Domingou: Ódio ao outro não ganha Copa

 

Neymar e Messi, rivais só no campo: “Ódio ao outro não ganha Copa, mas bom futebol” – Fotos: Getty Images

Por MIGUEL ARCANJO PRADO*

Outro dia, vi, em uma rede social, a foto de um cachorro da raça pit bull destroçando uma camisa da seleção argentina. Com todo ódio do mundo, é claro. Tudo comemorado pelo dono, com alta dose de orgulho.

Nesta semana, ouvi uma apresentadora dizer, no ar, que os brasileiros estavam tratando bem os turistas nesta Copa e soltou: “até os argentinos”. Nas entrelinhas, a ideia de que o normal seria maltratá-los.

Por que tanto ódio ao outro? Não há confiança no futebol próprio? É preciso espinafrar o vizinho para tentar garantir algo?

Incentivando o ódio, comercial da Skol explode os argentinos dentro de uma casa – Foto: Reprodução

A publicidade é rainha em disseminar ódio ao outro. Recente comercial de conhecida marca de cerveja brasileira debocha do Hino Nacional da Argentina, dizendo que ninguém aqui sabe cantá-lo. Como se os argentinos soubessem cantar o Hino do Brasil, coisa que nem o brasileiro sabe fazer direito até o fim. Para terminar de forma deplorável, o tal comercial termina com boa dose de violência: enxota um grupo de argentinos em uma casa, logo explodida feito um foguete.

Agora, de norte-americano ninguém debocha. Será mais fácil rir de nosso primo tão pobre quanto nós?

Entretanto, o ódio não é exclusivo para argentinos. Neste sábado (28), vi, com vergonha, parte dos brasileiros vaiar o Hino do Chile durante sua execução no Mineirão. Uma absoluta falta de respeito com o símbolo pátrio alheio. Uma pergunta: se fizessem o mesmo com o Brasil lá fora, como nos sentiríamos?

Mas, se não tratam com educação nem a presidente de seu país vão respeitar o hino dos outros? Não custa nada reforçar que o mundo já viu um povo achar que era superior aos demais: a Alemanha de Hitler.

Até vi como castigo merecido o sufoco que os canarinhos passaram para colocar o País nas quartas de final, deixando todos nós com o coração na mão até o último pênalti batido. E, verdade seja dita: o Chile jogou mais.

É lamentável que o Brasil, que se propõe a entrar para o time dos grandes países do mundo, ainda se comporte dessa forma com seus vizinhos. É bom o brasileiro entender que incentivar o ódio ao outro não ganha Copa. O que leva à vitória é algo bem mais simples e saudável: o bom futebol.

*Miguel Arcanjo Prado é jornalista e prefere o amor ao ódio. A coluna Domingou, uma crônica semanal, é publicada todo domingo no blog Atores & Bastidores do R7.

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3 Resultados

  1. Phillipe disse:

    Assim é, Miguel. Por outro lado, até em lojas de departamentos são vendidas camisas e camisetas com a bandeira dos EUA e da Inglaterra e alguns de determinadas tribos que se autointitulam “descolados de plantão” saem por aí ostentando as tais bandeiras. Sua pergunta foi muitíssimo pertinente: por que camisas de outros países latinos são vistas por alguns como sem valor e há essa exaltação (que beira a subserviência) aos EUA e Inglaterra? Para mim, isso é ranço de nosso passado de colônia de exploração. Historicamente, fomos educados para achar que o “branco colonizador” é quem deve ser valorado. Graças a Deus, essa concepção equivocadíssima, retrógrada e segregacionista está mudando e estamos aprendendo a valorizar o negro, o índio e os vizinhos latinos. É com grande satisfação que acompanho o blog e dá felicidade ver uma irmã latina como Marba ser tão bem acolhida aqui no Brasil. Que se façam intercâmbios! Quanto mais aprendemos a respeitar a diversidade e a pluralidade, mais entendemos a beleza que cada possui enquanto ser único. Assim, não há vencedores e vencidos, apenas seres humanos, todos providos de beleza e valor.

  2. Paulo Dumaresq disse:

    Texto irretocável, Miguel.

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