Rafinha Bastos gera revolta em alunos da SP Escola de Teatro e palestra é adiada

Aprendizes da SP Escola de Teatro não concordaram em receber Rafinha Bastos na instituição – Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Os estudantes da SP Escola de Teatro, em São Paulo, ficaram revoltados quando souberam que o humorista Rafinha Bastos, atual apresentador do programa Agora É Tarde, havia sido convidado pela instituição para participar de uma roda de conversa sobre humor neste sábado (14).

Os aprendizes, como são chamados os alunos da escola, se mobilizaram nas redes sociais. Expuseram montagens com fotos e frases polêmicas do comediante, acusado de ser preconceituoso com várias minorias sociais.

Os estudantes argumentaram junto à direção da SP, por meio de carta aberta que, caso Rafinha Bastos aparecesse na escola, sofreria boicote dos alunos e que estes ainda fariam protesto na porta da instituição durante o encontro.

Os aprendizes ainda lembraram que março é o mês da mulher e que Rafinha Bastos já declarou coisas como: “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho” e que, recentemente, riu e aplaudiu quando, em seu programa, o ator Alexandre Frota contou que fez sexo com uma mulher desacordada. Os estudantes ainda quiseram saber se Rafinha havia cobrado cachê da instituição e de quanto seria o valor pago.

Diante da forte pressão estudantil, a SP Escola de Teatro divulgou, na noite desta quarta (11), em seu site, que a palestra sobre humor da qual Rafinha Bastos participaria foi adiada, sem citar o episódio com os aprendizes.

A escola disse que por “compromissos artísticos inadiáveis de um dos participantes” o evento foi adiado. E não forneceu uma data futura de realização do encontro chamado Roda de Conversa e que contaria também com o dramaturgo Mario Viana, o ator e palhaço Domingos Montagner e contaria com mediação de Raul Barretto, palhaço do Parlapatões e coordenador do curso de humor da SP Escola de Teatro.

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Veja, abaixo, a carta aberta dos aprendizes da SP Escola de Teatro sobre o episódio Rafinha Bastos.

Print da carta aberta dos aprendizes da SP Escola de Teatro – Foto: Reprodução

Publicação do adiamento do encontro que teria participação de Rafinha no site da SP Escola de Teatro nesta quarta (11):

Após protesto estudantil, SP Escola de Teatro adiou ida de Rafinha Bastos à instituição – Foto: Reprodução/Site SP Escola de Teatro

Aprendizes fizeram fotomontagem com frases polêmicas de Rafinha Bastos:

Rafinha Bastos: ele foi rejeitado pelos estudantes dos cursos da SP Escola de Teatro, que lembraram em montagens as frases polêmicas que ele já disse – Foto: Reprodução

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14 Resultados

  1. Christian Moura disse:

    kkkkk!!!:(
    Ou sobre a incógnita “presença” de Rafinha Bastos na SP Escola de Teatro.
    Por Christian Moura
    Aquele a quem disseram constantemente que ele só compreendia a linguagem da força decide exprimir‑se pela força. Na verdade, desde sempre o colono lhe apontou o caminho que deveria ser o seu, se quisesse libertar‑se. O argumento escolhido pelo colonizado foi‑lhe indicado pelo colono e, numa reviravolta irónica das coisas, é o colonizado que, agora, afirma que o colonizador só compreende a força.
    Frantz Fanon
    “Sempre rir, sempre rir. Prá viver, é melhor sempre rir”. Foi assim que passei minha infância escutando o refrão da canção do velho palhaço Bozo, que no programa de televisão animava minhas manhãs antes de ir para escola. Lembro-me que naquela época as chamadas revoluções burguesas, as revoluções Inglesas do século XVII (Puritana e Gloriosa), a Independência dos EUA, a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, ainda não faziam parte de meu repertório cultural e assim as piadas, que eram ditas na época da Revolução Francesa a respeito de Maria Antonieta não provocavam minha risada.
    Mas hoje me pergunto o que esses eventos históricos têm haver com o meu riso? Não é difícil imaginar, que a garantia da liberdade de imprensa e liberdade individual e proteção à propriedade privada são “conquistas” associadas perda do poder dos monarcas e das elites eclesiásticas, que o transferiam à nobreza, aos burgueses e (donos do capital). Assim, como lembra Leonardo Boff nessa época “a liberdade tornou-se um privilégio das elites para impor uma política econômica e o poder às massas oprimidas. A liberdade defendida pelos teóricos da burguesia significava a libertação da opressão dos reis, sobretudo, sobre assuntos econômicos”.
    Assim, o conceito de liberdade não estaria associado diretamente na maneira pela qual as revoluções burguesas influenciaram nosso modo defender o riso em nome da ideologia “liberal” da sociedade capitalista, ou burguesa?
    De acordo com Bergson, para entender a comicidade de palavras é preciso distinguir a “comicidade que a linguagem exprime da comicidade que a linguagem cria” (p.76). Daí eu te pergunto. Somos livres para rir? Pois, se o humor está presente no dia-a-dia da humanidade, tudo seria objeto de riso? Haveria um riso estético como propõe Bergson? Ou o riso exige “algo como uma anestesia momentânea do coração. Ele dirige – se à pura inteligência”? Ou ainda, as piadas não nascem das polêmicas dos comediantes, como afirma Rafael Bastos Hocsman.
    Alguns dirão que o que defendo aqui é a censura do riso. Outros dirão que é muito blá! blá! blá! por pouca coisa, outros ainda irão sugerir que dialoguemos, alguns vão propor uma performance. E os mais sinceros de coração irão dizer TIRO, PORRADA E BOMBA. Mas sinceramente deixo outras perguntas e recomendações?
    Quando que um preto sobe na vida? ‘Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra c……’ e ‘Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade’. “Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independente de fronteiras.” (Art. XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos)????
    Bem, sabemos, eu acho! Que no Brasil a Lei de Imprensa (Lei 5.250 de 9 de fevereiro de 1967, sancionada pelo presidente Castelo Branco), não se compara ao proibir-se o riso gasto com dinheiro público e que trata como objeto tudo aquele que não for homem-branco-heterossexual-cristão-classe média-magro-jovem-cissexual. Daqueles que não querem conversar, ou que me dão o direito da fala, sempre a partir da lógica da liberdade burguesa.
    Desse modo, recomendo sinceramente que da próxima vez que o humor for colocado em discussão na Roda de Conversa da SP Escola de Teatro, pense em nomes como a querida Vovó Mafalda, o saudoso e turrão Papai Papudo, o professor sabichão Salci Fufu e o Garoto Juca. Pois, se Maria Antonieta era uma mulher, eu que era triste, agora não sou. Até os monstros chatos, adoram sorrir. Até cachorro bobo, gosta de rir. Sempre rir, sempre rir, sempre rir…

