Prêmio Shell de Teatro do Rio vira palco de protesto

Renata Sorrah entrega Prêmio Shell de melhor diretor a Aderbal Freire-Filho – Foto: Divulgação/Shell

Por Átila Moreno, no Rio*
Especial para o Atores & Bastidores

Diante das manifestações populares, que ocorreram em 2013 e seguem neste ano, o Prêmio Shell de Teatro do Rio também iniciou a noite de entrega, nesta terça (11), em tom de protesto. A cerimônia foi no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, zona sul carioca. Contudo, barricadas e confrontos violentos ficaram de lado na capital fluminense, pelo menos desta vez.

O grupo Reage Artista, indicado a uma das categorias do evento, subiu ao palco fantasiado com capas prateadas, carregando uma faixa com os dizeres “Lei de Incentivo à Cultura Rio Já”. Uma clara referência ao Movimento das Diretas Já.

Premiados posam juntos na cerimônia de entrega do Prêmio Shell do Rio – Foto: Divulgação/Shell

Em seguida, a atriz Renata Sorrah, vencedora do prêmio de melhor atriz em 2013, deu início à apresentação, aos gritos de alguém na plateia reverenciando sua personagem Nazaré Tedesco, na novela Senhora do Destino.

Ela provocou mais risos quando soltou “Eu sempre sonhei em fazer isso”, ao anunciar um dos primeiros prêmios da noite, quando tirou o papel do envelope.

Laila Garin: melhor atriz por Elias, a Musical – Foto: Divulgação/Shell

Quem ganhou foi Gabriel Moura, que concorria na categoria Música, pelo espetáculo Cabaré Dulcina. Enfático, ele não deixou de alfinetar as políticas culturais em relação ao teatro.

Logo após, vieram os vencedores na categoria iluminação, com Tomás Ribas por Moi Lui; figurino com Thanara Schönardie, por A Importância de Ser Perfeito; e cenário com Aurora dos Campos, por Conselho de Classe. Conselho de Classe e Elis, a Musical foram as peças com maior número de indicações, três cada uma.

Neste ano, uma das novidades é a categoria especial passar a ser chamada de inovação. Marcus Vinícius Faustini foi premiado pelo conceito e proposta do Festival Home Theatre. O movimento Reage Artista, que era um dos concorrentes, mereceu destaques do ganhador durante o agradecimento.

Aplaudido de pé, por todos, Aderbal Freire-Filho conquistou a concha dourada como melhor diretor, por Incêndios (confira a crítica da coluna aqui). Ele também foi uns do que direcionou uma crítica ácida à falta de incentivo cultural no país: “a pobreza do teatro é maior do que eu pensava”.

Emocionado, Aderbal agradeceu a toda equipe e ofereceu o prêmio a Marieta Severo, que não concorria à categoria de atriz neste ano. “O palco é o paraíso do ator, é o reino deles, e este vai especialmente para Marieta Severo”, diz.

Outros prêmios mais esperados da noite vieram em seguida. Julia Spadaccini, com A Porta da Frente, foi a melhor autora. Ela também concorria com sua outra peça, Aos Domingos, na mesma categoria.

No palco, em família: Enrique Diaz é o melhor ator por Cine Monstro – Foto: Divulgação/Shell

Enrique Diaz, por Cine Monstro, ganhou como melhor ator, e Laila Garin, por Elis, a Musical, venceu a categoria melhor atriz, disputadíssima por Bárbara Paz, Zezé Polessa, Camilla Amado e Suely Franco.

A homenagem especial deste ano foi para a suíça Marie Louise Nery, por sua contribuição, durante cinco décadas, como aderecista, figurinista, cenógrafa e formadora de profissionais do teatro no Brasil.

Ao lado da apresentadora Renata Sorrah, a suíça Marie Louise Nery (de branco), homenageada no Prêmio Shell – Foto: Divulgação/Shell

No telão, a plateia pôde vivenciar os momentos mais marcantes da carreira dela: o desfile da escola de samba Salgueiro, em 1959, uma das primeiras revoluções na estética do carnaval carioca, e o trabalho no programa Sítio do Pica-Pau Amarelo, de 1977 a 1986, confeccionando quase 150 bonecos.

