Entrevista de Quinta – Aos 35 anos, Dan Rosseto diz: “Passa de 20 o número de espetáculos que dirigi”

Dan Rosseto - Foto: Divulgação

Dan Rosseto, atualmente, com três peças em cartaz – Foto: Caio Gallucci

Por BRUNA CRISTINA FERREIRA*

Algumas vezes na entrevista, Dan Rosseto falou sobre como as coisas em sua vida aconteceram um pouco ao acaso. Como se formou em comunicação, como veio parar em São Paulo, como passou de ator a diretor e como conseguiu ficar atualmente com três peças em cartaz ao mesmo tempo.

A primeira a estrear foi O Colecionador de Universos, no Viga Espaço Cênico. Depois foi a vez de Lisbela e o Prisioneiro – O Musical, no Teatro Nair Bello. Recentemente, Tardzio estreou no Parlapatões. Até o fim do ano, ele ainda dirige mais duas peças de sua autoria, Antes de Tudo, no Teatro Augusta, e O Palhaço e as Bailarinas.

Para completar, ele está cada vez mais inclinado a voltar aos palcos como ator e garante que não encana ao ser dirigido.

Proprietário e diretor da escola de teatro musical Applauzo, conheça um pouco mais sobre Dan Rosseto, que apesar de falar  sobre o acaso, é um jovem diretor trabalhador, inteligente e cuja trajetória mostra um tanto de determinação e amor pelo que faz.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Me parece que você está com três peças em cartaz atualmente. Como isso foi acontecer? Não é cansativo?

DAN ROSSETO – Na verdade, eu sabia que isso aconteceria desde o início do Ano. No dia 15 de janeiro, eu já tinha fechado cinco projetos de direção para esse ano. Eu topei o desafio, porque os textos eram bem diferentes entre si. A estética também é diferente. Eu poderia navegar por mares bem distintos.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Mas como você consegue tempo pra tudo isso?

DAN ROSSETO – Eu fiz um planejamento muito certinho, tenho uma equipe muito boa por trás, assistentes e produção que possibilitam essa matemática louca. E eu frequento todos os espetáculos, mesmo com eles em cartaz.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Como assim?

DAN ROSSETO – Depois que o espetáculo entra em cartaz, se o diretor não é do grupo teatral, ele entrega a criança e vai embora. O trabalho do diretor acabou ali. Eu tenho uma relação diferente com os meus trabalhos. Frequento todos eles, todos os dias. Faço manutenção dos três espetáculos.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Como é o seu dia no fim de semana?

DAN ROSSETO – Começa por volta das 16h. Colecionador começa às 17h, Lisbela é às 21h e termino meia-noite, na Praça Roosevelt, no Parlapatões. Enquanto puder, vou acompanhar. No segundo semestre não será mais possível, pois Lisbela viaja para Porto Alegre, Curitiba, Joinville, Rio de Janeiro e algumas cidades do Nordeste. Colecionador ainda não sabemos quais, mas entrará em festivais. Tardzio fica até o fim de junho e pode seguir viagem ou continuar em cartaz.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Qual é a sua formação?

DAN ROSSETO – Eu sou formado em comunicação social com habilitação em publicidade e jornalismo. Depois fiz cinema e pós-graduação em teoria da comunicação e crítica de arte. Fiz a especialização em São Paulo, na Cásper Líbero, mas a faculdade fiz em Presidente Prudente. Eu sou de lá. Estou em São Paulo há 14 anos.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Você é novo, acabou emendando um curso no outro, né?

DAN ROSSETO – Sim. Eu entrei na universidade muito cedo, eu tinha 17 anos.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Sua formação em comunicação te ajuda em algo hoje?

DAN ROSSETO – Engraçado, pois ajuda, sim. Eu trabalhei em agência de publicidade antes de fazer teatro. Eu fazia redação publicitária, atendimento, produção geral de comercial. Essa experiência me deu uma noção muito grande em planejamento.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Como veio para São Paulo?

