Entrevista de Quinta: Ronnie Von libera tudo; autor diz: “Medo de biografia é pra quem tem rabo preso”

Ronnie Von, nos tempos em que ganhou o apelido Pequeno Príncipe – Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Elegante é ser amante dos livros; não proibi-los. Pois um dos homens mais sofisticados da história da Música Popular Brasileira resolveu fechar os olhos para o que diziam dele. Ou melhor, para o que escreviam sobre ele.

O cantor emblemático da década de 1960 e 1970, aquele que descobriu os Beatles por estas bandas, que deu o nome do grupo Os Mutantes e que muito tempo depois se tornaria o apresentador comportado da atualidade preferiu deixar a cargo dos jornalistas Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel a missão de contar sua história, repleta de altos e baixos.

Capa da biografia de Ronnie Von – Foto: Divulgação

Tudo está condensado no livro Ronnie Von – O Príncipe que Podia ser Rei (Editora Planeta, R$ 34,90). O lançamento é nesta sexta (1º), na Livraria Fnac (av. Paulista, 901), em São Paulo, a partir das 19h. Com direito até a pocket show do biografado.

A obra celebra os 70 anos de vida de Ronnie Von, completados no dia 17 deste mês. Durante a feitura do livro, ele colaborou com memórias doces e também amargas, em mais de cem horas de entrevistas — outras cem horas foram dedicadas a 50 pessoas que o rodeiam.

Após tanta conversa, os biógrafos encontraram fôlego para esta Entrevista de Quinta. Guerreiro, diretor-geral de Novas Mídias da Record e diretor-geral do R7, e Pimentel, diretor de conteúdo do mesmo portal, contaram como foi o trabalho de recriar a vida do Pequeno Príncipe, apelido dado por Hebe Camargo.

Revelam dificuldades, fatos marcantes e a surpreendente liberdade dada pelo personagem central. Quem ganha é o futuro.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Qual foi a história mais difícil de arrancar de Ronnie Von?
Antonio Guerreiro — Não posso dizer que houve história difícil. Houve momentos mais tensos, mas que é natural na vida de qualquer pessoa. Ronnie conduz a narrativa de maneira tão elegante que mesmo os temas mais áridos ganhavam contornos mais leves. E isso acaba por ser um grande desafio para quem escreve o livro.
Luiz Cesar Pimentel — Ronnie tem uma postura muito positiva em relação à vida, o que acaba transferindo para as pessoas e, por sua vez, acaba contaminando até seu modo de enxergar adversidades. Dito isso, o mais difícil foi trazer à tona os assuntos nas suas reais dimensões, pois ele sempre tende a, talvez por defesa, editar na memória afetiva o que foi positivo de cada coisa. Assuntos de carreira não foram difíceis, mas os sentimentais sempre existia um certo desconforto, como os quatro casamentos por que passou.

Antonio Guerreiro: “Houve momentos tensos, mas é natural na vida de qualquer pessoa” – Foto: Edu Moraes

Miguel Arcanjo Prado — Quais são os três fatos que consideram mais marcantes na vida dele?
Luiz Cesar Pimentel — Os pais, principalmente o pai, pois foi quem o levou indiretamente à música. Essa história é sensacional e está, claro, no livro. A doença “incurável” (aspas necessárias), que ele venceu em 1980. A biografia dele. Já leu? [risos] Brincadeira. Colocaria como terceiro a sequência de discos psicodélicos que gravou no final dos 1960 e inídico da década de 1970, e que foram redescobertos recentemente e o posicionaram junto à nova geração.
Antonio Guerreiro — Concordo com o que o Luiz disse, mas existem vários top 3 como o momento do boom como cantor, a separação de sua primeira mulher e a carreira como apresentador.

Miguel Arcanjo Prado — Os dois atualmente ocupam postos de gerenciamento à frente da redação do R7. Como foi, ao fazer o livro, voltar ao lugar de repórter, de entrevistador?
Luiz Cesar Pimentel — Você bem sabe que uma vez repórter, sempre repórter. A gente (ou eu, pois posso falar por mim) acaba exercendo isso todos os dias na função dentro de um veículo de comunicação. Quanto mais próximo do administrativo, mais há que se ter atenção em exercitar essa musculatura, tanto de repórter quanto de redator. E, cá entre nós, não é sacrifício nenhum. Aliás, são as coisas que mais gosto na nossa profissão – conversar, cavar e contar uma boa história. Foi isso que nos levou à faculdade de jornalismo, né?
Antonio Guerreiro — Confesso que se pensar nisso eu não escreveria nem a biografia nem qualquer outra coisa. A solução é dormir três horas por dia.

O jornalista Luiz Cesar Pimentel: “Medo de biografia é pra quem tem o rabo preso”- Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado — Vi que Ronnie não fez o papel de censor de sua própria história, como querem outros grandes nomes da MPB. Qual a importância de terem tido essa liberdade e também deste exemplo do Ronnie para a futura relação entre outros artistas e futuros biógrafos?
Luiz Cesar Pimentel — Claro que é o mundo ideal. Te dá liberdade plena de exercício. Mas por outro lado, para biografar um cara como ele, se torna até arriscado. Calma que explico. O Ronnie é um cara dificílimo de encontrar alguém que fale mal. Não por ele ser sobrehumano, nada disso. Mas porque ele tem um bom caráter. Ótimo, aliás. Pessoas assim não prejudicam deliberadamente ninguém. Nessa, as referências que íamos encontrando nas entrevistas com pessoas que participaram da vida dele sempre eram positivas. O que poderia tender a uma chapa-branca no veículo que pilotamos. Sendo que tudo que queríamos era humanizá-lo, sem julgamento. E conseguimos, com boa parte de falhas que o próprio nos forneceu em sua trajetória. Medo de biografia, cá pra nós, é pra quem tem o rabo preso, né, não?

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5 Resultados

  1. GEDINIZ disse:

    Esse é um livro que eu realmente, QUERO ler! Sempre admirei muito o Ronnie como artista, mas, principalmente, como o grande HOMEM que ele sempre demonstrou SER!

  2. Maria Manuela disse:

    O Ronnie é meu grande ídolo de adolescência , e sempre será um grande Gentleman , com um enorme caráter . Parabéns pela biografia . Afinal ele merece . Lerei com toda a certeza .

  3. Marli Nunes Assunção dos Santos disse:

    Sempre tive admiração pelo Ronnie Von por ser ele um homem digno, elegante e muito inteligente. Ele faz um programa diferente e interessante, sem apelações. Parabéns por tudo que ele faz na vida. Com certeza vou querer ler o livro.

  4. Phillipe disse:

    Que Ronnie é elegante, com certeza. Mas discordo que brecar certos pontos em uma biografia seja medo de algo. No caso de figuras públicas, o que elas desempenham (funções e obra) são de interesse público, mas o que ocorre na esfera privada só deve e, principalmente, pode ser liberado com a autorização do biografado, sob pena de invadir a intimidade do biografado. É como penso. Se eu fosse artista, poderiam falar à vontade de meu trabalho, de minha obra, criticar ou elogiar meu desempenho, porém não iria aceitar abordagem de temas particulares. Acho desnecessário. Quando a pessoa não se importa, ótimo para o autor; mas se o biografado se importa, o autor deve, sim, respeitar essa escolha do biografado. É também como penso nesse aspecto.

  1. julho 31, 2014

    […] aqui o texto do Miguel Arcanjo. Maior […]

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