Nos seus quase 90 anos, ela resistiu à dificuldade de locomoção e subiu ao palco, dando um pequeno agradecimento, mas carregado de grande emoção.

O Prêmio Shell de Teatro foi criado em 1989 e é considerado referência. A premiação é realizada no Rio e em São Paulo, onde acontecerá na próxima terça (18). O júri da capital carioca é formado por Ana Achcar, Bia Junqueira, João Madeira, Macksen Luiz e Sérgio Fonta.

Noite do Prêmio Shell reuniu a classe teatral carioca no Espaço Tom Jobim – Foto: Divulgação/Shell

Veja, abaixo, em negrito, quem levou:

Música:
Delia Fischer por “Elis, a musical”
Ricco Vianna por “Jim”
Gabriel Moura por “Cabaré Dulcina”
Rodrigo Penna por “Edukators”

Iluminação:
Maneco Quinderé por “Jim”
Paulo Cesar Medeiros por “Venus em visom”
Renato Machado por “Vestido de Noiva”
Tomás Ribas por “Moi Lui”

Figurino:
Marília Carneiro por “Elis, a musical”
Thanara Schönardie por “A importância de ser perfeito”
Antônio Guedes por “O médico e o monstro”
Marcelo Pies por “Como vencer na vida sem fazer força”

Cenário:
Aurora dos Campos por “Conselho de Classe”

Joelson Gusson por “As horas entre nós”
André Sanches por “Vestido de Noiva”
Rogério Falcão por “Como vencer na vida sem fazer força”

Inovação:
Aderbal Freire-Filho, pela mobilização da classe teatral em busca da recuperação da Sociedade Brasileira de Autores (SBAT).
Movimento “Reage Artista”, por ampliar a participação dos artistas cariocas no planejamento cultural da cidade do Rio de Janeiro.
Sede das Companhias, pela dinamização do espaço com uma proposta inovadora de ocupação, promovida pelo encontro da Cia dos Atores, Os dezequilibrados e Pangeia Cia de Teatro.
Marcus Vinícius Faustini, pelo conceito e proposta do “Festival Home Theatre”.

Direção:
Aderbal Freire-Filho por “Incêndios
Bel Garcia e Susana Ribeiro por “Conselho de Classe”
Isabel Cavalcanti por “Moi Lui”
Rodrigo Portella por “Uma história oficial”

Autor:
Jô Bilac por “Conselho de Classe”
Julia Spadaccini por “A porta da frente”
Rodrigo Portella por “Antes da Chuva”
Julia Spadaccini por “Aos domingos”

Ator:
Daniel Dantas por “Quem tem medo de Virginia Woolf?”
Enrique Diaz por “Cine Monstro”
Ricardo Blat por “A arte da comédia”
Thelmo Fernandes por “A arte da comédia”

Atriz:
Bárbara Paz por “Venus em visom”
Laila Garin por “Elis, a musical”
Zezé Polessa por “Quem tem medo de Virginia Woolf?”
Camilla Amado por “O lugar escuro”
Suely Franco por “As mulheres de Grey Gardens- o musical”

*Átila Moreno é jornalista formado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC Minas.

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1 Resultado

  1. Felipe disse:

    Vibrei com a vitória de Aurora por CONSELHO DE CLASSE! Lindo demais! Aderbal mereceu ganhar como melhor diretor pelo dramático INCÊNDIOS. Embora eu curta Blat e Dantas, desta vez o prêmio coube a Diaz e foi justo, por seu trabalho de corpo. E merecidíssimo Laila Garin ter ganho, encarnando a emblemática Elis Regina. Fiquei feliz também pela Thanara Schönardie. Em múltiplos sentidos, o prêmio Shell foi um luxo só!

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