Festival de Curitiba leva 230 mil pessoas ao teatro e diretor diz: “Ninguém tem porta fechada”

Ator brinca com espectador no Risorama, o espetáculo mais visto, com público de 12 mil pessoas no Festival de Teatro de Curitiba 2014 – Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos de ERNESTO VASCONCELOS/Clix

O Festival de Teatro de Curitiba, que termina nesta domingo (6), conseguiu levar 230 mil pessoas ao teatro em 13 dias. O número, que faz dele o maior do País, foi divulgado pelo diretor do evento, Leandro Knopfholz, em conversa com o Atores & Bastidores do R7. Segundo ele, foram 160 mil ingressos vendidos. Dos quase 500 espetáculos na programação, 71 tiveram entradas gratuitas.

Knopfholz conta que a 23ª edição manteve o foco em “ser um panorama do teatro brasileiro” e também do mundial, já que teve cinco espetáculos estrangeiros – número que ele pretende manter ou ampliar em 2015, sem prejudicar o teatro brasileiro.

Leandro Knopfholz: “Festival de Curitiba é panorama nacional e mundial” – Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

– Quando voltei a dirigir o Festival, em 2008, eram 18 peças na Mostra Oficial. Hoje, não consigo fazer com menos do que 30.

No caso de peças internacionais, a negociação demanda mais tempo e ainda é preciso pensar questões logísticas, como contratos de trabalho internacional e produção local de cenário em muitas das ocasiões.

Leia a cobertura completa do R7 no Festival de Teatro de Curitiba!

Mais de 1.000 sessões

No Fringe, a mostra paralela para a qual “vem quem quer” segundo o diretor, contou com novidades, como a Mostra ES em Cena, com artistas capixadas. Em contraposição, a mostra com artistas de Minas Gerais deixou de existir. “Eles conseguiram patrocínio de última hora, quando a programação já estava fechada”, diz Knopfholz.

De acordo com o diretor, foram apenas 5% de peças canceladas no Fringe, em um universo de mais de 400 espetáculos. “Tivemos mais de 1.000 sessões”, diz.

Acidente com ator na abertura

Leandro Knopfholz também comentou, a pedido do R7, o acidente que marcou a abertura do evento, no dia 25 de março. Uma pesada peça de gesso se desprendeu do teto e atingiu a cabeça do ator gaúcho Fagner Zadra, que segue internado em um hospital curitibano.

O ator gaúcho Fagner Zadra permanece internado: “Ele terá recuperação total”, diz diretor do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz – Foto: Divulgação

O jovem de 30 anos, que integra o grupo de humor Tesão Piá, sofreu fratura na cervical e, aos poucos, recupera a movimentação.

O diretor do Festival de Curitiba define o ocorrido como “uma infelicidade enorme”.

– Quando soube da gravidade da situação, procurei um amigo cirurgião que é referência nesta área, de quem sou padrinho de casamento, que se dispôs na hora a cuidar do Fagner. Foi tudo muito rápido. Ele foi operado, já saiu da UTI e o prognóstico é que ele vai ter recuperação total. A gente espera que em três meses ele já esteja bem melhor. Vamos dar todo apoio a ele até que ele esteja correndo de novo.

O Festival de Curitiba divulgou nota na qual afirma que “até o momento não tem como apontar com precisão que fatores desencadearam o ocorrido” e que “iniciou uma perícia na peça decorativa para identificar as causas do acidente”.

Knopfholz conta que o dia após o acidente “foi o mais difícil para todos do Festival de Curitiba”.

– Aos poucos, fomos levantando a cabeça, porque tínhamos de cumprir o compromisso firmado com o público, os artistas e a imprensa de realizar o Festival. Tenho de agradecer à ótima equipe que tenho, todos superprofissionais e proativos.

Ausência de Gerald Thomas

Gerald Thomas não apareceu: “Ninguém tem porta fechada”, diz diretor do Festival de Curitiba – Foto: Nil Caniné

Sobre o cancelamento da peça Entredentes do diretor Gerald Thomas, após esta ter sido confirmada e divulgada na programação, Leandro Knopfholz dá uma declaração franca.

– É um saco [a desistência de última hora de Thomas]. Já estavam contratados e com o dinheiro depositado. Aí vem e-mail falando que não vão conseguir estrear. Fazer o quê?

A reportagem perguntou se, por conta do ocorrido, Thomas ficará com as portas fechadas no maior festival teatral do Brasil. Eis a resposta de Knopfholz.

– Não. Ninguém tem porta fechada por aqui.

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Risorama ou Clube do Bolinha?

O Risorama, a mostra de stand-up que teve a 11ª edição neste ano, teve público de 12 mil pessoas. É o evento mais visto do Festival de Curitiba.

Nany People: após dez anos, ela fez falta no Risorama – Foto: Divulgação

Neste ano, após dez anos apresentando o evento idealizado pelo humorista curitibano Diogo Portugal, a atriz Nany People deixou a festa por não chegar a um acordo de contrato com o Festival. Foi de pronto substituída por Marcio Ballas.

Composto majoritariamente por homens, a reportagem quis saber se o Risorama não se tornou uma espécie de Clube do Bolinha. O diretor do Festival de Curitiba disse que “não tinha pensado nisso” e afirmou que “pode até ser…”. Mas revelou que, apesar de os homens dominarem o palco, a maioria do público do Risorama é feminina.

Cena da peça Hamlet na Máfia, do Fringe: espaço para todos – Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

Oficinas e bar do Festival

Questionado sobre mais espaço para oficinas e debates com artistas de renome que participam do evento, Knopfholz afirma que “este não é o principal objetivo do Festival”, mas diz que “adoraria receber uma proposta de alguma instituição de ensino neste sentido”.

Sobre existir um espaço de encontro informal para os artistas, público e a imprensa no Festival, Knopfholz afirmou que a Prefeitura de Curitiba proibiu venda de bebidas alcoólicas nos espaços públicos. Assim, o Bar do Festival que ficava no Memorial de Curitiba precisou ser desativado.

O diretor disse que também sente falta de um espaço assim, mas não sabe se ele vingaria. “Sobretudo à noite, as pessoas se dispersam muito”, avalia. Mas, promete estudar a ideia.

– O que a gente faz no Festival de Teatro de Curitiba é aproximar possibilidades.

Leandro Knopfholz, diretor do Festival de Curitiba: “Possibilidades” – Foto: Ernesto Vasconcelos/Clix

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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1 Resultado

  1. Phillipe disse:

    Gerald Thomas não compareceu? Depois de todo aquele discurso que inclusive foi postado por aqui; todo aquele “papo-cabeça” de ser um horror e tudo mais? Realmente não entendi. Mas entendi, quanto a ele, que foi profundamente desrespeitoso com a Nicole Bahls num evento, fato corajosamente informado pela destemida Fabíola Reipert. E fiquei perplexo de ver que a turma dos “Descolados de Plantão” não foi defender a Nicole.

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