Desalinho aborda incesto no Festival de Curitiba com ator vindo de banda que abriu o Lollapalooza

Carolina Ferman e Gabriel Vaz vivem um amor proibido na peça Desalinho; o ator integra a banda Baleia, que abriu o Lollapalooza em São Paulo – Foto: Solomon/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos SOLOMON/Clix

O polêmico tema do incesto, mergulhado em poesia, é pano de fundo da peça Desalinho. A obra, repleta de lirismo, é baseada na vida e na obra da poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894-1930) e foi apresentada no Festival de Teatro de Curitiba 2015 no Teatro Paiol.

Um dos destaques é a participação no elenco do ator e músico Gabriel Vaz, da banda Baleia, que abriu o último Lollapalooza, festival musical em São Paulo na última semana.

A montagem carioca é dirigida por Isaac Bernat, com autoria de Marcia Zanelatto. No elenco, estão Carolina Ferman, Kelzy Ecard e Gabriel Vaz.

Os artistas participaram pela primeira vez do maior festival das artes cênicas no Brasil e confessaram ao Atores & Bastidores do R7 estarem emocionados, em entrevista concedida no café Solar do Rosário, no centro histórico curitibano.

“Tenho 34 anos de carreira e sempre quis estar no Festival de Curitiba”, conta Isaac. A autora, Marcia, faz coro. “É a realização de um sonho, o que nos comove muito”, diz. Ela conta que a obra estreou no Sesc Copacabana e que viajar é uma forma de “deixar a obra respirar”.

Kelzy comemora a apresentação no histórico palco do Teatro Paiol, inaugurado em 1972 por Vinicius de Moraes. “É um lugar que carrega muita história. Tem um significado especial”, declara.

Carolina Ferman contracena com Kelzy Ecard, que vive uma enfermeira na peça, no palco do Paiol: “lugar histórico” – Foto: Solomon/Clix

Isaac diz que a peça traz a palavra poética para a cena. “Os atores fazem as coisas ficarem macias, existe muita dor, mas muita beleza também”, explica. “Os atores estão conectados profundamente nesta peça”, define. A obra conta a vida da poetisa (Carolina Ferman) e seu encontro com uma enfermeira (Kelzy Ecard), com a qual rememora a relação conturbada com seu irmão (Gabriel Vaz).

Carolina concorda: “A peça é feita da força deste encontro. Fala de amor, perdão, renúncia. É um mar infinito”.

Como já dito, Gabriel Vaz veio diretamente do agitado festival de música Lollapalooza em São Paulo para o Festival de Teatro de Curitiba. Ele abriu o festival musical com sua banda Baleia e mergulhou no teatro em seguida. Mas, não reclama da correria.

Ele conta que a obra dialoga diretamente com a música que faz. “É uma peça que não tem medo de ser profundamente humana. Isso é muito corajoso hoje em dia. E a peça exige coragem não só da gente como do público também”.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

Acompanhe em tempo real o R7 no Festival de Teatro de Curitiba 2015!

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1 Resultado

  1. Phillipe disse:

    Não discuto a capacidade que os atores têm de interpretar bem. Contudo me irrita e até me enoja essa banalização do incesto e/ou do bizarro. Não estou, neste aspecto, criticando a peça DESALINHO especificamente, mas toda essa onda que se formou em torno de dar estética “underground” descolada para as coisas. Assassinato? É “cool”! E por aí vai. Na vida real, nada disso é “cool”; as pessoas sofrem horrivelmente, algumas piram e vão para viagens das quais nunca mais voltam. Para mim, esse tipo de tema deveria vir acompanhado de uma reflexão de, no mínimo, 15 minutos com um psicólogo ou psicanalista para que o público possa entender os efeitos disso. Porque tem muita gente que tem interpretação fraca ou rasa das coisas e ver algo ser abordado na televisão, no cinema ou no teatro soa como ode para muitos. Vide o polêmico filme DO COMEÇO AO FIM. Li estarrecido comentários de internautas sobre o filme do tipo “Queria ter uma relação com meu irmão assim”. Foi aí que vi que tem muita gente que não entende toda a gama de implicações que algo assim pode ter. As pessoas simplesmente acham que porque algo está passando na televisão, no cinema ou no teatro, significa que socialmente algo tem algum tipo de aval, o que é uma interpretação equivocada. Isso não é brincadeira. É assunto sério, grave, que pode implodir os vínculos familiares e estruturas familiares inteiras, de forma irreversível.

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