Crítica: Teatro Máquina faz Tchekhov melancólico e arrastado no FIT de São José do Rio Preto

Outonal: peça Ivanov foi defendida pelo grupo Teatro Máquina, do Ceará, no FIT Rio Preto – Foto: Jorge Etecheber

Por Miguel Arcanjo Prado
Enviado especial do R7 a São José do Rio Preto (SP)*

Um aristocrata afundado na melancolia de sua biblioteca, enquanto vê seu mundo desabar, é o tema da peça Ivanov, escrita por Anton Tchekhov e levada ao palco do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, o FIT Rio Preto 2013, pelo cearense Teatro Máquina.

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A obra tem direção de Fran Teixeira, que propõe uma encenação clean e melancólica. A falta de ar aparente é confrontada apenas pelo amor em demasiado que sentem por Ivanov suas duas mulheres: a esposa doente e a amante jovem e sonhadora.

Momento de frescor: Aline Silva contracena com Edivaldo Batista em Ivanov – Foto: Jorge Etecheber

No programa, o grupo diz que buscou “a não-representação para instigar o espectador”. Contudo, tal objetivo não fica tão claro. Mais do que instigado, o espectador acaba se afastando da história diante das longas pausas entre as palavras. As atuações soam pomposas e datadas. Típicas de um teatro aristocrático que já não existe mais.  

Falta viço em grande parte das performances. Assim, a obra muitas vezes se torna sonolenta. Boa parte da plateia cochilou na sessão vista pelo R7 no Sesc Rio Preto.

O personagem título é defendido por Edivaldo Batista. Apesar de presente e dedicado, o ator já começa a obra com o tom exacerbado de melancolia que seria bem mais apropriado para sua finalização. Não há nuances enquanto a obra passa por este.

Ivanov casou-se com uma mulher judia, de olho em uma possível herança, como forma de salvar sua propriedade da falência na Rússia pré-comunismo. O que não acontece, pois a mesma foi deserdada pela família e está gravemente doente, tornando-se um fardo para o marido.

Enquanto a esposa fica sob cuidados do médico Lvov (um Levy Mota que destoa do conjunto), Ivanov mantém um caso com a jovem Sasha. A personagem,  vivida por Aline Silva, é a que tem mais frescor em cena. A atriz consegue dar uma sacudida e acordada em tudo, mas o tom da obra é mesmo para baixo.

Completam o elenco Loreta Dialla, como Gavrila, e Márcio Medeiros, como Bórkin.

O destaque da montagem é o cenário de Frederico Teixeira, que precisou ser reconstruído às pressas em 24 horas em Rio Preto, porque o original se extraviou na viagem.

A cenografia é feita de gigantes portas que se abrem e fecham de forma poética, nunca estando no mesmo lugar. São alegorias da própria vida, cheia de possibilidades que, muitas vezes, podem não ser tão boas assim.

Cenário, com grandes portas de madeira, é o grande destaque da montagem de Fortaleza – Foto: Jorge Etecheber

Ivanov
Avaliação: Regular

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT Rio Preto 2013.

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1 Resultado

  1. Felipe disse:

    Tomara que o responsável pela ideia das portas seja premiado então! Quanto ao grupo, torço por seu sucesso. Será que eles não tiveram uma atuação pomposa justamente para dar um tom de época à peça? É uma possibilidade. Se for, acho então que eles acertaram.

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