Sem preconceito com o riso farto, Jorge Dória foi um dos grandes nomes de nossa comédia teatral

Jorge Dória (à esq.) com Carvalhinho em A Gaiola das Loucas, 1994, dirigida por Jorge Fernando – Foto: Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado

O carioca Jorge Pires Ferreira, o nosso ator Jorge Dória, que morreu nesta quarta (6), aos 92 anos, vítima de complicações renais e cardiorrespiratórias, deixa um verdadeiro rombo no teatro brasileiro.

Ator de comédia de raro talento, ele soube como poucos cavar a gargalhada genuína e inteligente em suas plateias.

Se seu rosto se tornou conhecido e admirado nacionalmente por conta do alcance da televisão, mas sua carreira deu importantes passos no palco do teatro brasileiro, onde foi o preferido de diretores como Domingos de Oliveira e João Bethencourt.

Tudo começou em 1940, quando entrou para a Companhia Eva Todor, na qual permaneceu por uma década girando o país ao lado da grande estrela, como conta a Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro.

Nos anos 1960, conseguiu a glória de ter um texto escrito por Vinícius de Moraes – em parceria com Pedro Bloch e Gláucio Gil – para interpretar no palco, Procura-se uma Rosa, cuja direção foi assumida por Léo Jusi.

Em 1973, outro marco: Dr. Fausto da Silva, de Paulo Pontes com direção de ninguém menos do que Flávio Rangel.

Peça polêmica em plena ditadura

A experiência farta lhe deu coragem para assumir nos anos 1970 a produção de suas peças, colocando na direção o parceiro João Bethencourt.

Cena de A Gaiola das Loucas na montagem de 1974, com Jorge Dória ao centro: homossexualidade retratada no palco em plena ditadura militar – Foto: Acervo Funarte

Assim, vieram Plaza Suíte em 1971, Chicaco 1930, no ano seguinte, Freud Explica, Explica, em 1973, A Gaiola das Loucas, em 1974 – um marco por tratar do tema da homossexualidade em plenos anos de chumbo da ditadura – , Sodoma, o Último a Sair Apague a Luz, de 1978, e O Senhor É Quem, de 1980.

Nos anos 1980, se aproxima do diretor Domingos de Oliveira, com quem vai trabalhar em Amor Vagabundo (ou Eternamente Nunca) em 1982, em Escolas de Mulheres, de 1984 – que lhe rendeu o Prêmio Mambembe de melhor ator –, em A Morte do Caixeiro Viajante, de 1986, e em Os Prazeres da Vida, de 1987.

Dória também foi dirigido por Wolf Maya nos palcos em 1983, em Belas Figuras, peça de Ziraldo. José Renato também foi outro diretor com quem trabalhou em 1988 na peça A Presidenta.

Suas peças mais recentes foram O Senhor É Quem, com texto e direção de João Bethencourt, em 1993, a remontagem de A Gaiola das Loucas com direção de Jorge Fernando, estrondoso sucesso em 1994; e a derradeira, em 1999, O Avarento, de Molière, com direção de João Bethencourt. É curioso observar que esta também foi a última peça feita por Paulo Autran.

De forte carisma cênico, Jorge Dória ficou conhecido por fazer os espetáculos adequarem-se a ele, que tinha total domínio da plateia e uma veia cômica natural e inesquecível. Para despeito da crítica, no palco fazia o que bem lhe entendesse. Porque tinha certeza que do seu ofício quem mais sabia era ele próprio.

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1 Resultado

  1. Felipe disse:

    Que descanse em paz!

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