    • Alessandra Tavares disse:

      Pelo o que eu entendi, não seria uma palestra, sim uma roda de conversa. Por que estes alunos que boicotaram não participaram da roda de conversa e expuseram sua opinião? ! Só acho!

  2. Phillipe disse:

    Concordo totalmente com os alunos. Banalizar o estupro é de uma crueldade sem precedentes. É realmente desqualificar por completo uma mulher apenas por sua aparência; julgá-la sem identidade ou capacidade de ser amada.

  3. Daiane disse:

    Afff….acho que tudo tem seu lado bom e ruim, e é fato que hoje a maioria das pessoas (os aprendizes já aprendendo isso) só veem o lado ruim da coisa!

    Gente, é humor! Levam a vida com mais leveza!

    Gente hipocrita…..se bobiar eles próprios são preconceituosos.

  4. Luiz Paixão disse:

    Absurdo isso!
    Só no Brasil que levam Comediante a sério e Político na brincadeira…

  5. Eduardo Adauto da Costa disse:

    Concordo com a indignação dos alunos. O que o Rafinha tem feito há algum tempo e no seu programa não é humor, é patrocinar o preconceito. A entrevista com Alexandre Frota foi acintosa, deveriam chamá-los para esclarecimentos na polícia, porque beirou o crime de banalização do abuso e estrupo.

  6. Irnando disse:

    puta babaquice , os caras cada vez mais intolerantes e censuradores , vão ouvir Vanessa Camargo e ouvir a palestra para ver o outro lado, estudantes cada vez mais babacas

  7. ricardo disse:

    Censura por parte do poder é normal mas por parte de uma classe estudantil, essa não

  8. joaquim Francisco Rodrigues disse:

    muito se fala em “liberdade de expressão” e outros direitos, mas segundo o jeito vermelho de pensar, a liberdade de se expressar fica reduzida ao “meu jeito vermelho de pensar”.
    o tal politicamente correto é a pior invenção que se tem notícia na história deste planeta; os direitos humanos só servem para proteger marginais de todos os tipos, desde o ladrão de galinha até o “mais honesto” deputado, ministro, juíz, etc; o estatuda da criança e do adolescente faz a mesma coisa, enquanto crianças abandonadas pela família são abandonadas também pelo Estado, os criminosos de menos de dezoito anos são muito bem cuidados de modo a continuarem sua carreira de crimes.
    é isso aí, temos que aprender a escutar, antes de querermos falar…afinal, dois ouvidos…uma boca.

  9. Flavio disse:

    Na minha opinião Rainha bastos e um salafrário e preconceituoso. Depois critica ele acha ruim depois esse pilantra.

  10. ronaldo disse:

    alunos vindo da caverna? nao sabem a diferença de opiniao e piada.

  11. laurita disse:

    Não se trata de concordar ou não com a atitude dos estudantes/ aprendizes. Mas acho legitima a livre expressão, o repúdio, boicote e autonomia que tais buscam em sua formação como artistas. Acho que tal manifestação e um ato político, que querendo ou não, é formativo de opiniões outras e para além da escola em questão. Viva o contraditório!!

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