Dois ou Um com Marcos Di Ferreira

 

O ator Marcos Di Ferreira, da peça Azar do Valdemar, da Cia. dos Inventivos – Foto: Marcondes Nascimento

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Formado pela Escola Livre de Teatro de Santo André, em São Paulo, Marcos Di Ferreira se define como “um ator baiano que mora na Paulicéia desvairada, taurino, apaixonado por cinema, quase narcisista, curioso, às vezes patético, amigo, engraçado nas horas tristes”. Ele integra a Cia. dos Inventivos, que acaba de fazer concorrida temporada do espetáculo de rua Azar do Valdemar em pleno coração do centro paulistano. A peça encerra a trilogia do grupo inspirada no livro Viva o Povo Brasileiro, do mestre João Ubaldo Ribeiro. Mexe em feridas nacionais que ainda seguem abertas. A obra volta à praça do Patriarca em julho, assim que a Copa acabar. Marquinhos aceitou o convite do Atores & Bastidores do R7 para participar da coluna Dois ou Um. Dez perguntas cheias de possibilidades. Ou não.

Teatro de rua ou teatro de palco?
A rua foi um chamado de quando ainda estava estudando teatro que acabei gostando. Foi na rua que descobri que sou um artista popular.

Copa ou Cultura?
Cultura sem dúvida. A Copa é um evento internacional, muito dinheiro investido. É festa de gente grande.

Esquerda ou direita?
Eu nasci torto. Gauche. Tenho Paulo Freire em mim.

Ônibus ou metrô?
Ônibus. Ficar por debaixo da terra me assusta. Gosto de ver a rua, a praça, o cachorro que fica em frente à minha portaria, as pessoas, o tempo passar.

Europa ou América Latina?
América Latina. Quero contar historias desse lado.

Vida bandida ou vida louca?
Sou um pouco desse trecho da música Let’s Play That do Torquato Neto interpretada pelo brilhante Jards Macalé: “Eis que esse anjo me disse apertando minha mão com um sorriso entre dentes: vai, bicho, desafiar o coro dos contentes”.

Liberdade para se ter o que se quer ou liberdade para ser o que se é?
Querer e poder são energias opostas que se atraem.

Augusto Boal ou William Shakespeare?
Gosto da cotovia do Shakespeare e do tambor de Boal. Tem signos mais maravilhosos que estes. São chamados. Já falaram que teatro é audiência.

Só se for a dois ou o nosso amor a gente inventa?
Só se for a dois. Sou romântico.

Quero me encontrar, mas não sei onde estou ou eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter de saber quem eu sou?
Saber dói, sangra, fica a cicatriz, mas também marca uma fase, um período. Amo a sabedoria do tempo. Tenho prestado atenção nele passando por mim.

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3 Resultados

  1. Paulo Maruques disse:

    Parabéns pelo trabalho e história de vida!
    Sou seu Fã Marquinhos

  2. Phillipe disse:

    Eu vou concordar com o Marcos porque, realmente, para mim não cabem frases como “o nosso amor a gente inventa” principalmente porque conheço a letra da canção e sei como ela continua: “O nosso amor a gente inventa/Pra se distrair/E quando acaba a gente pensa/Que ele nunca existiu”. Nossa, para mim, seria até meio triste um “amor” tão descartável que, ao final, eu achasse que ele sequer existiu. Mas, enfim, há pessoas que fazem escolhas assim e eu as respeito, ainda que me soe diferente.
    Voltando à entrevista do Marcos, gostei dela. Tranquila, sincera, muito natural. Dá para ver que o Marcos é aquilo que as respostas refletem.

  3. Teodora Marcondes disse:

    Excelentes respostas.A grandeza de viver no mundo é sermos grandes em nosso mundo.Também sou a favor da cultura. Gostaria de mais informações sobre a peça. onde está em cartaz?

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