Bienal Sesc de Dança faz Santos bailar por sete dias

Cena do espetáculo O Que o Corpo Não Lembra, do grupo belga Última Vez – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

A cidade acostumada à coreografia dos estivadores do maior porto do Brasil agora dança novos ritmos. Começou na noite desta quinta (5) a oitava edição da Bienal Sesc de Dança, que vai até o próximo dia 12 de setembro, em Santos, no litoral paulista.

O evento existe de 1998 e já é considerado um dos principais eventos da dança contemporânea mundial. Contando o Brasil, são cinco os países participantes. Quatro grupos de fora representam Bélgica, França, Chile e Uruguai.

As obras abordam perguntas que o homem contemporâneo se faz o tempo todo.

A seleção feita pela curadoria não foi fácil, afinal, 546 trabalhos de 445 grupos de 16 Estados e 15 países se inscreveram. Destes, foram selecionados 22 espetáculos, oito intervenções, uma instalação, uma videoinstalação e duas exposições.

Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo, afirma que o evento quer dialogar cada vez mais com a cidade que o sedia.

— Esta edição da Bienal retoma o impulso original ao explorar as possibilidades de conexão com a cidade de Santos. A ocupação inusitada dos ambientes urbanos abre espaço para uma reflexão sobre as manifestações da dança na contemporaneidade e sua forma de se colocar socialmente.

Santos, no litoral paulista, recebe turistas em busca de espetáculos de dança – Foto: Tadeu Nascimento

Paulistanos são bem-vindos

O evento pode ser uma boa desculpa para o público paulistano visitar o litoral em turismo cultural.

O Sesc vai disponibilizar transporte gratuito entre São Paulo e Santos, ida e volta, para quem comprar ingressos para os espetáculos.

O ônibus sairá sempre do Sesc Vila Mariana e os interessados no serviço precisam agendar o transporte pessoalmente ou pelo telefone 0/xx/11 5080-3100. A partir desta sexta (6) até o dia 12, o ônibus sai da rua Pelotas, 141, na Vila Mariana, sempre às 15h, rumo a Santos. E volta sempre após o último espetáculo do dia. Um guia de turismo acompanha os viajantes.

O público cego também terá acesso às obras, já que, pela primeira vez, haverá o serviço de áudio-descrição nos espetáculos, que serão realizados em 18 espaços santistas.

Gringos e brasileiros

São quatro grupos internacionais nesta edição: Ultima Vez, da Bélgica, dirigido pelo consagrado Wim Vandekeybus com o espetáculo O que o Corpo Não Lembra; Xavier Le Roy, da França, com A Sagração da Primavera; Javiera Peón-Veiga, do Chile, com a coreografia nosotres e a Companhia Periférico, do Uruguai, com o espetáculo Vazio.

Dudude Hermann faz A Projetista – Foto: Guto Muniz

Entre os brasileiros, destaque para a catarinense Grupo Cena 11 Cia. de Dança, que celebra 20 anos de existência. Ela apresentará três espetáculos, incluindo o inédito Sobre Expectativas e Promessas, solo de Alejandro Ahmed. Ainda estarão presentes o coreógrafo Marcelo Evelin, com De repente fica tudo preto de gente; a bailarina mineira Dudude, com A Projetista; e o diretor carioca João Saldanha, com a coreografia Aventura entre Pássaros.

As crianças também serão foco de alguns espetáculos, como Pequena Coleção de Todas as Coisas, estreia da Cia. Dani Lima nas coreografias infantis, Álbum das Figurinhas, da Balagandança Cia, Têtes à Têtes, da coreógrafa Maria Clara Villa Lobos, e Poemas Cinéticos, do Grupo Lagartixa na Janela.

Fotos da dança

O evento terá duas exposições fotográficas. A primeira é de Manuel Vason, italiano radicado em Londres que fotografou grupos na América do Sul, para a mostra Still_Móvil – Performance, Fotografia, Colaboração, fruto de uma parceria entre Vason e a Rede Sul-Americana de Dança, em cartaz no Sesc Santos durante a Bienal.

A Bienal ainda tem outra exposição, homenageando o bailarino e coreógrafo japonês Kazuo Ohno, chamada Dispositivo Móvel Ohno.

Bienal Sesc de Dança de Santos
Quando:
De 5 a 12 de setembro
Onde: Sesc Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136 – Aparecida, Santos, tel. 0/xx/13 3278.9800) e 17 outros espaços da cidade
Quanto: R$ 20,00; (inteira); R$ 10,00 (usuário matriculado no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 4,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes); Exceto para os espetáculos: O que o Corpo Não Lembra (Ultima vez), A Sagração da Primavera (Xavier Le Roy), que custam R$ 30,00; (inteira); R$ 15,00 (usuário matriculado no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 6,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes)
Informações e programação completa no site da Bienal Sesc de Dança

8ª Bienal Sesc de Dança: 22 espetáculos em 18 espaços santistas por sete dias; veja a programação completa

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2 Resultados

  1. Marcelo MOTA disse:

    Por que o Sesc Santos, permite que a plateia fotografe os espetáculos? Por que um fotografo credenciado pelo SescSantos apareceu mais que o grupo “What the body does not remember” ? Com tristeza presenciei ontem a abertura da Bienal Sesc de Dança em Santos. Desde o apagar das luzes, uma senhora na primeira fila, fotografou o espetáculo inteiro, lógico atrapalhando com o barulho e iluminação do visor. Não houve qualquer coibição/intervenção ao ato supostamente proibido. Para piorar, no meio do espetáculo, um fotografo usando uma camisa verde da Bienal Sesc de Dança, fica corredor, ajoelha e fica rente ao palco, fotografando, acreditando que os bailarinos estavam posando para ele, ele conseguiu aparecer mais do que a companhia de dança. Um fotografo profissional de espetáculo, sempre tem que estar vestido de preto, sentar na lateral e utilizar o zoom da máquina. (no mínimo), busquei saber o nome do profissional em questão, foi dito: “é um novo funcionário da comunicação do SESC SANTOS”. Não entendo, uma companhia de dança vir da Bélgica, abrir um evento desses e a direção do SESCSANTOS autorizar um AMADOR fotografar, atesto que só faltou ele subir ao palco.
    Minha reflexão é que ao SESC SANTOS interessa estar BEM NA FOTO, já que o SESC SANTOS é permissivo. E quem adquiriu ingresso e tem interesse no deleite do espetáculo, é negligenciado – Reitero: a máxima é estar BEM NA FOTO. As fotos podem ter ficado boas, mas a imagem já está queimada.

  2. Felipe disse:

    Sério o comentário anterior de Marcelo Mota.

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