Movimento dos Sem Ingresso faz a diferença no Festival de Curitiba com pouso solidário e entradas

Há 12 anos, eles pedem um ingresso sobrando: Movimento dos Sem Ingresso é tradição no Festival de Teatro de Curitiba; na foto, a partir da esq., Roni Mendes, Marisa Thomazzi e Debora Cristina – Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial do R7 a Curitiba*

Há 12 anos, eles estão sempre parados na porta do Memorial de Curitiba, QG do Festival de Teatro de Curitiba, com sua plaquinha, incentivando artistas e públicos a doarem entradas das mais de 400 peças do maior evento teatral da América Latina.

Assim que conseguem a doação, correm atrás do público, para deixar as plateias lotadas. É comum ver Marisa Thomazzi, uma de suas integrantes, oferecendo entradas teatrais aos transeuntes do largo da Ordem, no centro histórico curitibano.

Ela faz parte do Movimento dos Sem Ingresso, formado por artistas, produtores e apaixonados pela área teatral cujo único objetivo é ampliar o acesso da população às peças do Festival que chegou ao fim no último domingo (5), após 13 dias e 422 espetáculos apresentados.

1.500 ingressos em 2015

Em 2015, eles conseguiram a doação de 1.500 ingressos.  O número é menor do que os 3.000 ingressos conseguidos em 2014. “Acho que esta queda reflete a crise econômica e também a tendência do próprio Festival, que teve o público diminuído de 230 mil em 2014 para 200 mil em 2015“, analisa Anderson Ribeiro, integrante do Movimento Sem Ingresso, em conversa com o Atores & Bastidores do R7.

A relação com a direção do Festival, que já foi tensa no passado, hoje “está ótima”, segundo Debora Cristina, fundadora do Movimento dos Sem Ingresso. “Eles [da direção do evento] deixam a gente fazer nosso trabalho. As companhias de teatro nos procuram sempre para nos dar suas cortesias. Nosso papel é redistribuir esses ingressos à população, porque as companhias de fora não conhecem as pessoas daqui de Curitiba, por isso, eles gostam que a gente distribua”, revela.

Conscientes, artistas da peça infantil Mamulengo do Ambrósio, vinda de Garanhuns (PE), doam entradas das sessões em Curitiba para o Movimento dos Sem Ingresso – Foto: Divulgação

Debora conta que o Movimento Sem Ingresso “precisa de mais apoio da imprensa” para que as pessoas saibam de sua existência e busquem os ingressos. “Ano que vem, queremos conseguir mais reportagens, para que o povo venha retirar as entradas que conseguimos. Queremos ir nas TVs e rádios, além de continuar nosso trabalho na internet, onde temos uma página no Facebook“.

Além de Debora, Anderson e Marisa, também integram o Movimento dos Sem Ingresso Vanessa Ricette, Roni Mendes, Alleni Botarelli e Raquel Francielli.

Pouso Solidário

Este ano a entidade inovou ao criar o projeto Pouso Solidário, no qual tentaram acomodar em casa de voluntários companhias participantes do Fringe sem lugar para se hospedar em Curitiba. Quatro companhias foram beneficiadas.

“Em 2016, quando o Festival de Curitiba completará 25 anos, queremos ampliar o Pouso Solidário e também conseguir ônibus com a Prefeitura para trazer gente da periferia para ver as peças no centro de Curitiba”, afirma Debora Cristina, confiante.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba.

Veja a cobertura do R7 no Festival de Teatro de Curitiba 2015!

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2 Resultados

  1. Phillipe disse:

    Não deixa de ser uma forma de democratizar o acesso à cultura. E mais efetiva do que certos planos governamentais que podem acabar ganhando uma equivocada conotação de plataforma política de certos partidos, o que é lastimável do ponto de vista da cidadania num Estado que se supõe ser democrático de direito.

  2. Waldomiro Ribeiro disse:

    Nossa, que massa!!! Não sabia do movimento. Junto com Grupo Longânime de Pernambuco, organizamos a Primeira Mostra Pernambucana de Teatro para Infância e Juventude no festival desse ano, com cinco espetáculos, oficinas e palestras, já começamos a nos organizar para o ano que vem. Queremos muito participar do evento doando ingressos e/ou fazendo parcerias com escolas públicas e comunidades que queriam assistir gratuitamente nossos espetáculos.

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