Crítica: Colombianos fazem público do Mirada mergulhar em sonho e navegar no inconsciente

Um amor cheio de dor: dança apaixonada é um dos melhores momentos de 13 Sonhos – Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Santos*

O burburinho foi grande em relação a 13 Sonhos (ou somente um atravessado por um pássaro), espetáculo colombiano que se apresentou na garagem do Sesc Santos nesta terceira edição do Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, que chegou ao fim neste sábado (13). Tanto que foi preciso agendar sessões extras.

13 Sonhos teve sessões extras no Mirada – Foto: Divulgação

Tal qual um mergulho de Alice no País das Maravilhas, a superprodução do Teatro Odeon concebida e dirigida por Laura Villegas levou o público a uma espécie de sonho-delírio dividido em 13 etapas, cada qual uma potente instalação.

A obra dialoga com praticamente todas as vertentes artísticas possíveis e exige, em momentos certeiros, certa participação do público, chamado a utilizar sentidos como o paladar e mesmo o tato, quando uma chuva cai sobre suas cabeças de forma provocante.

Confissões telefônicas em nome do amor: público escuta com cumplicidade – Foto: Divulgação

Sabedores da proposta ousada que oferecem, os artistas  dão champanhe aos espectadores no começo de tudo, em uma espécie de bar cabaré. É uma sugestão para se estar mais sensível à experiência estética proposta, o que parece apropriado.

Em meio a tantas cenas, uma chama a atenção por sua precisão técnica ao mesmo tempo repleta de emoção: o pas de deux no qual dois bailarinos se dilaceram em nome de um amor que se mistura à crueldade. A dança é envolvente e o público acompanha, curioso, os diálogos entre o casal por meio de escutas telefônicas. É o grande momento do espetáculo.

Com as possibilidades infinitas do sonho, o Odeon fez o público santista percorres suas 13 estações, nas quais parte da história era contada, fazendo ou não sentido. Há uma acidade de carro, um pássaro sapateador, uma diva que dança no palco. Afinal, os sonhos carecem da obrigação de serem precisos.

Muito pelo contrário, os sonhos — e os pesadelos também — são uma experiência absolutamente estética mergulhada no subconsciente. Assim, o espetáculo, ao fazer seu público chegar perto deste estado sensivelmente delicado, ganha respeito e contundência.

13 Sonhos (ou somente um atravessado por um pássaro)
Avaliação: Muito bom

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Sesc São Paulo.

Leia a cobertura do R7 no Mirada

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