DAN ROSSETO – Eu tinha 21 anos, vim sozinho. Não tinha menor noção do que ia encontrar. Eu só sabia que o interior já tinha me dado tudo o que eu precisava. Eu quis fazer faculdade no exterior, mas não consegui. Vim para cá sem a ideia de ficar, com uma mala pequena. Não sabia nem andar de metrô. Tem uma história engraçada sobre a minha chegada, uma loteria que eu fiz…

Dan Rosseto com a atriz Ligia Paula Machado - Foto: Divulgação

Ligia Paula Machado, diretora e atriz, ao lado de Dan Rosseto – Foto: Caio Gallucci

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Que ótimo! Conta, por favor…

DAN ROSSETO – Desembarquei na Barra Funda sem saber para onde ia. Só sabia que precisava arrumar um pensionato. Aí decidi olhar os nomes de todas as estações de metrô e escolher aquela que tinha um nome interessante. Escolhi Ana Rosa. Fui até lá e encontrei um pensionato e foi onde fiquei morando [risos].

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Você teve medo quando chegou?

DAN ROSSETO – Eu tinha uma ilusão de que São Paulo era uma cidade muito violenta, a gente ouve um monte de histórias. Quando dava 17h30, eu já não queria sair do pensionato. Com o tempo, fui me acostumando, saindo, conhecendo as pessoas.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Como era sua relação com o teatro naquela época?

DAN ROSSETO –  Eu trabalhava como ator no interior, tinha experiência em companhia de teatro. Eu pensava em continuar estudando teatro aqui em São Paulo, junto com uma carreira em comunicação. Ia tentar os dois, trabalhar durante o dia, fazer cursos à noite. Fiz Fátima Toledo, fiquei lá três anos, aprendi bastante com ela. O método era diferente, os cursos eram mais longos. Comecei a estudar e projetar algumas coisas, mas ainda como ator.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – E como você se tornou diretor?

DAN ROSSETO – As portas se abriram meio por acaso. Um amigo meu queria produzir um espetáculo, Dois Irmãos, e perguntou se eu poderia dirigir a peça. Topei, mas pedi um prazo maior, tive uns cinco meses para entender como funcionava. Ele entendeu meu pedido e não me deu prazo. De lá para cá, perdi a conta, mas passa de 20 o número de espetáculos que dirigi. Minha carreira de ator foi ficando menor. Não tinha tempo para me dedicar. Acabei trocando uma carreira pela outra.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Qual foi sua última peça como ator?

DAN ROSSETO – Foi em 2008, fiz O Imperador e Galileu, com direção do Sérgio Ferrara, no elenco tinha o Caco Ciocler. Para não dizer que não quebrei o jejum, em 2009, eu dirigia O Primo Basílio, o Musical, e ficou quatro anos em cartaz. Na última temporada, em 2012, eu atuei como ator, mas era um espetáculo que eu conhecia. O desafio de construir um personagem do zero, não tive mais.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Você voltará a atuar?

DAN ROSSETO – Existem algumas propostas. Talvez no segundo semestre. Estou naquela fase de negociação. Não sou um ser humano resistente a ser dirigido e sinto que as pessoas têm um pouco de medo de me chamar. Se eu encontrar, serei dirigido, não vou dar opinião. Preciso apenas conciliar a agenda.

BRUNA CRISTINA FERREIRA – Você gosta de estar atarefado…

DAN ROSSETO – Também vou estrear mais uma peça no Teatro Augusta, em novembro, e estamos procurando elenco. Eu não paro. Tenho uma produtora de teatro. Por aí, você imagina como é minha rotina [risos]!

*BRUNA CRISTINA FERREIRA é repórter do Portal R7 e cobre o blog interinamente durante as férias do colunista e editor de cultura Miguel Arcanjo Prado.

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