Crítica: Com Wilson de Santos e Flávia Garrafa, Bette Davis e Eu mostra o preço de uma diva

Os atores Wilson de Santos e Flávia Garrafa mostram domínio da técnica do humor no espetáculo Bette Davis e Eu, no Teatro Santo Agostinho, em São Paulo – Foto: Silvana Garzaro; veja a galeria completa!

Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos de Silvana Garzaro

Bette Davis foi uma das maiores atrizes de todos os tempos. De atitude altiva, olhos marcantes – os Bette Davis Eyes da música de Kim Carnes -, e sempre com fina ironia e inteligência de sobra, ela tornou-se modelo invejado e copiado para muitas mulheres, sobretudo aquelas que começavam a se emancipar na virada da segunda metade do século 20.

Arrebatou fãs em todo o mundo durante a vida e mesmo depois de sua morte; afinal de contas, o bom cinema do qual ela é símbolo é uma arte atemporal.

Mesmo diante de tamanha importância, o tempo passa, e a memória destes tempos atrelados sempre ao presente fica muitas vezes pobre e escassa. Por isso, é um alento ver a montagem Bette Davis e Eu, no Teatro Santo Agostinho, em São Paulo. A peça reaviva a imagem desta grande atriz imortalizada pelos filmes de Hollywood e desperta na plateia o interesse pelos trabalhos memoráveis que ela fez.

Wilson de Santos realiza o sonho antigo de vivê-la no palco, e apresenta a personagem às novas gerações, acostumada com um cinema cheio de efeitos especiais que não chegam aos pés do talento genuíno de uma artista como Davis, atriz que não precisava de maneirismos para se impor e se destacar.

Na comédia, de ar leve, mas muito inteligente, Santos é Bette Davis em idade já avançada, durante uma visita surpresa que a atriz faz à escritora Elizabeth Fuller, pepel de Flávia Garrafa.

Silvana Garzaro registra transformação de Wilson de Santos em Bette Davis!

Leia entrevista com Wilson de Santos sobre a peça!

Santos e Garrafa dominam o humor. Isso fica evidente na obra, com atuações que evidenciam uma precisão técnica que os faz não avançar nem ficar aquém do que a obra propõe. O riso é leve, não escrachado – o que seria até mais fácil para os dois atores. Ambos estão contidos, respeitando a marcação da obra original. Resistem ao anseio por besteirol de grande parte da plateia nacional. O que fazem muito bem. Afinal, rir da sutileza pode ser um exercício mais prazeroso do que gargalhar desmioladamente.

Consciente disso, o diretor Alexandre Reinecke segurou os dois atores, de força humorística já conhecida em outras obras, fazendo o menos virar mais. Seguem a mesma linha o prático e sóbrio cenário de Theodoro Cochrane, a trilha sonora de Miguel Briamonte, que ressalta a já mencionada música Bette Davis Eyes, e os figurinos de Fábio Namatame, simples, elegantes e precisos.

Cenário, iluminação e figurino contribuem para o clima inteligente da obra – Foto: Silvana Garzaro; veja mais

A situação quase absurda do roteiro – baseado no fato real vivido pela autora da peça, Elizabeth Fuller: ter uma Bette Davis de repente vivendo em sua casa – já basta para criar situações que prendem a atenção do público e também o divertem.

Fã da lendária atriz, a escritora não consegue impor limite ao gênio forte de Davis, que, instalada em sua casa de supetão, passa a dominar tudo, demonstrando não pretender ir embora tão cedo. Carente de relações afetivas verdadeiras como muita gente por aí nos dias atuais, a atriz parece ter encontrado na simplicidade daquele lar a felicidade familiar que o sucesso lhe roubou.

Silvana Garzaro registra transformação de Wilson de Santos em Bette Davis!

Leia entrevista com Wilson de Santos sobre a peça!

Santos e Garrafa conseguem dosar com perspicácia o riso com essa profunda reflexão de pano de fundo em Bette Davis e Eu. Afinal, para ser uma diva, há que se pagar um preço muito caro. E Bette Davis sabia disso e pagou.

Wilson de Santos apresenta a atriz Bette Davis às novas gerações – Foto: Silvana Garzaro; veja mais imagens

Bette Davis e Eu
Avaliação: Muito bom
Quando:
Sábado, 22h, e domingo, 20h. 90 min. Até 08/09/2013
Onde: Teatro Santo Agostinho (rua Apeninos, 118, Metrô Vergueiro, São Paulo, tel. 0/xx/11 3029-4858)
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação etária: 12 anos

Silvana Garzaro registra transformação de Wilson de Santos em Bette Davis!

Leia entrevista com Wilson de Santos sobre a peça!

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1 Resultado

  1. Felipe disse:

    Alguns pagam o preço? Sim. Mas outros escolhem o mundo fantasioso (e pantanoso) dos famosos e já vão sabendo. Então, não sei por que alguns fazem alarde e dão chiliques alegando abalos emocionais por conta de invasão de privacidade. Não queriam ser famosos? Se não quer ser famoso, fiquem como anônimos então. Mas não reclamem!

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