Crítica: Estado Imediato faz batuque dialogar com disco music em dança brasileira e cosmopolita

Cena de abertura de Estado Imediato: a bunda e o Brasil - Foto: Marco Flávio

Cena de abertura de Estado Imediato: a bunda e o Brasil – Foto: Marco Flávio

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial a Campinas (SP)*

Os sons dos atabaques ecoam pelo teatro, estabelecendo um ritmo constante e envolvente capaz de levar ao transe.

De repente, como quebra ao mergulho sonoro, na plateia surgem os bailarinos, que logo rumam ao palco. Lá, despem-se, de costas, e exibem seu revés desnudo, com foco em suas bundas. Estas logo ganham protagonismo ao acompanhar o ritmo frenético percussivo.

A imagem é repleta de força, poesia e, sobretudo, de brasilidade. Afinal, somos o país aficionado pela bunda e repleto de gente possuidora de cadeiras cheias de malemolência — por mais que não sejamos, ainda bem, apenas isso, ao contrário do que muitos pensam; o espetáculo ressalta isso muito bem.

Estado Imediato libera nossa ancestralidade no palco - Foto: Marco Flávio

Estado Imediato libera nossa ancestralidade no palco – Foto: Marco Flávio

Tal pendor para os ritmos nacionais está todo o tempo presente no espetáculo Estado Imediato, de Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira, de São Paulo.

Ao lado de Beto Madureira, Leandro Soares, Rafi Sousa e Vanessa Silva, eles fazem essa ancestralidade afro-brasileira conversar de forma pungente com outros elementos sonoros, como o pop e a disco music, e corporais, mais ligados à técnica e à tradição da dança, seja do balé clássico à dança contemporânea mais hermética.

Estado Imediato tem bailarinos presentes e propositivos no palco da Bienal Sesc de Dança - Foto: Marco Flávio

Estado Imediato tem bailarinos presentes e propositivos no palco da Bienal Sesc de Dança – Foto: Marco Flávio

E este é o grande mérito de Estado Imediato, conseguir compreender a dança como um todo repleto de diversidade e não como uma série de divisões que não se conversam.

No palco, os bailarinos podem exibir destreza técnica de corpos atleticamente treinados como também serem libertos para o bailar mais presente na vida de alguém comum, o da festa, da pista, do corpo solto.

Em Estado Imediato, o diálogo é real e tem como ponto forte uma trilha sonora escolhida a partir de boa dose de sensibilidade, fazendo com que os corpos dos bailarinos dedicados e propositivos ganhem ainda mais potência.

*O jornalista MIGUEL ARCANJO PRADO viajou a convite da Bienal Sesc de Dança.

Leia a cobertura completa da Bienal Sesc de Dança

Estado Imediato * * * *
Avaliação: Muito bom
Quando: Domingo, 20/9/2015, 18h, última apresentação
Onde: Teatro Municipal José de Castro Mendes, Campinas, SP
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação etária: 14 anos

Estado Imediato: dança técnica e livre ao mesmo tempo - Foto: Marco Flávio

Estado Imediato: dança técnica e livre ao mesmo tempo – Foto: Marco Flávio

Precisão nos movimentos marca Estado Imediato -Foto: Marco Flávio

Precisão nos movimentos marca Estado Imediato -Foto: Marco Flávio

Dança contemporânea se mistura com outras matizes artísticas em Estado Imediato - Foto: Marco Flávio

Dança contemporânea se mistura com outras matizes artísticas em Estado Imediato – Foto: Marco Flávio

Estado Imediato estreou na Bienal Sesc de Dança - Foto: Marco Flávio

Estado Imediato estreou na Bienal Sesc de Dança – Foto: Marco Flávio

Corpos alinhados no palco: dança para todos - Foto: Marco Flávio

Corpos alinhados no palco: dança para todos – Foto: Marco Flávio

Estado Imediato: corpos livres no palco dançam com prazer - Foto: Marco Flávio

Estado Imediato: corpos livres no palco dançam com prazer – Foto: Marco Flávio

Mini guarda-chuva dança afoxé nas mãos de bailarino de Estado Imediato - Foto: Marco Flávio

Mini guarda-chuva dança afoxé nas mãos de bailarino de Estado Imediato – Foto: Marco Flávio

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1 Resultado

  1. Omar Marin disse:

    Chile

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