“Distinção entre ator e ator de musicais é prejudicial”, diz Zé Henrique de Paula

O ator e diretor Zé Henrique de Paula - Foto: Divulgação

O ator e diretor Zé Henrique de Paula – Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Zé Henrique de Paula enfrenta novo desafio, além de dirigir um dos musicais mais aclamados da atual cena paulistana, Urinal, o Musical, em cartaz de sexta a domingo no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda.

A partir de novembro, o diretor poderá ser visto também como ator. Mas em outra produção, já que ele está no elenco de Nuvem de Lágrimas, musical de Anna Toledo livremente inspirado no romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, com canções da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó.

Estando dos dois lados da moeda, o diretor e ator conversou com o Site do Miguel Arcanjo sobre o fascinante mundo dos musicais.

Leia com toda a calma do mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como diretor você exige atores preparados para fazer um musical?
ZÉ HENRIQUE DE PAULA — Sim, acredito que o gênero pede atores preparados para cantar e, eventualmente, dançar. Obviamente que as habilidades como ator são primordiais sempre e não podem ser desconsideradas em favor das habilidades como cantor e bailarino. Mas há casos em que determinados atores que têm aptidão para canto podem ser treinados, por exemplo. É o que acontece no Núcleo Experimental e em Urinal, o Musical. Dos catorze atores que fazem a peça, treze já haviam atuado em outras peças do Núcleo e receberam treinamento para estar em Urinal. Isso, contudo, demanda tempo e muita dedicação.

 

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quanto um ator precisa gastar por mês em sua própria formação e preparo para os testes de musicais?
ZÉ HENRIQUE DE PAULA — Honestamente, não sei responder a essa pergunta. Estou ensaiando um musical novo como ator no momento, Nuvem de Lágrimas, e percebo que muitos dos meus colegas de elenco fazem aula de canto, mas ao mesmo tempo a carga horária de ensaios é tão grande que inviabiliza essa atividade durante o período de ensaios. Além disso, canta-se muito durante os ensaios, o que já é um treinamento em si. O que eu percebi recentemente, dirigindo jovens atores tanto em Londres quanto em Moscou, durante o mestrado, é que aqui há uma lacuna de formação. Lá, jovens estudantes de teatro já cantam, dançam e tocam algum instrumento musical — isso faz parte da grade curricular e há pouca necessidade de investir paralelamente para estar preparado para audições de musical.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você acha que ser “ator de musicais” é uma carreira cara? Vale a pena todo este investimento?
ZÉ HENRIQUE DE PAULA — Acho que a distinção entre ator de musicais e ator de teatro é bem prejudicial, de um modo geral. Precisamos de atores completos, que possam cantar e dar conta de dançar, se for necessário. Os musicais e os profissionais que estão por trás deles se ressentem muito de um automatismo, de falta de vida e verdade, de atuações estéreis e superficiais. Isso está mudando, o que é muito positivo. Mas para que essa mudança seja efetiva e permanente, a pecha de ator de musical precisa deixar de existir. O que importa é ser ator, e ponto.

Nos ensaios de Nuvem de Lágrimas: o ator Zé Henrique de Paula (de amarelo), ao lado dos atores Tinno Zani, Otavio Zobaran, Wilson Alves Feitosa Jr. e Fabio Augusto Barreto - Foto: Divulgação

Nos ensaios de Nuvem de Lágrimas: o ator Zé Henrique de Paula (de amarelo), ao lado dos atores Tinno Zani, Otavio Zobaran, Wilson Alves Feitosa Jr. e Fabio Augusto Barreto – Foto: Divulgação

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1 Resultado

  1. setembro 11, 2015

    […] Lágrias está o diretor de Urinal, o Musical, Zé Henrique de Paula. Ele é ator também, gente. Leia entrevista com o […]

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