Claudio Marzo foi o ator de teatro que virou galã

Claudio Marzo, na novela Desejo Proibido, de 2007, na Globo – Foto: João Miguel Jr.

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Claudio Marzo, que morreu neste domingo (22), aos 74 anos, no Rio, foi um dos grandes atores que o Brasil conheceu, sobretudo por uma das mais bem sucedidas carreiras na televisão, onde fez personagens de destaque. Começou no teatro, mas foi na TV que se tornou galã de sucesso e reconhecido.

O paulistano integrou o começo do Teat(r)o Oficina, dirigido até hoje por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso. Além de atuar no palco, como na peça Pequenos Burgueses, de 1963,  também fazia dublagens. Em 1965, recebeu a proposta para entrar no primeiro elenco da Globo, e mudou-se de São Paulo para o Rio. Na segunda novela da emissora, A Moreninha, já estava no elenco.

Mas, Marzo já tinha experiência em televisão. Tinha sido figurante da TV Paulista e também ator da TV Tupi. Ao projeto Memória Globo, ele declarou o que pensava em sua juventude: “Na época, eu acreditava, ingenuamente até, que o teatro pudesse modificar o mundo”, afirmou.

Com Regina Duarte, Claudio Marzo formou um dos casais de maior sucesso na TV – Foto: Divulgação

Foi em Véu de Noiva, de 1969, de Janete Clair, na qual fez par com Regina Duarte que se tornou um galã reconhecido em todo o País. Mas foi em 1970 que conheceu o sucesso estrondoso da novela Irmãos Coragem, também de Janete e na qual deu vida a Duda, um dos irmãos mineiros.

Ainda em depoimento para o Memória Globo, ele revelou que foi difícil lidar com o sucesso televisivo, sobretudo por ter vindo dos palcos. Este era seu grande dilema: um ator de teatro que virou galã: “Eu não queria fazer sucesso em televisão. Eu queria ser ator de teatro, entende? E achava que, na minha cabeça, na época, fazer sucesso em televisão era uma coisa que te queimava. Novela, televisão, isso era uma coisa inferior. Mas eu precisava trabalhar”, declarou.

Entre 1988 e 1993, ficou fora da Globo, período em que trabalhou na extinta TV Manchete, onde participou, entre outras produções, do clássico Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa, uma de suas novelas preferidas. A volta à Globo foi em Fera Ferida, de Walther Negrão, em 1993. Em 1995, atuou no remake de Irmãos Coragem, como o coronel Pedro Barros. O trabalho mais recente do ator na TV foi na série Guerra e Paz, de 2009, como Capitão Guerra.

Entre suas peças marcantes, estão O Santo Inquérito, de 1976, A Serpente, de 1980, O Tiro Que Mudou a História, de 1991, e Anos de Fausto e Fausto, de 1999.

No cinema, atuou em produções clássicas, como O Homem Nu, baseado no romance de Fernando Sabino e com direção de Hugo Carvana, em 1997. Por seu desempenho, levou o Kikito de melhor ator no Festival de Gramado.

Claudio Marzo em cena do filme O Homem Nu, de Hugo Carvana – Foto: Divulgação

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3 Resultados

  1. Katia Maria disse:

    É vai dando uma depressão na gente, que já chegou aos 50 anos e que acompanhávamos as primeiras novelas de TV, na qual sonhávamos com os “nossos” galãs, é aí que percebemos que a vida passou e muito rápido e não há volta. O bom foi embora e o que resta para nossa geração, não é muita coisa, pois tínhamos uma inocência que não existe mais nos jovens, era muito natural e bonito. Que pena !

  2. everaldo ribeiro disse:

    O Brasil perde um grande homem, acompanhei alguns dos seu trabalho na televisão e sei o quanto fará falta para o Público. E fim deixo meus pesar para sua família que Deus possa conforta- los.

  3. Phillipe disse:

    Muitos atores de Teatro tiveram esse preconceito no passado, entendendo a televisão como um veículo menor. Entretanto, quando vejo certos rostinhos bonitos e nada talentosos – geralmente todos saídos de “Malhação” -, sinto uma inclinação a pensar dessa forma. Mas depois paro, reflito que é um preconceito tolo e deixo que a razão prevaleça.

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