Paraguai tem sede de ver e ser visto no Mirada

O ator paraguaio Silvio Rodas, durante sessão de Entre A y B em Santos – Foto: Paola Irún

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

Fazer teatro no Paraguai não é tarefa fácil. Mas eles resistem. O En Borrador Teatro en Construcción é o representante deste país na terceira edição do Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, o Mirada.

O grupo apresentou no último fim de semana a peça Entre A y B (Entre A e B), na Casa da Frontaria Azulejada, prédio histórico do centro santista. A obra é um espetáculo de costumes que faz uma ponte entre o Paraguai do começo do século 20 com o dos anos 1970. O público, itinerante, acompanha o percurso da história, um jogo entre os atores baseado na teoria de seis graus de separação entre qualquer ser humano.

O projeto é idealizado por Paola Irún, responsável pela versão final da dramaturgia – feita em colaboração com o elenco – e pela direção.

Carlos Spatuzza, diretor de arte da obra, conta que foi preciso um processo de reconhecimento do novo espaço no centro histórico de Santos para adaptar a encenação ao lugar.

“Trabalhei o tempo todo com eles, durante o desenvolvimento da peça. Elementos figurativos e reais vão se sobrepondo. Precisei recorrer toda a Casa da Frontaria Azulejada, que é um lindo lugar, para ambientar a peça aí”, explica à reportagem.

A construção da peça exigiu trabalho de dois meses, com seis horas diárias de trabalho em meio a muita improvisação. A viagem ao Brasil contou com um contratempo: o ator Héctor Silva não pode viajar e precisou ser substituído por Nelson Videros.

Ver e ser visto

Silvio Rodas, ator do grupo, diz ao R7 que estar em Santos é importante para eles. “O teatro do Paraguai ainda não tem tanta saída internacional quanto sua música ou suas artes plásticas”, explica.

E diz que é uma resistência viver da arte em Assunção. “Produzimos muito, mas falta continuidade dos espetáculos. Temos pouco público e as temporadas não costumam durar muito. Sair do Paraguai é importante para vermos e sermos vistos”, define.

Rodas parece saído dos anos 1970 para os dias atuais, com sua calça de tecido mole e a bolsa de pano à tiracolo. Ele conta que o grupo viajou em 2012 para Nova York, com a peça Versión 6. Neste ano, com Entre A e B, estiveram também no México, em maio.

Como as sessões da peça da trupe já terminaram, agora os meninos do En Borrador se dedicam até quinta (11) a uma residência artística com o grupo [ph2] estado de teatro, de São Paulo. Investigam o ano de 1985, objeto do trabalho conjunto.

“Estamos compartindo experiências. Há muito entusiasmo. Quem sabe isso não se torne um espetáculo em parceria mais para frente?”, aposta Rodas.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

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