Crítica: Eros Impuro é grito que abuso não sufoca

O ator Jones de Abreu, em cena da peça Eros Impuro, de Sérgio Maggio – Foto: Claudia Ferrari

Por Miguel Arcanjo Prado

O tema do abuso sexual é espinhento. Sobretudo quando a vítima é criança. Muita gente prefere nem falar. Fingir que não existe. Melhor deixar escondido debaixo do tapete da hipocrisia familiar e social.

Por isso, o espetáculo brasiliense Eros Impuro é corajoso ao tocar na questão por uma nuance nada óbvia ou vulgar. Faz isso por meio da arte como registro de um tormento no passado que nunca se calou.

Sérgio Maggio assina direção e dramaturgia. No palco do monólogo, está o ator Jones de Abreu, que faz um atormentado artista que resolve revelar seus traumas em telas pungentes.

Em um desabafo a um interlocutor imaginário, rememora fatos de sua vida enquanto descortina o que fere sua alma.

A sexualidade surge em conflito nos quadros que Abreu – que também é artista plástico – pinta ao vivo, no palco. Torsos masculinos bem torneados evidenciam uma libido sempre em riste, mas encoberta, maculada.

Jones de Abreu mostra vigor ao unir ator e artista plástico em cena – Foto: Sergio Martins

Abreu mostra vigor ao unir o artista plástico ao ator, chama para si o olhar da plateia, que presta atenção em tudo o que ele diz, ávida por novidades de alcova.

A peça é representa também a chegada da Criaturas Alaranjadas  Cia. de Teatro aos palcos paulistanos. Cuidam, diariamente, para que a cidade não os engula.

Maggio e Abreu cumprem temporada na metrópole, inaugurando a programação do novo Teatro Pequeno Ato, vizinho ao histórico Teatro de Arena. São beneficiados do Prêmio Myriam Muniz da Funarte de circulação nacional.

Militante de um mundo onde sexo seja belo e não sanha animalesca geradora de traumas, Eros Impuro é um grito de arte que responde ao ato ignóbil do abuso sexual que marca para todo o sempre. E o grito é bem alto, para ninguém fingir que não ouviu.

Leia entrevista exclusiva com Sérgio Maggio e Jones de Abreu!

Eros Impuro
Avaliação: Bom
Quando: quarta a sábado às 21h; domingos às 19h. Até 10/11/2013
Onde: Teatro Pequeno Ato (r. Teodoro Baima, 78, metrô República, São Paulo, telefone: 0/xx/11  9642 8350)
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada); atenção: às quartas-feiras a entrada é grátis
Classificação etária: 18 anos

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6 Resultados

  1. Felipe disse:

    Repito o que já expressei anteriormente: a questão do abuso sexual é séria e deve ser tratada com cautela. Primeiro, porque é um assunto extremamente delicado e doloroso para os sobreviventes; segundo, porque se deve ter em mente que ele pode ser veiculado não por apelo midiático (o que seria claramente doentio e sobretudo desrespeitoso), mas para informar que, lamentavelmente, isso existe e, assim, quem sabe impedir para que novos abusos não ocorram.

    • Miguel Arcanjo Prado disse:

      Felipe, é isso aí. O espetáculo toca no tema de uma maneira muito inteligente e forte ao mesmo tempo. Obrigado pela mensagem!

  2. Miguel, seus olhos nos deixam mais fortes para seguir esta estrada. Felipe, gostaria de convidar vc para assistir ao espetáculo. Ter a sua visão cautelosa após ver a sessão seria uma preciosidade. Se quiser ir, entre em contato no http://www.facebook.com/erosimpuro e deixa uma mensagem que reservo um par de convites para você. Obs

  3. Felipe disse:

    Sérgio, obrigado pelo convite! Entretanto, moro em outro Estado e não tenho disponibilidade de ir a São Paulo. Mas, se morasse aí, iria e depois teceria meus comentários, com absoluta certeza.

  1. novembro 8, 2013

    […] – Sé-SPAvaliação: Nossa Cidade – Vila Buarque-SPAvaliação: Eros Impuro – República-SPAvaliação: Vestido de Noiva – Barra Funda-SPAvaliação: Divórcio – Tatuapé-SPAvaliação: […]

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