Nó na Garganta deixa público usar celular e pergunta: Tecnologia aproxima ou traz solidão?

Cena do espetáculo Nó na Garganta - Foto: Bruna Quevedo

Marco França e Pedro Norato em cena do espetáculo Nó na Garganta, em cartaz no Viga Espaço Cênico, em SP – Foto: Bruna Quevedo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Estamos todos plugados o dia inteirinho. Mandando e recebendo mensagens por meio de aparelhos tecnológicos impensáveis poucas décadas atrás.

Tanta conectividade nos deixa mais próximos uns dos outros ou nos mantém afastados?

Esta pergunta é premissa da peça Nó na Garganta, feita em conjunto por dois grupos de Santos, no litoral de São Paulo: Cia. Trilha de Teatro e o Grupo Tescom de Teatro.

A temporada na capital paulista estreou no último dia 5, no Viga Espaço Cênico, próximo ao metrô Sumaré, e vai até o dia 27 deste mês.

Celular pode ficar ligado

E, ao contrário da maioria dos espetáculos encenados na cidade, o diretor Ronaldo Fernandes não liga que o público utilize o celular durante a peça.

Ele deixa todo mundo ficar com celular ligado, inclusive o público pode fazer registros e postar nas redes sociais ao longo da encenação.

Ronaldo explica por quê: “A peça aborda justamente como as pessoas estão cada vez mais reféns das relações criadas via internet. Não faria sentido proibir o uso de celulares já que elenco passa boa parte do espetáculo teclando”.

Desencontros digitais

No palco, os atores Alex Felix, Ana Paula Silva, Karla Lacerda, Marco França e Pedro Norato interagem com telas, tablets e teclados, na proposta de encenação híbrida do autor e diretor Ronaldo Fernandes e do cenário proposto por Karla Lacerda.

Os personagens são pessoas comuns, chamados de Dino, Teresa, Nuno, Paty e Érico. Gente que vive encontros e desencontros digitais.

“A peça é para questionar até que ponto a realidade virtual facilita ou distorce os desejos mais íntimos das pessoas”, diz Ronaldo, que contou com a assistência na direção de Natali Barbosa.

Sob trilha sonora de Dario Felix, iluminação de Marco França e Ronaldo Fernandes e vestidos por Paola Caruso, os personagens demonstram ser “indivíduos que deixam de ser aquilo que verdadeiramente são e tentam se encontrar por meio de uma realidade virtual”, nas palavras do diretor.

Este finaliza dizendo que, na vida real ou virtual, “no fim, todos só tentamos ser felizes”.

Está coberto de razão.

Nó na Garganta
Quando: Sábado, 21h, domingo, 19h. 70 min. Até 27/9/2015
Onde: Viga Espaço Cênico (r. Capote Valente, 1323, metrô Sumaré, São Paulo, tel. 0/xx/11 3801-1843)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

 

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