Conheça Beatriz Aquino, a beleza e o talento da musa do teatro que veio do mundo dos negócios

Beatriz Aquino, no palco do Espaço dos Satyros: musa do teatro – Foto: Bob Sousa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos de BOB SOUSA

Quem viu a peça Lou&Leo sabe que a atriz Beatriz Aquino é uma musa indiscutível. Chamou tanto a atenção nos palcos do Centro Cultural São Paulo e do Espaço dos Satyros 1 que foi eleita Musa do Teatro R7 pelos internautas do portal.

Cearense de Fortaleza, Beatriz teve o primeiro contato com a arte por meio da dança. Fã de Fernanda Montenegro, Pedro Paulo Rangel e Cassia Kiss, fazia balé e dança contemporânea nos tempos de pré-adolescência.

Sentiu pela primeira vez aquele frio na barriga do palco quando se apresentava em festivais. “Adorava aquela sensação”, confessa. Conta que herdou a sensibilidade da mãe, que é artesã. É caçula de oito irmãos. Em casa, “sempre foi uma bagunça”.

Com o crescimento veio a necessidade do trabalho. E a arte precisou ser deixada de lado. Mudou-se para São Paulo aos 17 anos e se formou em publicidade e propaganda pela Anhembi Morumbi, mas foi para o mundo dos negócios.

“Trabalhei durante anos como headhunter [caçadora de talentos coorporativos] em consultorias internacionais”. Conta que morou em lugares como Paris, Milão e Nova York. Mas não se sentia completa. “As relações eram muito frias, sempre voltadas ao business e à produtividade”.

Mesmo com dinheiro no bolso, se sentia “sufocada”. Decretou, então, uma revolução em sua vida; não queria mais aquilo, mas não sabia direito como recomeçar.

Beatriz Aquino é de Fortaleza, morou em Paris, Nova York e Milão, e hoje vive em São Paulo – Foto: Bob Sousa

“Nesse processo de autoconhecimento, me lembrei da sensação que tinha quando dançava”, revela. Ainda em Paris, se matriculou em um centro cultural. Fez dança do ventre, capoeira, dança moderna e yoga. Com sede de aprendizado, fez workshop com a turma do Theatre du Soleil.

Assim que voltou ao Brasil, em 2010, se matriculou na Escola de Teatro Macunaíma: “Ali, nos palcos, realmente me encontrei”. Viveu “anos mágicos” no contato com professores e colegas artistas. Teve contato com textos profundos, como de Federico García Lorca.

Em 2012, estreou profissionalmente como atriz, no espetáculo A Flor de Varsóvia, texto de Luccas Papp e direção de Jacy Lage. E foi um grande desafio, já que fazia a antagonista, uma psiquiatra francesa que enlouquece ao perder os filhos na 2ª Guerra Mundial.

Sede de aprendizado

Foi ao ver a peça Luis Antonio – Gabriela, da Cia. Mugunzá, que decidiu que queria trabalhar com o diretor Nelson Baskerville. A montagem era sobre o irmão travesti do diretor. Um sucesso de público e de crítica. “Ele consegue tirar sensibilidade e beleza de um mundo ainda muito marginalizado. Acho que esse é o papel da arte no mundo. Dar voz a quem não tem”, define.

Ao saber que Baskerville dirigiria Lou&Leo, a peça biográfica sobre Leo Moreira Sá, que nasceu mulher e se tornou um homem, ela se ofereceu para dar assistência na peça. “Estava disposta a fazer qualquer trabalho desde que pudesse estar perto do Nelson, aprendendo”.

No dia a dia de leituras e ensaios ganhou a personagem Gabi, par romântico do protagonista. “No início, o Nelson não queria que a Gabi fosse personificada, mas durante o processo foi surgindo muita coisa e a Gabi nasceu”.

Para ela, a personagem é “quase um ser etéreo, meio anjo, meio demônio”. No palco, foi desafiada mais uma vez. “Tive de repensar minha relação com o corpo, pois, na peça, eu tirava a parte de cima da roupa”. E ainda cantava, conquistando de vez o público.

Em 2014, sonha em conseguir uma personagem de forte carga dramática. Acaba de voltar de Florença, na Itália, onde estudou o teatro italiano. Mergulhou em Pirandello e na comédia dell’arte.

Sem depender do tônus da pele

Revela que lida bem com a beleza. E confessa que se acha bonita, sim. “Não todos os dias, claro”, diz, sorrindo.

— Senti isso quando trabalhava no mundo corporativo. É aquela velha história, você tem que provar em dobro que é bom. Mas hoje já mudou. No Teatro não tem espaço pra isso. Você tem que estar entregue. Se for ali pra se exibir, leva uma rasteira na hora! É por isso que me apaixonei, pois posso fazer teatro até ficar velhinha, sem depender do tônus da minha pele [risos].

No futuro, quer fazer muito teatro e cinema. Num futuro mais distante, sonha em montar uma escola de teatro para crianças, em uma cidadezinha do interior de Minas ou de São Paulo.

Por conta de sua conexão com o mundo espiritual, diz que perdeu os medos. E cita Elis Regina para definir o que lhe deixa completa.

— “Eu quero uma casa no campo, onde eu passa ficar do tamanho da paz”. Este é meu conceito de felicidade.

Beatriz Aquino: seu ideal de felicidade é “uma casa no campo” – Foto: Bob Sousa

 

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4 Resultados

  1. Everton disse:

    Simplesmente Linda!

  2. Phillipe disse:

    A Beatriz é bem bonita. Um tipo de beleza mais misterioso e enigmático, como o de Rita Gutt.

  3. Tania Cristina disse:

    Beatriz caxile.
    Ganhou fama em fortaleza quando ganhou um concurso de beleza em Maracanaú,e depois em Fortaleza no ano de 1994-96. Conheço e admiro a história dela.

  4. Tania Cristina disse:

    Ah,quase que me esqueci da coluna”a namorada do mês”na revista vip de outubro de 2000 quando foi fotografada por Newton la Scaleia: Que recursos humanos!

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