Domingou: Para Silvana Garzaro

A fotógrafa Silvana Garzaro: inteligência e sensibilidade de uma artista – Foto: Arquivo pessoal

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi com imensa alegria que subi, na última terça, ao palco do Teatro Bibi Ferreira para receber o Prêmio Inspiração do Amanhã pela atuação na cobertura teatral aqui no blog. O troféu, idealizado peça Cia. de Teatro Loucos do Tarô, me encheu de orgulho, sobretudo, por dividir o mesmo palco com gente que admiro desde que me entendo por gente.

Além dos internautas, dos colegas e direção do R7 e dos parceiros de trabalho no dia a dia, os fotógrafos Bob Sousa e Eduardo Enomoto, pensei também em uma baita companheira do meu comecinho de carreira em São Paulo.

Há sete anos vivo de jornalismo cultural nesta que é a maior e mais frenética cidade brasileira. Desde que cheguei na Selva de Pedra, recém-formado pela Universidade Federal de Minas Gerais para participar do Curso Abril de Jornalismo, na Editora Abril, sabia que as coisas não seriam tão fáceis assim. Mas nunca me faltou disposição.

Logo que o curso acabou, assumi vaga de repórter na revista Contigo!, numa aposta da ainda redatora-chefe da publicação Denise Gianoglio. Ainda não estava tão habituado ao mundo das celebridades, com seu excesso de ego, e com os eventos onde todos querem ver e, principalmente, serem vistos. Neste começo profissional, uma pessoa foi fundamental no meu processo de adaptação aos novos tempos: a fotógrafa Silvana Garzaro.

Silvana foi companheira em muitas de minhas primeiras pautas. Por pior que fosse, sempre nos divertíamos. Rápida, certeira, atenta. Não deixava passar uma. No carro, na ida ou na volta, sua diversão sempre foi me contar todos os filmes da Bette Davis, dizendo-me que, se eu queria ser um jornalista respeitado, deveria ver todos eles. Que absurdo não ter visto ainda!

Silvana também contava em detalhes o melhor da noite paulistana, seus personagens, suas lendas. Ela conhece tudo. Viu com os próprios olhos.

Se as celebridades que entrevistava muitas vezes eram ocas, Silvana preenchia meu trabalho de sentido. Inteligentíssima, digna e sensível. Uma verdadeira artista.

Ao subir ali naquele palco na última terça, um tanto quanto encabulado e cegado pela luz, que faz todo discurso parecer um átimo de segundo, pensei em muita gente importante para mim. E, entre elas, pensei em Silvana. No tanto que aprendi com esta profissional das mais competentes que conheci e que nunca, jamais, perdeu sua personalidade. E só os sensíveis percebem que esta é sua melhor parte.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e gosta de fazer grandes amigos. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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6 Resultados

  1. Tiago Santos disse:

    A Silvana é maravilhosa! <3

  2. Phillipe disse:

    Será que meu comentário se perdeu? Mais um?

  3. Phillipe disse:

    Não sei se este comentário se perderá como o anterior, muito mais inspirado, mas irei tentar. Bem, o que comentei no “post” perdido é que, em tempos de subcelebridades que usam quem está por perto de escada para a ascensão midiática, você tem o diferencial de trazer uma rara qualidade, que cintila pela peculiaridade: gratidão.
    Que o seu prêmio foi merecido, é inquestionável. E o título do prêmio, muito acertado. Porque esperamos que você seja mesmo uma inspiração para as novas gerações de jornalistas, para que aprendam a informar com imparcialidade, para que sejam respeitosos com os entrevistados e que entendam que Ética, para ser verdadeira, deve ser muito mais do que um belo discurso para posar de “bom moço”, mas algo a ser exercitado no quotidiano. Que o amanhã desses novos jornalistas possa se pautar um pouco por suas qualidades!

    • Miguel Arcanjo Prado disse:

      Phillipe, nem tenho o que lhe dizer. Só: muito obrigado! Escrevo para leitores e internautas sensíveis e inteligentes como você! E ter você como leitor é orgulho para mim.

  4. Phillipe disse:

    E, para não perder o costume, corrija o nome da atriz de Betty para Bette. Já vi alguns dela: um casal de filmes elizabetanos (MEU REINO POR UM AMOR e A RAINHA TIRANA), MORTE SOBRE O NILO, O QUE ACONTECEU COM BABY JANE? e provavelmente o seu mais famoso, A MALVADA, uma verdadeira obra-prima sobre como agem as pessoas carreiristas em sua busca pelo estrelato. É interessante notar que, mesmo depois de tantos anos, A MALVADA é absolutamente atual. E sempre será.

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