“Sem o teatro, Totatiando não existiria”, diz Zélia Duncan

Zélia Duncan, no palco: um pouco de música e um pouco de teatro em Totatiando - Foto: Roberto Setton/Divulgação

Zélia Duncan, no palco: um pouco de música e um pouco de teatro em Totatiando – Foto: Roberto Setton/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A cantora Zélia Duncan estreia nesta terça (11), no Teatro Porto Seguro, em São Paulo, seu espetáculo-tributo a Luiz Tatit. O nome, não poderia ser outro: Totatiando.

Ela fica em cartaz com o show, de pegada teatral, toda terça, às 21h, até 27 de outubro, com entradas entre R$ 30 e R$ 80. O endereço é alameda Barão de Piracicaba, 74, no bairro Campos Elíseos.

Pouco antes de subir ao palco, a artista conversa com exclusividade com o site sobre o trabalho e disse que o teatro foi fundamental na construção da obra, que tem direção de Regina Braga.

Leia com toda a calma do mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quando você conheceu a obra de Luiz Tatit e por que resolveu transformá-la neste espetáculo?
ZÉLIA DUNCAN — Conheci o Grupo Rumo no começo dos anos 80, bem quando comecei a cantar. De cara foi impactante pra mim e a cada álbum solo dele, acompanhei e cultivei esse prazer de ouvi-lo ao longo dos anos. Então comecei a imaginar como seria, encenar essas canções aonde são sugeridos vários personagens. No ano em que faria 30 anos de carreira, fazer um espetáculo que fosse assumidamente teatral, a partir dele, virou um desafio real. Procurei Regina Braga, propus a viagem, ela aceitou e assim começou uma aventura perigosa pra mim, mas extremamente estimulante e cheia de muitas alegrias.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual foi o papel da Regina Braga na construção deste espetáculo-show?
ZÉLIA DUNCAN — Antes de mais nada, construímos o espetáculo, que não existia. Ela fez o fio condutor, a dramaturgia, com opiniões e percepções minhas, mas a partir do que ela foi organizando. Depois dirigiu com muita delicadeza, talento e generosidade. Mas nos identificamos muito, pois quando ela disse pra mim: “eu nunca dirigi!”, minha resposta foi: “perfeito, eu nunca atuei”!

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você acha que faz falta à música brasileira conversar mais com o teatro, como acontecia na década de 1970, por exemplo? Por quê?
ZÉLIA DUNCAN — Eu acho que faz falta, na medida em que isso é muito rico, as possibilidades do teatro são infinitas e a música só pode se beneficiar, quando compreende isso e o chama pra perto. Arrisco dizer que quase todos os grandes exemplos de shows musicais que ficaram na história, estavam de mãos dadas com o teatro. De Rosa dos Ventos a Falso Brilhante, passando por Brasileiro, Profissão Esperança. Totatiando não está exatamente nesta modalidade, porque é algo que não sei nomear direito, o que até acho divertido. Mas afirmo que, sem o teatro, ele não existiria e depois dele, quando Bel Teixeira me dirigiu em Tudo Esclarecido, minha postura e disponibilidade já eram outras, bem mais abertas e livres.

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