Com 200 mil espectadores, Festival de Teatro de Curitiba supera público do Lollapalooza em 47%

Leandro Knopfhoz, no centro de Curitiba: “Festival de Teatro de Curitiba olha para dentro do Brasil e é a principal vitrine dos palcos no País; já temos três patrocínios para 2016”, garante o diretor do maior evento teatral da América Latina – Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*
Fotos DANIEL SORRENTINO/Clix

Em ano de crise econômica, o Festival de Teatro de Curitiba fecha sua 24ª edição neste domingo (5) com público de 200 mil pessoas, informa seu diretor, Leandro Knopfholz, ao Atores & Bastidores do R7. O número de 2015 é menor que os 230 mil de 2014, mas é 47% maior do que as 136 mil pessoas que foram ao festival de música Lollapalooza, realizado em São Paulo nos dias 28 e 29 de março último. O que faz o teatro superar a música, arte que é muito mais popular no País.

Se comparado a outro festival teatral, o número de público do Festival de Teatro de Curitiba é 13 vezes maior do que o de seu principal concorrente, a MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo), cuja segunda edição foi realizada no mês passado e que fechou com público de 15,2 mil espectadores em suas peças.

A comparação é inevitável, já que a MITsp abocanhou parte do patrocínio que o banco Itaú dava a Curitiba. Mesmo assim, a direção do evento paranaense, que teve orçamento de R$ 6 milhões em 2015, garante sua próxima edição em 2016, quando celebrará 25 anos de trajetória.

“Já temos três patrocinadores fechados para 2016, Tradner, UEG Araucária e Copel. E teremos uma conversa próxima com o Itaú. Curitiba segue com seu peso nacional. É a mais importante vitrine para o teatro brasileiro”, afirma o diretor do Festival de Teatro de Curitiba, Leandro Knopfholz.

O executivo diz não temer a concorrência da MITsp. “Quanto mais se falar de teatro melhor”, afirma. E reitera que seu objetivo é “entender a cena brasileira, diferentemente da MITsp, que olha para fora do Brasil”. Em sua visão, “Curitiba olha para dentro do Brasil”.

Além de teatro, o Festival de Curitiba teve a Gastronomix, mostra gastronômica que serviu 27 mil refeições a um público de 9.300 pessoas no Museu Oscar Niemeyer com 25 chefs de todo o Brasil.

5.700 pessoas envolvidas e impacto de R$ 15 milhões

Segundo Knopfholz, em 2015, o Festival de Teatro de Curitiba gerou 900 empregos diretos e 1.500 indiretos. “Além disso, foram 2.700 artistas no Fringe e 600 na Mostra Oficial”, revela. Tudo somado dá 5.700 pessoas envolvidas no evento, número que impacta a economia em tempos de recessão. “Segundo um estudo da Secretaria Municipal de Turismo de Curitiba, a movimentação que o Festival faz na economia da cidade é de R$ 15 milhões”.

Por conta da crise, o evento cortou drasticamente a lista de jornalistas convidados. “Antes, chamávamos 40 veículos de todo o Brasil, mas com a diminuição orçamentária, tivemos que reduzir esse número para 15 veículos. Mas, esperamos que seja uma situação momentânea, porque gostamos de dialogar com todo o País”, afirma.

Leandro Knopfholz fala sobre globais x artistas do teatro do Fringe: “A gente não diferencia ninguém, todos são artistas e tem o mesmo peso”, afirma – Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Peças globais e artistas de longe

Sobre a qualidade questionável de alguns espetáculos da Mostra Oficial deste ano, Knopfholz afirma que “tem uma comissão curadora responsável por isso” e que “a programação reflete o que tem nos palcos”.

“Sempre pergunto para os curadores, quem você acha que ficou de fora e poderia ter estado aqui? O Festival traz um apanhado, tem ano que as pessoas se identificam mais, menos, mas é um retrato do momento”, diz. Os curadores deste ano foram Lúcia Camargo, Celso Curi e Tania Brandão.

Curitiba tem a dicotomia de ter peças com atores famosos geralmente lotadas na Mostra Oficial, e ao mesmo tempo ter peças vindas de todos os lugares do Brasil disputando atenção do público e da mídia no Fringe, a mostra paralela com quase 400 obras. Um dos exemplos foi o espetáculo piauiense Geleia Geral, do grupo Conexão Street, que investiu R$ 5.000 do próprio bolso dos artistas em sua vinda para Curitiba com a peça sobre a vida e obra do compositor Torquato Neto.

Para Knopfholz, ambos tipos de montagens têm peso na receita do Festival, que contou este ano com 422 espetáculos. “Todo mundo tem peso, o caldeirão é o interessante do festival. É claro que é mais difícil colocar 30 pagantes no espetáculo vindo do Piauí do que 2.000 pessoas na plateia da peça do Marco Nanini ou outra figura conhecida da televisão”, considera.

Mas afirma não fazer diferenciação de artistas. “A função do Festival é colocar todos no mesmo patamar. Mas a gente não diferencia ninguém, todos são artistas e têm o mesmo peso na divulgação no site ou no nosso livro de programação. Também não fazemos diferenciação de preço. A ideia é deixar o público escolher”, declara.

Leandro Knopfholz: “O que a gente aprendeu nestes 24 anos é se relacionar” – Foto: Daniel Sorrentino/Clix

Lugar para todos?

Chamou a atenção a baixa quantidade de peças curitibanas na Mostra Oficial – este ano foi só Cinderela, dança do Balé Teatro Guaíra, que entrou no lugar de uma peça norte-americana cancelada de última hora. Na programação nobre do evento, reinaram produções vindas do eixo Rio-São Paulo.

Knopfholz admite que pode ser interessante buscar maior aproximação com a cena teatral local curitibana, para que possam estrear montagens no Festival, bem como também com grupos de outros lugares do Brasil. “O Festival tem um trabalho com a cena local, de apoio às mostras locais, que é importante e traz bastante retorno”, justifica, dizendo que vai pensar em como integrar melhor a cena local e a nacional fora do eixo Rio-SP na programação da Mostra Oficial.

25 anos em 2016

Para o diretor do Festival de Teatro de Curitiba, lidar com pessoas distintas durante o evento é o grande desafio anual. “Às vezes o diretor é mais preciosista para afinar uma luz. O que a gente aprendeu nestes anos é se relacionar. Vamos comemorar isso na 25a edição, no ano que vem”, promete.

Knopfholz afirma que considera que se o Festival fosse realizado no eixo Rio-São Paulo teria maior apoio de parte da mídia nacional. “Parte do charme e da elegância do festival é porque ele é realizado em Curitiba, mas é claro que se fosse feito do mesmo jeito no Rio ou em São Paulo, ele teria mais projeção”.

Com o Festival chegando ao fim, ele já pensa no futuro. “Tivemos todos os patrocinadores presentes e esperamos fechar todos os patrocínios para 2016 até maio. Agora, vamos fechar os números e fazer uma avaliação do que aconteceu e pensar no próximo, que com certeza acontecerá e será de uma edição festiva, celebrando nossos 25 anos. Muitas pessoas ficaram amigas aqui em Curitiba, quero todos que fizeram parte do Festival voltem para celebrar conosco”, finaliza.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

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2 Resultados

  1. Phillipe disse:

    Maravilhosamente democrática e digna de elogios foi a afirmação de Knopfholz de que todos os artistas têm igual peso. Que delícia ver isso! Como é bom ter a pessoa certa no lugar certo. Ele está exatamente aonde deve estar. Parabéns para Curitiba e ao festival e a ele pela lucidez de raciocínio!

  2. Isaura Neves disse:

    Parabéns pela cobertura excelente do festival! Sabemos o quanto o teatro é maltratado no Brasil e é uma alegria saber que um evento cênico possa levar 200 mil pessoas ao teatro! Parabéns ao Festival de Teatro de Curitiba e ao R7 pela cobertura excelente que fiz questão de acompanhar!

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