé Celso pediu o fim da Polícia Militar em seu cartaz, que chamou de “herança dos tempos da ditadura”.

O coletivo carioca Reage Artista também participou da ação. Ney Piacentini, ex-presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, falou da necessidade de os artistas se juntarem ao povo.

O jornalista Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, criticou a demonização da imprensa como um todo, e defendeu o papel de alguns jornalistas na cobertura das manifestações, dizendo que foram bons repórteres que colocaram em pauta temas que foram paras as ruas.

A universitária Mayara Vivian representou o Movimento Passe Livre, que deflagrou o processo de mobilização popular em todo o País a partir de São Paulo.

Beijo gay de dez minutos

O coreógrafo Sandro Borelli levou dois bailarinos que fizeram performance na qual se beijavam na boca. O beijo gay, que durou cerca de dez minutos, foi dedicado à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, presidida por Marco Feliciano. 

João das Neves e Lauro César Muniz discursaram no palco do Teatro Oficina, em SP – Foto: Jennifer Glass

O diretor do grupo paulistano Os Satyros, Rodolfo García Vázquez, o novelista da Record Lauro César Muniz e o diretor mineiro João das Neves discursaram. A psicanalista Maria Rita Khel telefonou e deu depoimento no viva-voz. 

Entre as pautas abordadas estiveram a necessidade de artistas estarem presentes nos movimentos jovens e estudantis, que a periferia e seus artistas precisam ser inseridos no processo cultural, e ainda a necessidade de se reforçar a liberdade de criação e acabar com a figura dos captadores de recursos, que cobram porcentagem dos incentivos recebidos por artistas.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, já sinalizou que está aberta a realizar reunião com representes que possam surgir destes encontros artísticos. O secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, também mandou avisar que está aberto ao receber a classe.

Ao fim, Zé Celso colocou o Teatro Oficina à disposição para novos debates da classe artística.

Zé Celso vê casal de bailarinos dar beijo gay de dez minutos em coreografia-protesto contra a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados – Foto: Jennifer Glass

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1 Resultado

  1. julho 9, 2013

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