Antônio Abujamra foi muito mais que Ravengar

Antônio Abujamra: um dos homens mais cultos do teatro brasileiro – Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A televisão tornou o rosto de Antônio Abujamra conhecido em todo o País em 1989, quando ele deu vida ao feiticeiro Ravengar, na novela Que Rei Sou Eu?, inspirada na Revolução Francesa. Mas, o artista que morreu nesta terça (28), aos 82 anos, em São Paulo, foi muito mais que este personagem icônico que ainda habita a mente do grande público.

Antônio Abujamra foi um dos homens mais cultos e provocativos que o teatro brasileiro conheceu e um dos responsáveis por modernizar nossos palcos com sua criatividade extrema.

Nascido em Ourinhos, no interior de São Paulo, em 1932, Abujamra foi diretor e ator pioneiro na introdução do método de Brecht no teatro brasileiro.

Conhecido pelo forte ceticismo, que exibia em seu programa Provocações, na TV Cultura, desde 2000, ele fez espetáculos que entraram para a história dos palcos brasileiros na segunda metade do século 20.

Jornalista e filósofo

Formado em jornalismo e em filosofia pela PUC do Rio Grande de Sul, começou a carreira escrevendo crítica teatral. Mas logo resolveu sair da plateia e ir para o palco, nas funções de ator e também de diretor. Ainda no Teatro Universitário gaúcho, montou textos clássicos de Tennessee Williams, Georg Büchner e Fernando Pessoa, de acordo com informações da Enciclopédia Itaú Cultural.

Antônio Abujamra: homem culto dos palcos – Foto: Bob Sousa

Em 1959, viveu sua primeira grande aventura: ir estudar espanhol em Madri. De lá, foi um pulo até conseguir estágio na França com o diretor Roger Planchon. Acompanhou de perto montagens de Shakespeare, Gogol e Brecht no Teatro Nacional Popular de Paris. Emendou a temporada europeia em outro estágio, no Berliner Ensemble, em Berlim, um dos mais tradicionais grupos teatrais do mundo.

Assim, quando chegou a São Paulo, em 1961, estava mais do que preparado para fazer sua estreia profissional no Teatro Cacilda Becker, com Raízes, de Arnold Wesker, e, logo depois, com José, do Parto à Sepultura, de Augusto Boal. Percebendo seu talento, a produtora Ruth Escobar, a mais importante dos palcos naquela época, lhe convidou para dirigir suas produções.

Teatro político e censura

Em 1963, funda o Grupo Decisão, focado no teatro político brechtiano. Trabalhou com autores como Dias Gomes e Bráulio Pedroso, e também com o casal Nicette Bruno e Paulo Goular no Teatro Livre e na obra Dona Rosita, a Solteira, de Federico García Lorca, montada em 1980. Antes, nos anos 1970, sofreu forte censura do regime militar, chegando a ter a estreia de O Abajur Lilás, de Plínio Marcos, proibida em 1975.

Também em 1975, dirigiu Antônio Fagundes, que foi seu genro, em Muro de Arrimo, de Carlos Queirzo Telles, e ainda fez a premiada obra Roda Cor de Roda, de Leilah Assumpção. Na década de 1980, tentou trazer vida novamente ao TBC, o Teatro Brasileiro de Comédia, com montagens que marcaram época, como Um Orgasmo Adulto Escapa do Zoológico, de Dario Fo com Denise Stoklos, em 1984, que ganhou projeção internacional.

A partir do fim da década de 1980, dedicou-se também à atuação na televisão, sem jamais abandonar os palcos, seu grande lar.

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1 Resultado

  1. Phillipe disse:

    Todos os grandes se envolvem com a obra de Tennessee. Que Abujamra descanse em paz!

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