Crítica: Post Scriptum derrapa em Curitiba com atuações superficiais

Post Scriptum fez sua estreia nacional no Festival de Teatro de Curitiba – Foto: Annelize Tozetto/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos DANIEL SORRENTINO/Clix

A peça Post Scriptum fez estreia nacional no Teatro Paiol, dentro da Mostra Oficinal do Festival de Teatro de Curitiba de 2015.

Samir Yazbek, autor do texto e também diretor, apresentou uma encenação arrastada e repleta de silêncios intermináveis para contar a história de uma família muçulmana no Brasil: mãe e dois filhos, já que o pai é apenas um espectro fantasmagórico.

Um dos filhos, vivido por Fause Haten, estilista que depois de tentar também ser cantor agora investe na carreira de ator, demonstra uma revolta com a perseguição e o preconceito contra o povo muçulmano. Sua escolha é partir para uma linha violenta de confronto com a sociedade ocidental,  mais tarde desacreditada pelo próprio texto.

O outro filho, mais jovem e tocador de guitarra, se apaixona pela internet por uma jovem judia, para desgosto da família. Em vez do confronto, ele tenta a via do amor, mas que surge de uma forma simplória por demais no texto. O que será que a família judia acharia do namoro? Isso a peça não explica, deixando o preconceito apenas nas mãos dos muçulmanos, o que é forçar a balança para um dos lados.

A encenação soa inocente ao fazer uso de recursos gastos, como o jogral escolar, e deixar parte do elenco tropeçar nas atuações. Helio Cicero faz o que pode com seu pai-fantasma, e Daniela Duarte até consegue alguns bons momentos, como em seu monólogo mais ao fim.

Mas Fause Haten e Pedro Augusto Monteiro estão longe de uma atuação condizente com o peso da Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba. Ainda não estão preparados para tamanha exposição.

E a direção deixa isso evidente, sobretudo quando ambos têm cenas juntos. Falta profundidade e entendimento interno das palavras que proferem, tornando tudo um texto repetido sem vida, superficial.

O momento de maior assombro da obra é a canção hebraica conduzida ao estilo Disney, cantada por Monteiro com a namorada judia via Skype.

A cena destoa do contexto estético proposto pela obra e, após a execução da música, nada mais faz sentido. Mesmo assim, a peça insiste em retomar seu tom sóbrio já perdido por completo.

Post Scriptum
Avaliação: Fraco

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

Acompanhe em tempo real o R7 no Festival de Teatro de Curitiba 2015!

Curta a nossa página no Facebook

Leia também:

Saiba o que os atores fazem nos palcos e nos bastidores

Descubra a cultura de uma maneira leve e inteligente

Todas as notícias que você quer saber em um só lugar

Você pode gostar...

1 Resultado

  1. Phillipe disse:

    Miguel, primeiramente, feliz Páscoa!
    Já comecei a ler a crítica com interesse, pois é sabido meu interesse pelos muçulmanos. Hoje inclusive fiquei muito feliz em ler que os refugiados palestinos em Damasco foram para abrigos no Bairro de Zahira e lá receberão melhor tratamento. Acho lamentável o massacre do povo palestino e mais lamentável a postura da ONU. Parece que o povo palestino não tem recebido a atenção que merece frente ao genocídio que vem ocorrendo com essa gente.
    Quanto a POST SCRIPTUM, desejo boa sorte a Fause Haten e aos demais. Às vezes, uma crítica pode ser a alavanca para uma retomada com mais força. Alguém que simboliza emblematicamente isso é Adriana Esteves. Assolada pela crítica por sua atuação como Mariana em RENASCER, ela voltou com sucesso em A INDOMADA e as mesmas pessoas que a criticaram reconheceram sua atuação magistral como a biscate Sandra, EM TORRE DE BABEL. E hoje ninguém duvida que é uma das melhores atrizes da televisão brasileira. Portanto, desejo boa sorte a absolutamente todos de POST SCRIPTUM! Que encontrem sucesso na carreira!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *