O Retrato do Bob: O mestre italiano Enrico Bonavera, porta-bandeira da commedia dell’arte

Foto de BOB SOUSA
Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O mestre italiano Enrico Bonavera posa no Teatro Commune, em SP – Foto: Bob Sousa

Enrico Bonavera é um dos maiores nomes da commedia dell’arte. O italiano, estrela do Piccolo Teatro de Milão, está em São Paulo, onde começa uma oficina sobre este gênero teatral nesta segunda (12), no Teatro Commune, em parceria com a SP Escola de Teatro. É a sexta vez que visita o Brasil. Além de São Paulo, conhece Campinas, Rio, Salvador, Foz do Iguaçu e Ouro Preto. Diz ser “apaixonado pela cultura brasileira” e revela escutar “Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil”. Desde 1980, estuda o personagem Arlecchino, o nosso arlequim, que considera “muito difícil” de fazer. “É uma psicologia muito elementar, é como uma criança. É preciso regressar às origens”, diz. E declara ser apaixonado pelo jogo no palco: “Teatro é vida, é experiência, é humano”. Conta que trouxe “suas coisas” para o personagem. “Como o palhaço, um arlequim só está pronto depois de décadas, porque o tempo madura a capacidade de se comunicar e emocionar o público. Isso é importante; a técnica é só um veículo”. E entrega quem é seu mestre: “Ferruccio Soleri, que tem 85 anos e ainda atua”. Sobre a commedia dell’arte na atualidade, é temeroso. “O problema é sério. Muita gente não entende que commedia dell’arte é teatro; não é só caricatura. Muitos atuam de uma maneira superficial. É preciso evoluir”. Se puxa a orelha de alguns, também elogia: “Gosto do trabalho do Lume Teatro, de Campinas; é o grupo que mais gosto no Brasil”. Lembra que é preciso compreender o tempo teatral. “Muitas vezes, tenho a sensação de que vivemos um fast food no teatro”, define. Para quem deseja se aprofundar, recomenda a leitura do livro A Arte Mágica [Editora É Realizações], de Amleto Sartori e Donato Sartori, lançado no Brasil no ano passado. E ele sabe o que diz. Já colaborou com o Odin Teatro de Eugenio Barba e ganhou na Itália o Prêmio Arlecchino de Ouro, troféu antes concedido apenas a mestres do quilate de Marcel Marceau, Dario Fo e Ferruccio Soleri. Antes de ser retratado pelo nosso Bob Sousa, empunhando sua primeira máscara de Arlecchino, que conserva com carinho desde 1980, faz questão de dar uma última, e importantíssima, dica: “O teatro é um trabalho de relações”.

Saiba informações da oficina com Enrico Bonavera

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2 Resultados

  1. Marina Franco - Lume Teatro disse:

    Olá, Miguel, ficamos muito felizes por termos sido citados pelo querido Enrico na entrevista. Compartilhamos no nosso facebook: https://www.facebook.com/lume.teatro?ref=hl
    Sempre acompanhamos seu blog também. muito obrigada! Um abraço! Marina (Lume Teatro – Campinas)

    • Miguel Arcanjo Prado disse:

      Marina, que bom que a mensagem chegou até vocês. Um forte abraço e sucesso aí pra turma de Campinas, a quem admiro muito!

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