Acusado de racismo, personagem Africano sai do Pânico na Band

Eduardo Sterblitch como o Africano: persoangem age como se fosse um animal irracional - Foto: Reprodução

Eduardo Sterblitch como o Africano: persoangem age como se fosse um animal irracional – Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O site apurou que o programa Pânico na Band resolveu retirar de seu repertório o personagem Africano, interpretado por Eduardo Sterblitch, e que foi acusado de racismo.

Para interpretar o personagem, que integra a paródia do Master Chef, Pânico Chef, o ator se pinta com tinta preta, na técnica conhecida como blackface, historicamente conhecida como uma prática racista.

Além disso, o personagem não diz coisas inteligíveis e anda e age como se fosse um animal irracional.

Repercussão negativa

A polêmica surgiu quando, neste domingo (9), integrantes da comunidade negra fizeram barulho na internet, acusando o quadro de racista.

Diante da forte repercussão negativa, o Pânico na Band soltou nota, nesta segunda (10), dizendo que jamais quis ofender seus telespectadores.

“O programa Pânico pede desculpas ao público que se ofendeu com o personagem”, afirma a nota, que ainda reiterou que a atração também ri de “mexicanos, chineses e árabes”.

“Não sou racista”, diz ator

O ator Eduardo Sterblitch também se manifestou em sua página oficial no Facebook.

“Não sou racista! E também estou chorando… A quem deixei triste ou pior, peço desculpas por minha ignorância!Que, pelo menos, eu sirva de exemplo! Para que isso não aconteça mais”, afirmou.

O racismo presente no quadro do Pânico acontece poucos dias depois que um grupo de imigrantes negros foi alvejado por disparos de chumbinho em uma rua de São Paulo, por homens racistas dentro de um carro.

Debochar de cor e procedência nacional é crime

Pela Constituição Brasileira, é crime a prática de racismo, bem como a discriminação por procedência nacional.

A Lei 7.716 de 5 de janeiro de 1989 declara que “serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” e também diz que é crime “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

A pena prevista é prisão de um a três anos e multa.

Repercussão internacional

A imprensa africana já noticiou o caso do Pânico na TV, assustada.

Ao saber do personagem, o SeneWeb, portal de notícias do Senegal, na África, publicou uma reportagem ilustrada com a foto de Eduardo Sterblitch e que perguntou na manchete: “O Brasil é um país racista”?

Blackface no teatro

Em maio deste ano, uma polêmica marcou o teatro brasileiro, também por conta da técnica do blackface, utilizada em uma peça do grupo Os Fofos Encenam, que seria apresentada no Itaú Cultural, em São Paulo, nas proximidades do Dia da Abolição da Escravatura no Brasil, 13 de maio.

Na obra A Mulher do Trem, um ator se pintava de preto para interpretar uma empregada doméstica.

Após a revolta da comunidade negra, que protestou contra a montagem na internet, a apresentação do espetáculo foi cancelada.

Em um debate com o público marcado para o mesmo dia pelo Itaú Cultural, para discutir o racismo, o diretor Fernando Neves, em prantos, afirmou que o grupo não tinha objetivo de ser racista e pediu desculpas à comunidade negra. E disse que retiraria o blackface da peça.

Na época, a colunista Eliane Brum, do jornal El País, definiu a situação com a seguinte frase: “No Brasil, o melhor branco só consegue ser um bom sinhozinho”.

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