Segunda edição da MITsp prioriza teatro europeu

Uma família cheia de mulheres: As Irmãs Macaluso representa Itália na MITsp – Foto: Carmine Maringola

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os fãs de teatro precavidos já estão com os ingressos escondidos no fundo da gaveta. Após realizar sua primeira edição com entrada franca no ano passado, o que gerou filas gigantes e democráticas em todos os espetáculos, a segunda edição da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo) começa na próxima sexta (6) com a maioria de seus espetáculos pagos e com entradas esgotadas.

O evento, que vai até 15 de março, prioriza o teatro europeu, de onde vêm 70% dos países participantes. Dos dez países na programação, sete são do Velho Continente: Rússia, Suíça, Alemanha, Inglaterra, Ucrânia, Holanda e Itália. Israel é o único representante da Ásia e, da América Latina, só tem Brasil e Colômbia.

Quem não se adiantou na compra de entradas pode rumar para as filas que restaram: as peças As Irmãs Macaluso e Arquivo terão entrada gratuita, com distribuição sempre uma hora antes de cada sessão — é bom chegar bem mais cedo do que isso para conseguir entrar.

Dinheiro no caixa

O festival está com caixa robusto este ano. Se na primeira edição seu orçamento era de R$ 2,8 milhões, agora a MITsp custou R$ 3,2 milhões, dos quais 70% saíram dos cofres públicos. Portanto, é um festival, em maior parte, financiado por todos  nós, cidadãos pagadores de impostos.

Além do Auditório Ibirapuera, que sediará o lançamento da MITsp nesta quinta (5) para convidados com a montagem russa de A Gaivota, com cinco horas de duração, outros espaços paulistanos fazem parte do circuito de espetáculos: Teatro Sérgio Cardoso, Itaú Cultural, Sesc Consolação, Sesc Ipiranga, Sesc Pinheiros e Teatro Flávio Império.

A MITsp também oferecerá palestras e oficinas gratuitas com nomes fortes do teatro europeu contemporâneo — estas tiveram inscrições prévias no site do evento. O curador do evento é Antonio Araújo, diretor do Teatro da Vertigem e professor de artes cênicas na USP (Universidade de São Paulo).

A Gaivota, da Rússia, vai abrir a MITsp para convidados na quinta (5) – Foto: Ekaterina Tsevetkova

Peças

Entre os espetáculos, um dos destaques é Canção de Muito Longe, da Holanda, dirigido por Ivo van Hove com o Toneelgroep Amsterdam. A peça tem coprodução da MITsp, trilha do cantor norte-americano Mark Eitzel e dramaturgia do britânico Simon Stephens.

Se as notícias internacionais dão conta da tensão entre Rússia e Ucrânia no leste europeu, o público paulistano poderá conhecer um pouco do teatro recente feito nestes dois povos inimigos no plano da geopolítica.

Da Rússia, vêm os espetáculos Opus Nº 7, com direção de Dimitry Krymov, e A Gaivota, clássico de Tchekhov com direçaõ de Yuri Butusov. Já a Ucrânia envia Woyzeck, outro clássico dirigido por Andriy Zholdak.

Outra obra marcante, Senhorita Julia, de Strindberg, ganha versão inglesa nas mãos da diretora britânica Katie Mitchell. A Suíça manda Stifters Dinge, dirigida por Heiner Goebbels, considerado um encenador radical do teatro atual que faz a peça sem atores.

A italiana Emma Dante traz As Irmãs Macaluso, com a história de uma família de mulheres cheia de tumultos. Já Israel marca presença com o espetáculo de dança contemporânea Arquivo, dirigido por Arkadi Zaides.

Colômbia fará duas peças na MITsp – Foto: Jhon Fredy

Latino-americanos

Além do Brasil, representando pela diretora do Rio Christiane Jatahy com Julia e E Se Elas Fossem para Moscou, o único outro representante da América Latina na MITsp é a Colômbia.

A Fundación La Maldita Vanidad apresenta dois espetáculos de seu repertório: Morrer de Amor, Segundo Ato Inevitável: Morrer e Matando o Tempo, Primeiro Ato Inevitável: Nascer, ambos dirigidos por Jorge Hugo Marín.

O Atores & Bastidores do R7 apurou que ainda há entradas à venda para as seguintes peças: Matando o Tempo, Morrer de Amor, Canção de Muito Longe e Senhorita Julia.

Cena da peça Senhorita Julia: ainda há entradas disponíveis – Foto: Thomas Aurin

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1 Resultado

  1. Phillipe disse:

    Se mais da metade da MITsp é paga com dinheiro público, por que a cobrança de ingresso? Estou ficando tão desacreditado desse governo que torço pelo “impeachment” o quanto antes.

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