Zé Celso faz “ritual contra pestes fascistas”

Zé Celso, neste domingo (16), no palco do Oficina, que celebrou 54 anos no mesmo endereço - Foto: Reprodução

Zé Celso, neste domingo (16), no palco do Oficina, que celebrou 54 anos no mesmo endereço – Foto: Reprodução

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A fila era gigante na porta do Teatro Oficina pouco antes das 19h deste domingo (16).

Enquanto, horas antes na avenida Paulista milhares de pessoas vestidas de verde e amarelo gritavam contra a presidente Dilma Rousseff e pediam a volta dos militares, fato presenciado pela reportagem, no número 520 da rua Jaceguay, no bairro do Bixiga, outro grupo bem diferente de público aguardava ansioso.

Era gente que só queria entrar no espaço projetado por Lina Bo Bardi e Edson Elito para celebrar os 54 anos do Oficina no mesmo endereço. E resistir, com arte, ao discurso militarista presente nas ruas.

A última noite do projeto Das Bandas do Oficina, idealizado pela atriz e cantora Letícia Coura e que movimentou musicalmente o teatro mais aguerrido da cena brasileira neste inverno, começou com ritual de atabaques.

Atores do Oficina se vestiram como orixás, enquanto a atriz e musa Danielle Rosa defumava o teatro apinhado de gente.

Logo, surgiu Omolu, o orixá da cura, para o rito Vacina Antropófaga para o Bode Cantar.

Segundo o grupo, o ritual foi para “despachar as pestes fascistas do dia da marcha verde amarela para além das amarras do ódio e comer doenças, sáude, vida e morte da terra em transe, do Brasil e do mundo”.

Depois, os atores do Oficina assumiram as vestimentas do bando sensual Strume und Mangue, e a noite seguiu com apresentação conjunta de Zé Miguel Wisnik, Celso Sim e José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, diretor e fundador do grupo.

Perseguição na ditadura

Vestido de vermelho e com o rosto pintado na mesma cor, Zé discursou e lembrou de peças do Oficina que foram censuradas e da perseguição da ditadura civil-militar que vigorou no Brasil entre 1964-1985, que prendeu e torturou artistas. Depois, tocou piano.

Disse que não queria que falassem que estava fazendo um show. “Eu detesto que chame de show, eu sou performer”. E declarou, antes de começar a tocar: “Quero dedicar esse dia no momento em que estamos no total volume morto. Mas, ninguém existe sem passar um tempo por uma zona morta, ficar mais embaixo até chegar no cu da terra”, afirmou.

O diretor utilizou o ator Marcello Drummond, também diretor e ator do Oficina, como representante para ser “desbodificado”: “Tudo que era bode que mandavam para mim passaram para ele. Desbodificar o Marcelo é desbodificar o Brasil”.

Veja no vídeo como foi a noite deste domingo no Oficina:

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