Crítica: Phedra por Phedra mostra diva segura de si

Já disseram que ela tem um holofote dentro de si: Phedra D. Córdoba é ela mesma no palco - Foto: Su Stathopoulos/Divulgação

Já disseram que ela tem um holofote dentro de si: Phedra D. Córdoba é ela mesma no palco, uma eterna diva – Foto: Su Stathopoulos/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos SU STATHOPOULOS

Aos 77 anos, a atriz cubana Phedra D. Córdoba já está naquele tempo em que se pode fazer (e dizer) o que bem entender. Na vida e no palco. Afinal, histórias não lhe faltam para contar.

A diva do grupo Satyros faz na praça Roosevelt, seu habitat, seu novíssimo espetáculo, Phedra por Phedra.

O show deveria ficar em cartaz semanalmente por tempo indefinido. Porque Phedra é a representante-mor deste espaço artístico alternativo da capital paulista e nele deveria expor sua arte (e sua personalidade) continuamente. Phedra é o que Phedra tem de melhor.

Pois bem. O show está sob comando de Robson Catalunha, a quem Phedra chama na intimidade de Pequeno Notável. Foi ele, que faz sua primeira direção, quem batalhou para dar à diva o espaço merecido. E ela sabe disso muito bem e é grata ao colega no palco.

Catalunha mergulhou fundo no baú de Phedra e tirou, entre os pelos de Primo Bianco (o famoso gato da atriz), as histórias marcantes da vida da cubana radicada no Brasil há quase 60 anos, que surgem contadas por ela, entremeadas por imagens de seu passado projetadas em telão e, claro, números musicais. As castanholas não faltam. Nem o domínio do gestual, marca da atriz.

Corpinho enxuto aos 77 anos: detalhe das pernas de Phedra - Foto: Su Stathopoulos/Divulgação

Corpinho enxuto aos 77 anos: detalhe das pernas de Phedra – Foto: Su Stathopoulos/Divulgação

No show, no Estação Satyros, Phedra também recebe amigos, que fazem participações especiais, enquanto o público pode tomar o que desejar no serviço de bar que funciona durante a obra, criando um clima propício de cabaré. Afinal, Phedra foi diva do Medieval, lendária casa noturna paulistana. E da Balalaika, seu histórico correspondente em terras cariocas.

Na noite em que este crítico viu a obra, Divina Nubia fez uma dublagem convincente de Édith Piaf, devidamente caracterizada, emocionando a todos com seu talento. Phedra até chorou. Depois, o artista Kiury entrou vestido de Carlitos para fazer dueto com Phedra, dando uma flor à diva, que rendeu homenagens ao ídolo Charles Chaplin, a quem chamou de o maior artista de todos.

Phedra se sente tão à vontade tendo um palco só para si que conversa com a plateia, reconhece amigos sentados no escurinho (como fez com Angela Barros, Gero Camilo e Cléo De Páris, na sessão vista por este crítico), sai do texto, enfim, faz o que quer. O que faz muito bem.

Afinal, a graça de Phedra por Phedra é justamente expor este carisma gigante que a atriz tem desde que veio ao mundo na mítica Havana. Ela mesmo gosta de proclamar aos quatro ventos que um outro importante crítico já definiu que ela tem um holofote dentro de si. E é verdade. Por cima do mar mais escuro e profundo, Phedra sempre é um potente farol.

A poesia de Phedra D. Córdoba é ser ela mesma, com tanta confiança, tanto carisma, tanta verdade que a todos nós não resta outra alternativa senão a querermos e a aplaudirmos de pé.

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Phedra por Phedra * * * *
Avaliação: Muito bom
Quando: Quarta, 21h. 70 min.
Onde: Estação Satyros (praça Roosevelt, 134, metrô República, São Paulo, tel. 0/xx/11 3258-6345)
Quanto: R$ 30
Classificação etária: 16 anos

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