Domingou: Laila Garin é a maior cantora do Brasil

A baianinha Laila Garin tem aquilo que Deus deu; ela vive Elis Regina no Teatro Alfa – Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Na noite deste sábado (29), vi Laila Garin reviver a seu modo Elis Regina e arrepiar a plateia do Teatro Alfa, em São Paulo, no espetáculo Elis, a Musical, com direção de Dennis Carvalho. Independentemente dos percalços da obra, Laila permanece intacta e consegue se transmutar naquela que foi a maior cantora do Brasil. E acaba por merecer também a mesma alcunha.

Baiana de Salvador, onde se formou em teatro na UFBA (Universidade Federal da Bahia), Laila tem aquilo que Deus deu. E técnica também. E força também. E carisma também. E tudo também.

Laila não repete Elis; a reinventa – Foto: Divulgação

Laila Garin não repete Elis. A reinventa. A reverencia ao mesmo tempo em que se impõe como artista.

E a artista já havia me impressionado absurdamente em outras duas ocasiões. A primeira delas, quando a conheci no palco, foi em 2011, em uma noite em que resolvi conferir o musical Eu te Amo Mesmo Assim, que reabria o Teatro Itália, no subsolo do Edifício Itália, coração do centro paulistano.

Laila dividia o palco com Osvaldo Mil, com direção de João Sanches e supervisão de João Falcão. Ambos executavam canções de amor e dor de cotovelo. Mas Laila fazia tudo com tanta verdade que a gente ficava com um nó na garganta.

Ao escutar a voz de Laila, tomei um susto e pensei na hora comigo: como esta menina aí no palco não é uma cantora celebrada e conhecida por todos? Onde estão nas lojas os discos de Laila Garin? Fiquei triste de estar em um  País que tinha uma Laila Garin e não lhe dava todo holofote possível. Porque tomei consciência naquele momento que tratava-se de uma grande artista. Foi com esta sensação que saí caminhando pela avenida Ipiranga após ver a obra, com a certeza de que Laila Garin é a maior cantora surgida no país desde o aparecimento de Marisa Monte, que, por sua vez, foi a primeira grande após Elis.

O tempo passou e eis que, no Festival de Teatro de Curitiba de 2013, me reencontro com Laila Garin no palco do gigante Teatro Positivo. Era a estrela absoluta do musical Gonzagão, dirigido por João Falcão. Fazia estripulias com as músicas de Luiz Gonzaga, enchendo-as de vida e cor.

Na época, escrevi, na crítica do espetáculo: “Única mulher em cena, Laila Garin tem uma voz inacreditavelmente suave, além da presença e carisma que a faz desejada não só por todos os homens da trupe quanto por qualquer espectador com alguma libido”. Recordo que o produtor teatral mineiro Michel Ferrabbiamo, que me acompanhava naquela sessão, ficou tão apaixonado pela atriz quanto eu. Saímos hipnotizados com sua presença. Os dois sem fala diante daquele momento de suspensão coletiva.

Agora, revejo Laila em uma produção ainda maior, já laureada com o Prêmio Shell de melhor atriz por seu desempenho como Elis. Ainda com aquela força inicial intacta, aquela presença única, aquela energia que contamina tudo e traz para bem perto de si.

Repito: Laila Garin é a maior cantora surgida no Brasil dos últimos tempos. As Anittas e suas baboseiras que me perdoem. Agora, torço ardentemente que o Brasil acorde da dormência anencéfala e a veja. E a celebre. Porque Laila Garin é um verdadeiro achado. Laila Garin é preciosidade raríssima, daquelas que já não se fazem mais.

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O Brasil precisa celebrá-la: Laila Garin protagoniza Elis, a Musical e arrepia plateia – Foto: Divulgação

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de ver no palco artistas de verdade. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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2 Resultados

  1. Edson disse:

    Olá , quero dizer que Laila é uma grande cantora , mas ela faz parte da mpb e anitta é musica pop é outra historia o lance é que o publico conheça a musica pop e a musica mpb o estilo de publico é diferente , até .

  2. Felipe disse:

    Tão feliz de saber que Garin já levou o Prêmio Shell!

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