Teatro de Narradores expõe no palco tortura e militância durante a ditadura militar no Brasil

Agruras da ditadura militar estão nas duas peças do Teatro de Narradores, com entrada gratuita no Teatro João Caetano, em São Paulo; em cena, a atriz Klarah Lobato – Foto: Rodrigo Pereira

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Nunca é tarde para repensar e discutir, ainda mais em um País com gente que ainda confessa em praça pública ter saudade dos militares no poder.

O palco, como sempre, dá sua contribuição ao debate, desta vez com o Teatro de Narradores, que mergulha na temática que domina a pauta, com a lembrança dos 50 anos de golpe civil-militar no Brasil.

O grupo, sob direção de José Fernando de Azevedo, apresenta duas obras no Teatro João Caetano (r. Borges da Lagoa, 650, Vila Clementino, metrô Santa Cruz, São Paulo). Elas discutem as marcas que a ditadura deixou entre nós. E o melhor: ambas têm entrada franca.

A primeira é Ensaio sobre o Sim e o Não, que será apresentada às sextas, às 21h. Inspirada na peças didáticas de Brecht discute a militância contra a repressão. No elenco, estão os atores Teth Maiello e Vitor Placca, os cantores Abner Santana, Ana Elisa Portes, Bruno de Sá Nunes, Camila Rabelo, Felipe Vidal, Fernando Henrique Ribeiro, Mariana Trento, Nicolas Salaberry, Renato Spinosa, Raphael A. Pinto, e o pinaista Walter Rodrigues.

Já a segunda, Retrato Calado Primeira Parte Cena Primitiva, terá sessões aos sábados, 21h, e domingo, 19h. Nesta, o doloroso tema da tortura invade o palco, com referência no livro de Luiz Roberto Salinas Fortes, que descreveu os horrores dos porões da ditadura. No elenco, estão os atores Ana Elisa Mello, Klarah Lobato, Renan Trindade, Teth Maiello, Vitor Placca, e o músico Thiago Salas.

A temporada, que integra o projeto Corifeus, dura até o fim do mês.

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1 Resultado

  1. Phillipe disse:

    Concordo, Miguel, principalmente com o trecho “ainda mais em um País com gente que ainda confessa em praça pública ter saudade dos militares no poder”. Eu sou a favor da ordem, até porque acho que hoje se vive uma grande inversão de valores no Brasil. Historicamente, EU penso que não estamos ainda preparados para a vivência democrática (friso que é a MINHA opinião), mas fico feliz em saber que estamos engatinhando para a construção de uma democracia plena e de forma ordenada e respeitosa. Torço pela democracia e acredito nela. Totalmente. Daí porque me entristeço em ver tanta confusão e certos erros – alguns graves – no caminho que conduz a ela. Mas a vida é assim: para quem realmente busca a maturidade, aprende-se com os erros.
    Peças como a do Teatro de Narradores são importantes para nos rememorar o erro que foi a ordem rígida, sem democracia. Os extremos geralmente não perigosos: nem a ordem absolutamente rígida, nem a completa falta de regras e ordem (sim, a ordem é necessária!), pois a partir do momento em que se vive em sociedade, deve haver um MÍNIMO de respeito ao semelhante, daí porque é necessário, sim, haver ordem. Mas uma ordem que não sufoque.

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